Centrais protestam contra os juros e anunciam 1º de Maio descentralizado
As centrais sindicais, com apoio de entidades estudantis, voltaram às ruas nesta terça-feira (17) para protestar contra a política monetária do Banco Central (BC). Em ato em frente à sede da instituição na Avenida Paulista, em São Paulo, os sindicalistas denunciaram os impactos da elevada taxa básica de juros, a Selic, que está em 15% ao ano desde junho de 2025.
Nesta quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC anuncia o novo índice. Embora haja expectativas de queda de 0,25 ponto percentual na taxa, os tecnocratas do Copom podem usar as turbulências internacionais como pretexto para a manutenção dos 15%. A última edição do boletim Focus, divulgado na segunda (16) pelo próprio BC, com base na opinião de agentes do mercando financeiro, projetou uma redução da Selic para 14,75% ao ano.
A manifestação na Avenida Paulista reuniu dirigentes da CTB, CUT, Força Sindical, UGT, NCST, Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, CSB e Pública. Na opinião dos sindicalistas, o povo está pagando a conta do conservadorismo do Banco Central.
“Juros altos penalizam trabalhadores e ampliam desigualdades. Quando o crédito encarece, o consumo cai e os mais pobres sentem primeiro”, afirmou Rene Vicente, vice-presidente nacional da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil).
Para Geraldino Santos Silva, secretário de Relações Sindicais da Força, é preciso “pressionar por mudanças na política econômica e garantir crescimento com distribuição de renda. Com mais investimento e consumo, a economia cresce e os trabalhadores conquistam oportunidades”.
“É um absurdo manter essa taxa”, disse Luiz Gonçalves, o Luizinho, é presidente estadual da Nova Central Sindical de Trabalhadores de São Paulo (NCST-SP). “Sem financiamento acessível, empresas deixam de produzir, investir e gerar empregos.”
1º de Maio
Na véspera do ato, as entidades participaram da reunião do Fórum das Centrais Sindicais, também em São Paulo. A atividade tirou deliberações sobre a Marcha da Classe Trabalhadora, em 15 de abril, e o Dia do Trabalhador, em 1º de maio.
Na marcha – que levará a Agenda da Classe Trabalhadora aos presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)., da Câmara Federal, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) –, haverá cinco pautas prioritárias:
- A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, com o fim da escala 6×1;
- A regulamentação do trabalho por aplicativos;
- O fortalecimento da negociação coletiva no serviço público;
- A luta contra o feminicídio;
- O combate à pejotização.
Com relação ao 1º de Maio, o sindicalismo promoverá atividades descentralizadas, com identidade nacional unificada. Em vez de grandes manifestações puxadas pelas centrais nos estados, a diretiva é estimular as entidades de base – sindicatos, federações e confederações – a promoverem atos junto às próprias bases.
Com informações da Rádio Peão Brasil e do Portal CTB




