Presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Kenny Holston-Pool/Getty Images

As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre “levar os iranianos de volta à Idade da Pedra” provocaram forte reação política e acenderam o alerta sobre a escalada de uma retórica que associa guerra, desumanização e racismo. Para a Secretaria Nacional de Combate ao Racismo do PCdoB, a fala ultrapassa o campo da provocação e se insere em uma tradição histórica de violência imperialista contra povos considerados “inferiores”.

Em nota, a secretaria afirma que esse tipo de discurso legitima agressões militares, naturaliza crimes de guerra e ameaça a soberania dos povos. O documento também cobra uma atuação firme do Brasil em organismos multilaterais, em defesa do Direito Internacional, da proteção das populações civis e da paz. Confira a íntegra abaixo.

Nota de repúdio a declaração racista e beligerante de Donald Trump sobre a guerra contra o Irã.

A Secretaria de Combate ao Racismo do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) manifesta repúdio às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, em pronunciamento oficial em rede nacional nos EUA, no dia 1 de abril, afirmou que as forças armadas estadunidenses iriam “levá-los (os iranianos) de volta à Idade da Pedra, lugar onde pertencem”. Trump com isso ameaça empreender o desmantelamento da proteção civil do povo iraniano, objetivamente, elevar a gravidade dos crimes hediondos de guerra, destruindo pontes, hospitais, escolas, universidades, centro de pesquisas médicas, usinas e redes de eletricidades, infraestrutura petrolífera, água, com isso, matar crianças, mulheres, doentes, idosos, ou seja, tornar a vida inviável no Irã.

Tal formulação não constitui mero excesso retórico ou ameaça vazia. Ao atribuir a povos contemporâneos um lugar simbólico de atraso civilizacional e advertir que brutalizará esse povo, a fala expressa a simbiose perfeita entre o imperialismo e o racismo, mais especialmente em sua face de aguda beligerância. Também mobiliza uma tradição histórica de desumanização que esteve na base de projetos imperiais, coloniais, de intervenções militares ao longo dos séculos, onde o racismo atua como um componente estimulador de agressões.

A literatura histórica e política demonstra discursos que enquadram determinados povos como inferiores ou “atrasados” frequentemente precedem e legitimam práticas de destruição material em larga escala. No caso recente, a declaração foi proferida no contexto de operações militares em curso, o que agrava seu significado político e jurídico, pois consideram povos “inferiores” dignos de domínio e morte.

A ameaça explícita de “reduzir” uma nação a condições primitivas implica, ainda que retoricamente, a aceitação de ataques massivos à infraestrutura civil, prática que subverte o Direito Internacional.

Diante disso, o PCdoB reafirma sua solidariedade aos povos atingidos por conflitos armados, consumados pelo imperialismo estadunidense – atualmente Estado do terror – e denuncia a normalização de uma linguagem que banaliza a destruição de sociedades inteiras como instrumento de política externa.

Defendemos que o Brasil fortaleça sua diplomacia na ONU e outras instituições multilaterais de forma firme, em defesa: do respeito ao Direito Internacional; da solução pacífica de controvérsias; da proteção de populações civis em zonas de conflito; da responsabilização por violações ilegais.

A história demonstra que não há estabilidade duradoura fundada na violência e na hierarquização entre povos. Ameaças e discurso do tipo proferido por Trump representa um risco concreto à estabilidade internacional e à paz.

Reiteramos o compromisso com a autodeterminação dos povos, com a paz e com a construção de uma ordem internacional fundada na igualdade soberana entre nações.

Secretaria Nacional de Combate ao Racismo do PCdoB