“Construtor” e “revolucionário”: PCdoB Minas Gerais se despede de Renato Rabelo
Hoje os comunistas de Minas e do Brasil se despedem de Renato Rabelo. Líder histórico e essencial à luta política, dedicou sua vida à militância revolucionária e à construção do PCdoB. Sua trajetória é sinônimo de luta pela democracia e pelo socialismo.
“Renato Rabelo foi um dos principais construtores da trajetória do PCdoB ao longo de mais de meio século, ajudando a assegurar sua continuidade, unidade e capacidade de intervenção política. Com dedicação e disciplina militante, fortaleceu a organização partidária, formou quadros e ampliou as raízes junto às bases e aos movimentos sociais. Teve papel decisivo na consolidação do partido na vida institucional, sem abrir mão de suas bandeiras históricas e do projeto nacional de desenvolvimento”, afirmou o presidente do PCdoB Minas Gerais, Wadson Ribeiro.
Wadson conheceu Renato ao ingressar na UJS (União da Juventude Socialista). “Desde o primeiro encontro, eu percebi que estava diante de um grande quadro político para os dirigentes do partido, e que deixa para nós um legado de aprendizado, de luta na juventude. Foi um formulador e um teórico do nosso partido, um teórico revolucionário.”
“Sua partida deixa uma lacuna profunda na direção comunista e no campo democrático e popular, especialmente por sua contribuição à formulação de ideias e caminhos para o Brasil avançar, com firmeza ideológica, visão estratégica e compromisso permanente com soberania e justiça social.”
Natural da Bahia, Renato iniciou sua atuação política no final dos anos 1950, quando assumiu a secretaria geral do grêmio estudantil. Sua jornada teve origem na juventude católica, seguindo posteriormente para as fileiras da Ação Popular (AP). Em 1973, foi integrado à direção do Partido Comunista do Brasil, após a incorporação da AP ao Partido.
Entre dezembro de 2001 e maio de 2015, exerceu a presidência nacional do PCdoB, sucedendo a João Amazonas, período em que atuou na formulação programática, na organização e na atuação política da legenda. Atualmente, ocupava o cargo de presidente de honra da Fundação Maurício Grabois.
Para Richard Romano, presidente do PCdoB Belo Horizonte, Renato Rabelo foi um ideólogo do PCdoB, um homem construtor de partido, uma pessoa preocupada com os problemas do Brasil e com a luta pelo socialismo. Richard conheceu Renato no movimento de Juventude, quando atuava na UJS. “Uma das passagens mais importantes para mim foi nos desafios da estruturação partidária. A consigna ‘cuidar mais e melhor do partido’, as quatro atitudes do militante comunista (estudar, divulgar, organizar e contribuir), sinalizavam o sentido moderno da construção leninista. Ele liderou a formação de várias gerações de comunistas e deixa um grande legado de muita abnegação revolucionária.”
Algumas características de Renato são marcantes para os que militaram a seu lado. A primeira é sua capacidade de elaboração teórica, com formulações que buscaram responder às questões políticas de cada período histórico, sempre fundamentadas no marxismo-leninismo. A segunda é seu trabalho na formação de quadros políticos e a humanidade com que tratava os camaradas.
“Renato passava pra gente aquele sentimento de que sempre encontraríamos saídas para os desafios que surgiam na nossa luta. Era só estudar mais a teoria e escutar os outros”, contou Jô Moraes, ex-deputada federal e secretária de Formação do PCdoB Minas Gerais. “Para nós que convivemos com Renato Rabelo, nos diferentes momentos dessa virada do século, fica muito difícil imaginar um mundo sem ele. Tinha muita confiança na militância feminina do partido. Teve a ousadia de indicar, para sucedê-lo na direção, a camarada Luciana Santos, uma mulher e de uma geração bem mais nova. Quando conversava com a gente perguntava pelos filhos, se preocupava com a nossa saúde e sempre valorizava nossas escolhas partidárias. Lendo o livro sobre sua vida a gente sente o generoso, o formulador e o dedicado combatente que foi.”
A atuação política de Renato foi marcada pela disposição ao debate de ideias, pela capacidade de ouvir diferentes posições e pela firmeza na tomada de decisões nos momentos de confronto. Sua militância acompanhou as principais disputas políticas brasileiras das últimas cinco décadas, atravessando períodos de legalidade e clandestinidade do Partido, participando de batalhas decisivas para o movimento popular e para os trabalhadores brasileiros.
“‘Tem homens que são imprescindíveis’, já dizia o dramaturgo e poeta Brecht. Renato faz parte destes homens”, declarou José Carlos Areas, dirigente estadual do PCdoB Minas e filiado ao partido desde 1969. “Umas das suas grandes contribuições foi na construção do Programa do Partido, que fala de um socialismo com a cara do nosso povo brasileiro. Foi a grande luta nos últimos anos, para massificar um projeto nacional soberano, democrático, rumo a um país desenvolvido e com uma indústria revigorada. Este é um dos grandes legados do camarada e amigo Renato.”
A contribuição de Renato para o PCdoB e para o Brasil é incalculável. Ele seguirá sendo inspiração para as novas gerações de comunistas e para os que buscam um Brasil justo e socialista.
Renato Rabelo, presente!
(Edição: André Cintra)




