PCdoB-BH inicia 2026 com foco na retomada do mandato federal e na ampliação da bancada estadual
Em um cenário político marcado por tensões globais e desafios internos, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em Belo Horizonte realizou, no dia 26 de janeiro, sua primeira reunião da Comissão Política Municipal. O encontro ocorreu na sede do partido, no centro da capital mineira, e teve como eixo central a preparação para as eleições de 2026, com a definição das estratégias para as pré-candidaturas de Wadson Ribeiro a deputado federal e do vereador Edmar Branco a deputado estadual.
A reunião foi aberta por Richard Romano, presidente do PCdoB-BH, que apresentou uma análise de conjuntura abordando a crise estrutural do capitalismo, o agravamento das tensões geopolíticas, a crise ambiental e a disputa internacional por matérias-primas estratégicas. Em sua avaliação, o governo Trump atua como catalisador de uma “nova era tenebrosa da história”, citando ofensivas e ameaças contra países como Venezuela, Síria, Iraque, Irã, Nigéria e Somália.
Romano destacou ainda o aumento expressivo do orçamento militar dos Estados Unidos, que deverá alcançar 1,5 trilhão de dólares em 2027, bem como a predominância norte-americana nos gastos da OTAN. Para ele, a escalada bélica reflete a tentativa de conter a perda de hegemonia global dos EUA diante do aprofundamento da crise capitalista.
No plano nacional, o dirigente apresentou as três tarefas prioritárias do PCdoB para 2025 e 2026: garantir uma nova vitória da nação e da classe trabalhadora, com a reeleição do presidente Lula; batalhar por mudanças estruturais que removam as “amarras neoliberais e neocoloniais” do desenvolvimento brasileiro; e reposicionar o partido para um novo ciclo de acumulação de forças, com foco na vitória eleitoral.
Romano ressaltou o caráter democrático e anti-imperialista da reeleição de Lula, destacando a liderança do presidente nas pesquisas, os avanços em políticas públicas, a campanha pela redução do imposto de renda e o enfrentamento às tentativas de anistia aos golpistas. Nesse contexto, enfatizou a importância de ampliar a bancada estadual do PCdoB na Assembleia Legislativa de Minas Gerais como condição para enfrentar a agenda conservadora no estado.
Disputa em Minas e cenário eleitoral
Sobre a sucessão ao governo de Minas Gerais, Romano identificou uma polarização entre dois campos. No campo conservador, aparecem nas pesquisas o senador Cleitinho (Republicanos) e a articulação do governador Romeu Zema, que atraiu o vice-governador Matheus Simões para o PSD, buscando aglutinar forças de centro e direita. O PSDB, por sua vez, tenta se reposicionar ventilando nomes como o de Aécio Neves.
No campo progressista, Romano manifestou expectativa positiva em relação a uma possível candidatura do senador Rodrigo Pacheco, que estaria “animado” para disputar o governo e em negociações para migrar para o União Brasil. Segundo ele, a pulverização das candidaturas conservadoras pode abrir espaço para um segundo turno e favorecer maior unidade da centro-esquerda.
Planejamento tático e retomada do mandato federal
Fernando Máximo, secretário de Organização do PCdoB-MG, apresentou o plano tático para 2026. A meta é ampliar a bancada federal, com o objetivo de alcançar 100 mil votos em Minas Gerais. A estratégia territorial envolve cerca de 200 municípios, organizados em três níveis de prioridade, com metas mais elevadas para grandes centros como Belo Horizonte e Juiz de Fora.
O cronograma prevê uma pré-campanha intensa entre fevereiro e julho. Nos primeiros meses, o foco será a instalação das coordenações municipais e a criação de uma Coordenação Geral, com núcleos de comunicação, finanças, agenda e inteligência eleitoral. Na capital, o planejamento prevê metas por bairro e por urna, com responsáveis definidos e acompanhamento sistemático.
Um dos pontos centrais do debate foi a ampliação da votação de Wadson Ribeiro em Belo Horizonte. Tonny Santos apresentou um mapeamento das votações anteriores do partido e do próprio Wadson, indicando que a meta é viável, desde que haja elevado grau de organização.
“Com a candidatura única de Wadson a deputado federal, a meta de votos em Belo Horizonte é tecnicamente viável, mas exige eficiência, disciplina partidária e conversão consistente da base histórica”, afirmou Tonny, destacando a necessidade de transformar a campanha em um esforço coletivo do partido.
Debate interno e papel da comunicação
As intervenções evidenciaram tanto disposição quanto preocupações. O vereador Edmar Branco confirmou sua pré-candidatura a deputado estadual, reconhecendo um cenário eleitoral difícil e um eleitorado exigente. Ele destacou a importância de Wadson intensificar o diálogo com lideranças locais.
Júlia Inez, secretária de Organização do PCdoB-BH, apontou como desafio central ampliar o conhecimento do nome de Wadson Ribeiro em Belo Horizonte. Defendeu o fortalecimento das dobradas como estratégia prioritária e a construção de uma coordenação única para as campanhas de Wadson Ribeiro e Edmar Branco na capital, visando maior unidade política e eficiência eleitoral.
Jô Moraes avaliou que, considerando o histórico eleitoral do partido, “é possível chegar à meta”, destacando como desafio apresentar Wadson aos setores médios da cidade. Laura Farias e Sofia Amaral ressaltaram a necessidade de fortalecer a pauta das mulheres, enquanto Valéria Morato e Marcos Oliveira sugeriram aprimorar a comunicação, com mensagens mais diretas e conectadas à realidade dos bairros.
Cyro Viegas de Oliveira, secretário de Comunicação do PCdoB-BH e coordenador da comunicação da pré-campanha, apresentou as linhas gerais da estratégia, que prevê planejamento rigoroso, atendimento em tempo integral e segmentação territorial. O objetivo é dialogar não apenas com a base da esquerda, mas também com setores de centro e centro-direita democrática.
Encaminhamentos e perspectivas
No encerramento, Richard Romano reafirmou a centralidade da candidatura de Wadson Ribeiro a deputado federal e o compromisso do partido em concentrar esforços para sua eleição em 2026. Destacou também a importância da ampliação da bancada estadual, apontando Edmar Branco como liderança popular com forte inserção nos territórios de Belo Horizonte.
Romano ressaltou ainda a recuperação do espaço político do PCdoB na capital, o papel do mandato de Edmar Branco e o potencial da dobrada Wadson–Branco, com o apoio e a projeção política de Jô Moraes. Segundo ele, o avanço eleitoral exigirá estudo detalhado dos territórios e coordenação unificada das campanhas.
Entre os fatores positivos, destacou a capacidade política de Wadson Ribeiro para enfrentar temas centrais do debate nacional e estadual, sua relação com as universidades e a necessidade de recolocar os problemas de Minas Gerais no centro da agenda. A inserção da campanha nas lutas sociais — especialmente nas pautas das mulheres e da juventude — será fundamental para a construção de uma carta-compromisso com os movimentos sociais.




