Flávio Bolsonaro defende manutenção da escala 6×1 e mais precarização
Em meio ao colapso acelerado de sua candidatura à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) resolveu entrar no debate sobre a jornada de trabalho. Avesso à proposta de 40 horas semanais e ao fim da escala 6×1, o senador defendeu uma nova rodada de precarização, transferindo ainda mais riscos e insegurança aos trabalhadores.
Enquanto o governo Lula e a Câmara Federal discutem qualidade de vida, saúde mental, produtividade e dignidade no trabalho, Flávio escolheu falar a linguagem do empresariado que defende mão de obra mais barata, flexível e descartável. Em nota divulgada nesta terça-feira (19), ele propõe a formalização da instabilidade.
Sua ideia de um regime alternativo à CLT, baseado em pagamento por hora trabalhada, aprofunda a lógica do trabalho intermitente criado na reforma trabalhista de 2017. É a institucionalização do bico permanente, com o trabalhador disputando migalhas de direitos.
Flávio repete a propaganda da reforma trabalhista: prometer empregos e prosperidade, mas entregar baixos salários e instabilidade. O senador afirmou que o trabalhador receberia “pelas horas de trabalho, com a garantia de todos os direitos trabalhistas, como décimo terceiro, Fundo de Garantia, férias. Obviamente, proporcionais às horas de trabalho”.
A frase esconde a essência do projeto: fragmentar renda, reduzir direitos e institucionalizar jornadas imprevisíveis. Na prática, significa transformar salário estável em remuneração variável e transferir ao trabalhador toda a insegurança econômica.
Flávio ainda tenta vender precarização como liberdade individual. “Se quiserem, vão trabalhar mais. E, se não puderem trabalhar tanto, se precisarem de mais flexibilidade, isso também estará atendido por esta legislação”, declarou. É a velha prática de embalar precarização em retórica de modernidade.
O discurso ignora a realidade brasileira. Onde Flávio insinua vontade, existe necessidade. Quem trabalha 10, 12 ou 14 horas por dia geralmente não o faz porque “quer”, mas porque precisa sobreviver. Num país marcado por endividamento e baixos salários, falar em “liberdade de escolha” serve apenas para mascarar relações profundamente desiguais.
A ideia de que “a jornada do trabalhador tem que ser a que ele quiser” soa como ficção. Em qual setor o empregado define sozinho sua escala, seus horários ou sua carga de trabalho? O que Flávio chama de flexibilidade amplia, na verdade, o poder patronal sobre jornadas fragmentadas, convocações imprevisíveis e renda instável.
Ao chamar a proposta de redução da jornada de “inoportuna e eleitoreira”, o senador deixa claro o lado que escolheu. Para ele, debater qualidade de vida é oportunismo; transformar direitos em pagamento proporcional é virtude. Inoportuno, na verdade, é para empresários que lucram com a exaustão.
Com essa declaração, Flávio Bolsonaro sinaliza que o PL votará contra uma demanda popular concreta, apoiada por mais de 70% dos brasileiros. Enquanto isso, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reafirma que o fim da escala 6×1 vai passar. A pressão social cresce, o movimento sindical se mobiliza e o tema ganhou centralidade no debate público.
Chega de espera! A manobra de Flávio Bolsonaro não freará a mudança – mas ajuda a deixar ainda mais evidente quem está ao lado dos trabalhadores e quem continua defendendo jornadas exaustivas em nome dos interesses patronais.


