Num ataque de proporções sem precedentes na América Latina, os Estados Unidos bombardearam diversas cidades da Venezuela desde a madrugada deste sábado (3). Alvos civis e militares foram atingidos na capital Caracas, bem como nas regiões de Miranda, Aragua e La Guaira. Pela manhã, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou ter capturado e retirado do país, “por via aérea”, o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a primeira-dama, Cilia Flores.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou que o governo não tem informações sobre a localização do casal presidencial e exigiu da Casa Branca uma “prova de vida” de Maduro. Já o ministro da Defesa do país sul-americano, general Vladimir Padrino López, foi às redes sociais e à TV Telesur para denunciar o ataque.

Tanto a ofensiva quanto as prisões violam leis internacionais e foram denunciadas por chefes de Estado como Miguel Díaz-Canel, de Cuba, e Gustavo Petro, da Colômbia. A Rússia, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, disse estar “profundamente preocupada” diante do “ato de agressão armada” e clamou por “esforços para encontrar uma saída por meio do diálogo”.

O governo Maduro também divulgou um comunicado em que “rejeita, repudia e denuncia perante a comunidade internacional a gravíssima agressão militar perpetrada” pelos Estados Unidos. “Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente dos seus artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e estabilidade internacional, concretamente da América Latina e do Caribe, e põe em grave risco a vida de milhões de pessoas”, afirma a Venezuela.

O comunicado rechaça, ainda, os pretextos usados por Trump para legitimar a invasão norte-americana. De acordo com o documento, “o objetivo deste ataque não é outro, a não ser apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da Nação. Não o conseguirão”.

Agora sob “estado de Comoção Exterior em todo o território nacional”, a Venezuela busca uma reação popular, considerando até a hipótese de Luta armada. Em defesa da pátria, o governo venezuelano conclamou o “povo à rua”, mobilizando “todas as forças sociais e políticas do país a ativar os planos de mobilização e repudiar este ataque imperialista. O povo da Venezuela e sua Força Armada Nacional Bolivariana, em perfeita fusão popular-militar-policial, encontram-se desdobrados para garantir a soberania e a paz”.

Trump informou que, às 13 horas (no horário de Brasília), concederá uma entrevista coletiva para detalhar a invasão à Venezuela. Não está claro de o presidente norte-americano pediu autorização do Congresso, conforme prevê a Constituição dos Estados Unidos. Segundo a rede CBS News, equipes da Delta Force – a tropa de elite do exército dos Estados Unidos – foram as responsáveis pela captura de Maduro.