Jabbour: precisamos de um projeto nacionalista, desenvolvimentista, patriótico e antineoliberal
Um debate sobre “Socialismo do Século 21 – Desafios para um Projeto Nacional de Desenvolvimento” levou duas lideranças do PCdoB, Elias Jabbour e Gustavo Petta, à tradicional Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), no Largo São Francisco. A atividade, realizada na quarta-feira (17), reuniu centenas de participantes e lotou a Sala do Estudante.
Doutor em Geografia Humana pela USP e professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Econômicas da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Elias citou vários feitos do socialismo chinês. O desenvolvimento econômico do país asiático, liderado pelo partido Comunista desde 1949, é sua principal especialidade.
“A China, nos últimos dez anos, tirou 200 milhões de pessoas do campo e colocou na cidade – e sem criar uma única favela. Isso significa o quê?”, questionou Elias. Em uma década, foi preciso garantir “educação, saúde, saneamento básico, prédio, equipamento e mais um monte de coisa para 200 milhões de pessoas” – quase o tamanho da população brasileira. “Esse movimento está acima do alcance da ciência.”
Para Elias, “o núcleo central da luta de classes internacional hoje é saber se a China será autossuficiente na infraestrutura de semicondutores. O resto é periférico a isso”. Ele defendeu que a China pratica uma “forma histórica nova” de socialismo, desenvolvendo a teoria de Karl Marx e Friedrich Engels. A China demonstrou, segundo Elias, que “o marxismo é a ciência do poder político”.
Com relação ao Brasil, Elias defende que o socialismo deve se basear numa “leitura radical da realidade, com visão do processo histórico”. O PCdoB, ao longo de seus 104 anos, avançou nessa leitura. “Chegamos à conclusão de que as grandes transformações brasileiras só foram possíveis através da formação de maiorias heterogêneas”, afirmou Elias.
Como exemplos, ele mencionou a Independência, a Abolição da Escravatura, a Proclamação da República, a Revolução de 1930 e a própria eleição de Lula a presidente em 2002. Se a luta, agora, é por um projeto nacional de desenvolvimento, essa maioria deve ter – de acordo com Elias – quatro características: ser nacionalista, desenvolvimentista, patriótico e antineoliberal.
“O PCdoB desenvolveu o marxismo com a cara do Brasil”, concluiu Elias. “O socialismo aqui vai acontecer quando tivermos forças heterogêneas nucleadas por forças interessadas no socialismo. Temos de fazer aliança com Deus e com o Diabo – com quem tiver de fazer – para conquistar nosso objetivo estratégico.”
Vereador em Campinas e secretário nacional de Juventude do PCdoB, Gustavo Petta defendeu que as experiências socialistas, como a da União Soviética, “entregaram prosperidade para seus povos e muita solidariedade internacional”. No capitalismo, em compensação, um único indivíduo pode ter uma fortuna de US$ 1 trilhão enquanto milhões estão na pobreza e passam fome. “Que liberdade e que democracia são essas?”, indagou Gustavo.
Segundo ele, em vez de afirmar que o socialismo “deu errado”, é preciso discutir se “o capitalismo deu certo”, com seu histórico de “genocídio, desigualdade, guerras e fascismo. É um sistema que vende o sonho de liberdade, mas não entrega ascensão social”.
Gustavo também elencou avanços históricos conquistados pelos chineses sob o socialismo: “Nos últimos 40 anos, a China tirou 800 milhões de pessoas da miséria e da pobreza. Nos últimos 20 anos, os salários têm crescido acima da inflação e da produtividade. Nos últimos 20 anos, 50 mil quilômetros de trem de alta velocidade foram construídos na China – e no capitalismo isso não seria possível.” Para Gustavo, o trunfo chinês foi justamente o de pôr o desenvolvimento no centro de seu projeto nacional.




