O terceiro ano de negociações coletivas sob o governo Lula foi marcado por avanços salariais importantes para os trabalhadores brasileiros. É o que apontam dados divulgados nesta quinta-feira (22) pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

De acordo com a entidade, houve reajuste real (acima da inflação) em 77,7% das negociações fechadas em 2025. Em 14,1% das campanhas salariais, os aumentos foram iguais à inflação, enquanto apenas 8,2% tiveram ajustes inferiores à alta geral de preços.

Nas negociações, o indicador oficial da inflação é o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os registros de negociações são feitos no sistema Mediador, do Ministério do Trabalho e Emprego

Dos 21.510 reajustes analisados pelo Dieese, somente 54 foram concluídos em dezembro. Mesmo assim, o último mês de 2025 contabilizou 81,5% aumentos reais e 18,5% iguais à inflação. Nenhuma categoria teve perda (arrocho) salarial em dezembro.

“Nos últimos 12 meses, entre as principais categorias que devem agora entrar em negociação, destacam-se os serviços de turismo e hospitalidade e na indústria da construção e mobiliário, com ganhos reais em torno de 90% dos casos. O menor percentual de reajustes acima da inflação foi o das comunicações; e os maiores abaixo do INPC ocorreram na saúde privada e no setor rural”, indica o Dieese.

Desde que Lula voltou à Presidência da República, este é o terceiro ano seguido em que o aumento real foi a regra para a imensa maioria das negociações. Em 2024, por exemplo, 84% dos reajustes ficaram acima da inflação.

A tendência é impulsionada pela retomada da valorização do salário mínimo e pela estabilização da economia brasileira, bem como pelo fortalecimento do movimento sindical. Além disso, pisos salariais de diversas categorias avançaram acima da inflação nos últimos anos, impactando positivamente o conjunto do mundo do trabalho.