Presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, reúne com deputados do Partido eleitos para a legislatura 2015-2019 (Foto: Arquivo/Liderança da Câmara)

Os deputados da bancada do PCdoB na Câmara dos Deputados prestaram homenagem ao ex-presidente do partido Renato Rabelo, que morreu neste domingo (15), aos 83 anos, de uma parada cardíaca após lutar contra um câncer.

A líder da bancada, deputada Jandira Feghali (RJ), diz que o Brasil perde um dos seus grandes construtores da história.

“Renato dedicou a vida inteira à luta pela democracia, pela soberania nacional, por direitos e pelo socialismo. O Brasil ficou mais pobre de ideias e de luta”, diz Jandira.

A líder lembra que teve o privilégio de conviver ao lado do dirigente por muitos anos, aprendendo com sua firmeza de princípios, sua serenidade e sua profunda confiança no povo brasileiro.

“Renato ajudou a formar gerações de militantes e foi peça fundamental na construção coletiva que seguimos levando adiante”, ressalta.

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A deputada Alice Portugal (BA) diz que o Partido perde neste domingo um dos grandes dirigentes da história política do Brasil.

“José Renato Rabelo teve sua biografia escrita na luta em defesa da democracia e do socialismo. Ainda jovem, como estudante de Medicina da Universidade Federal da Bahia, enfrentou os prepostos da ditadura militar. Perseguido, foi obrigado ao exílio para preservar a própria vida”, lembra.

Alice diz que, na condição de mulher, jamais esquecerá do dirigente feminista e revolucionário que as impulsionava a ocupar espaços de decisão e a enfrentar as batalhas com coragem. “Sua partida deixa uma lacuna imensa. Perdemos um herói do povo brasileiro”, lamenta.

A deputada Daiana Santos (RS) diz que Rabelo era um dos mais importantes dirigentes da história do PCdoB. “Sua trajetória foi marcada pela defesa da organização popular e pela dedicação incansável na luta contra a ditadura militar no Brasil”, destaca.

“Seus ensinamentos seguirão orientando e fortalecendo as novas gerações, na construção de um projeto de país soberano, democrático e comprometido com a defesa dos direitos do povo brasileiro. Um fraterno abraço aos familiares, amigos, camaradas e companheiros de caminhada de Renato”, disse a parlamentar.

“Os tambores do Carnaval hoje soam diferente. Entre o brilho e a festa, também reverenciam a travessia de um grande brasileiro”, diz deputado Daniel Almeida (BA), para quem Rabelo foi um dos mais importantes dirigentes da história do Partido, que presidiu de 2001 a 2015.

“Vice-presidente da União Nacional dos Estudantes nos anos duros da ditadura, enfrentou a repressão com coragem e dedicou sua vida à luta democrática, patriótica e popular. Mesmo nos últimos anos, já enfrentando com bravura a batalha contra um câncer, seguiu contribuindo com o Partido e com o Brasil”, observa.

“Renato deixa um legado de coerência, firmeza ideológica e compromisso com a classe trabalhadora e com a soberania nacional. Sua trajetória seguirá inspirando gerações”, completa.

Para o deputado Márcio Jerry (MA), o Brasil perde neste domingo um dos mais brilhantes quadros políticos. “Camarada Renato Rabelo deixa um legado imenso construído na militância revolucionária. Uma honra ter podido com ele conviver. Tristeza neste momento da partida e reverência máxima a esse grande comunista brasileiro. Viva Renato Rabelo, presente agora e sempre!”, diz.

Emoção

O deputado Orlando Silva (SP) também falou sobre Rabelo muito emocionado. “Obrigado, Renato! Escrevo essas palavras com as lágrimas que me acompanham cada vez que falo com um camarada sobre Renato, desde que soube do quadro delicado de sua saúde. A pior parte foi quando falei ao telefone com Conchita, sua companheira de vida inteira, e ela sugeriu que fosse me despedir dele o quanto antes. Fiquei muito assustado e com a sensação de perda de referência”, lembra.

Depois de relatar algumas lembranças vividas ao lado do dirigente, Orlando disse que Renato foi o seu maior mestre e ideólogo na política. “Meu, não! De algumas gerações”, corrige.

“Vivi a seu lado os momentos mais importantes de minha vida política. Os felizes e os mais duros também. O ‘Bigode’ era meio sério, mas tinha lá seu humor. Fazia graça e ria antes mesmo de concluir a piada. Ria da mesma piada. Quando me encontrava perguntava dos meus filhos, sobre quantos eram e, atualizado, repetia: ‘Você quer povoar o mundo’. E ria”, relata.

No hospital, Orlando lembrou que arrancou do dirigente um breve sorriso ao falar da sua importância. “Falava alto para despertá-lo, enquanto dizia a importância que ele tem para tantos e que tantos o amam – e ele balbuciava: ‘Obrigado!’”, conta.

“Quando disse que nós é que agradecíamos, o fiz seguro de que era um coro de camaradas que, nesse instante, em lugares bem diferentes, relembram seus momentos com ele e falam em seus pensamentos: obrigado, Renato!”, completa.