Foto: PCdoB/BH

A política encontrou a arte, a juventude e a diversidade na noite da última terça-feira (3) em Belo Horizonte. A sede do Comitê Municipal do PCdoB recebeu o lançamento oficial do Coletivo LGBTQIA+ do partido, reunindo mais de 20 pessoas entre estudantes, militantes, trabalhadores da cultura e simpatizantes.

O encontro, concebido como um espaço de escuta, acolhimento e afirmação de direitos, simbolizou um passo importante do PCdoB na ampliação do diálogo com a diversidade sexual e de gênero e no fortalecimento da luta por direitos na capital mineira.

Vozes da diversidade e da juventude organizada


À frente do novo coletivo está Samuel Lúcio, estudante secundarista de 17 anos, que destacou o caráter social e afetivo da iniciativa. “Esse coletivo, que hoje sai do sonho e se torna realidade, será um espaço que amplia a voz das pessoas LGBT e de suas famílias”, afirmou, ressaltando a relevância da participação política da juventude da diversidade sexual e de gênero.

Samuel agradeceu ao partido pela confiança e reforçou que o coletivo nasce como um espaço de acolhimento, organização e luta, capaz de articular demandas históricas da comunidade com o projeto político partidário.

Arte como resistência e linguagem política

O encontro foi atravessado pela força da cultura. Cantores, poetas, artistas independentes e militantes do teatro deram o tom do evento, reafirmando a arte como linguagem de resistência e afirmação identitária. A cantora Thalita Senha e o cantor Pabllo apresentaram trabalhos autorais, enquanto representantes de grupos culturais, como o coletivo de Festa Junina com quadrilha profissional, evidenciaram a diversidade de expressões presentes no espaço.

A presença marcante de militantes da cultura reforçou a compreensão de que a luta por direitos LGBTQIA+ passa também pela valorização da arte, da criatividade e da liberdade de expressão.

Ex-deputada federal e referência histórica do partido, Jô Moraes destacou o caráter simbólico e político do lançamento. “Hoje é um dia muito especial, de muita alegria para a gente”, afirmou. Para ela, organizar a diversidade é também reconhecer a potência transformadora da rebeldia, da contestação e da energia criativa presente naquele espaço.
Ao observar a forte presença de artistas, Jô Moraes fez uma reflexão sobre o papel da arte na superação das dores e violências vividas pela população LGBTQIA+: “É como se a lupa transformadora, o enfrentamento à dor, pudesse ser diminuído e enfrentado por meio da construção da arte.”

O presidente municipal do PCdoB de Belo Horizonte, Richard Romano, saudou o lançamento do coletivo e observou que a iniciativa “reafirma o compromisso do partido com a construção de uma cidade mais justa, plural e democrática, em um momento político importante para a luta política do Brasil, em que precisamos reeleger o presidente Lula, fortalecer o processo de reconstrução nacional e o projeto político eleitoral do PCdoB em 2026”.

Romano também fez questão de reconhecer publicamente o papel da juventude na construção do coletivo. “Quero parabenizar Samuel Lúcio, que mobilizou a todos e todas e assumirá a condução desse importante instrumento de luta em defesa dos direitos e dos espaços da comunidade LGBTQIA+.”

Pautas, propostas e caminhos de luta

O debate coletivo foi marcado por propostas concretas e pela diversidade de experiências trazidas por estudantes, ativistas, artistas e militantes. Entre os principais eixos discutidos, destacam-se:

Acesso à justiça e à saúde
Foram apresentadas propostas para a criação de auxílio jurídico voltado ao acesso a direitos relacionados às cirurgias de transição, além da defesa de melhorias estruturais na saúde pública para a população LGBTQIA+, com atenção especial às pessoas trans e aos idosos. Também foi ressaltada a importância de ampliar o acesso a hormônios, cirurgias, atendimento especializado nas Unidades Básicas de Saúde e a fiscalização de emendas parlamentares destinadas à saúde trans e LGBT.

Educação, cultura e trabalho
O debate trouxe à tona a evasão escolar de pessoas trans e a urgência de políticas públicas que garantam permanência na escola, formação profissional e acesso ao mercado de trabalho. Foi destacada a necessidade de capacitação de pessoas LGBTQIA+, especialmente nas áreas artísticas e culturais, articulando essas iniciativas com editais, projetos e oportunidades de geração de renda. A reflexão sobre “qual educação queremos” perpassou o encontro, com a defesa de uma educação comprometida com a liberdade, o respeito e a diversidade.

Articulação territorial e conscientização
Ressaltou-se a importância de o PCdoB estar presente em todas as regionais da cidade, ampliando o diálogo com a população LGBTQIA+ e fortalecendo a conscientização política. Entre as propostas, destacaram-se a articulação com o movimento estudantil, o diálogo com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para fortalecer o retorno do ambulatório universitário e a troca de experiências com ativistas do Aglomerado da Serra, maior favela de Belo Horizonte, que já implementaram um ambulatório voltado à população trans. Também foi sugerida a criação de um formulário online para mapear habilidades e formas de contribuição dos integrantes do coletivo.