Foto: arquivo/HP

Familiares, amigos e lideranças políticas e sociais participaram de cerimônia de despedida de Márcio Cabreira, dirigente nacional do PCdoB. O velório foi realizado na tarde desta quarta-feira (11), em Porto Alegre. Em comum aos presentes, as lembranças carinhosas dos que com ele conviveram, militaram e aprenderam a lutar pela construção de um país justo e igualitário. 

Marido de Ana Maria e pai de Eduarda e Vitória, Cabreira era natural de Pelotas (RS) e tinha 54 anos. Após cerca de três meses de internação, ele faleceu nesta terça-feira (10), por complicações de problemas conjugados de saúde.

Além dos familiares e amigos pessoais, estiveram presentes companheiros e nomes da política e dos movimentos sociais, como o vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza (MDB); a presidente em exercício do PCdoB, Nádia Campeão, e o vice-presidente Carlos Lopes; Ricardo Abreu “Alemão”, membro do Comitê Central do Partido, assim como Edson Puchalski, presidente estadual do PCdoB, e Abigail Pereira, secretária de Organização do PCdoB-RS. 

Também compareceram os deputados federais Orlando Silva (PCdoB-SP) e Daiana Santos (PCdoB-RS) ; a deputada estadual Bruna Rodrigues (PCdoB-RS); os vereadores de Porto Alegre Giovani Culau (PCdoB), Roberto Robaina (PSol) e Pedro Ruas (Psol), além da ex-deputada e ex-vereadora Jussara Cony (PCdoB). Nomes do movimento sindical também estiveram presentes, como Rodrigo Calais, presidente da CTB-RS; Guiomar Vidor, presidente da Fecosul; Eremi Melo, dirigente da CTB e da Fitmetal, além de lideranças estudantis da UJS e JPL, entre outros. 

Após o velório, foi realizada a cerimônia de despedida, ambos no Memorial Angelus. Em nome da família, Vitória, de 25 anos, com a voz embargada, disse que aquele seria o primeiro discurso seu que não teria a opinião prévia de Cabreira. Além de recordar o amor de seu pai pela família e pela netinha recém-chegada, Iolanda, lembrou a rica trajetória de lutas de Cabreira, desde o movimento estudantil, passando pelo MR8, o PPL e o PCdoB. 

Pelas redes sociais, Vitória afirmou, em mensagem dirigida a  Cabreira: “Tenho a absoluta certeza de que a imagem que terei sempre de ti não é a do hospital, mas é a de ti falando nos eventos, me ensinando sobre política, me dando esporro pelos erros e me parabenizando pelos acertos”. E concluiu: “Pai, obrigada. Tenho certeza de que por onde eu for, lembrarei de ti. Que sorte a minha foi ter vivido 25 anos da minha vida com a tua presença física. Eu te amo muito”.

Carinho e reconhecimento

Foto: Priscila Lobregatte

Desde que o falecimento de Cabreira foi comunicado oficialmente, mensagens de reconhecimento à sua trajetória como militante e dirigente, como amigo e camarada, foram tomando as redes sociais. 

Além de notas do PCdoB nacional, do Rio Grande do Sul e de São Paulo, entre outras mensagens partidárias e de dirigentes, Cabreira foi lembrado em diversas outras manifestações. 

Luciana Santos, presidenta licenciada do PCdoB e ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, disse que com a partida de Cabreira, “perdemos não só um amigo, o secretário de Relações Institucionais e Políticas Públicas do PCdoB, mas um homem com perspectiva de futuro, um grande brasileiro. Seu legado seguirá como um farol para todos nós que fazemos política com amor ao Brasil e seu povo, que lutamos para construir um amanhã mais justo”.

Nádia Campeão, presidenta em exercício, apontou: “Márcio Cabreira era um combatente das mais elevadas causas do povo brasileiro, totalmente comprometido com a luta patriótica, a defesa da democracia, da soberania nacional e do socialismo”.

Vice-presidente do PCdoB, Carlos Lopes, também oriundo do PPL, tinha em Cabreira um camarada de longa data. Emocionado com a perda, declarou que ele “ficará no coração de mais de uma geração de comunistas brasileiros. Era um homem prático, totalmente avesso àquele desejo repugnante que alguns têm de aparecer, pessoa muito modesta — e que fez da luta a própria vida”. Aliás, enfatizou, “a vida para ele era luta”.

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Líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, Jandira Feghali (RJ) declarou: “Sua dedicação ao PCdoB, ao povo brasileiro e à construção de um projeto de futuro mais justo deixa um legado que continuará inspirando gerações”. 

Deputada do estado natal de Cabreira, Daiana Santos lembrou sua história ainda no MR8 e afirmou: “Neste momento de dor, nos solidarizamos com os familiares, amigos, camaradas e companheiros de caminhada, reafirmando que o legado de Márcio Cabreira seguirá vivo na luta do povo brasileiro”. 

O deputado Orlando Silva (SP) fez um carinhoso relato sobre quando se conheceram, durante o movimento caras-pintadas, em 1992 — ele era tesoureiro da UNE e Cabreira, da Ubes. “Ao longo dos anos, tivemos muitas tarefas em comum, eu na UJS, ele na JR8, o que nos aproximou ainda mais, mesmo antes da fusão do PPL com o PCdoB. É preciso reconhecer: Márcio teve um papel central nesse processo, foi um dos grandes arquitetos dessa construção política. Para mim, era mais do que um dirigente: era um conselheiro permanente”, enfatizou. 

Líder do PCdoB na Câmara de Porto Alegre, o vereador Erick Dênil destacou: “É um momento triste. Sem dúvidas o Márcio formou gerações, sua passagem foi marcada por lutas”. Companheiro de bancada, Giovani Culau recordou: “Antes de sua partida precoce, eu e Márcio vínhamos debatendo cada vez mais o futuro do país, da esquerda e do PCdoB, em conversas marcadas pela lucidez, pela franqueza e pela preocupação profunda com os rumos do Brasil”.

Um dirigente excepcional

Por sua história política ter se iniciado no movimento estudantil, entidades como a Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), Umes (União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo), União da Juventude Socialista (UJS) e Juventude Pátria Livre (JPL) destacaram as lutas que Cabreira travou desde jovem, ainda em Pelotas. 

“A história do movimento estudantil é feita por quem não abandona a luta apenas amplia seus espaços de atuação. Seguirá presente em nossos corações e trincheiras de luta”, dizia mensagem da Ubes. Já a JPL, herdeira da JR8, onde Cabreira se iniciou na política estudantil, salientou: “sua formação, dedicação e senso de realidade o tornaram um dirigente excepcional, com imensa capacidade de articulação”. 

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil do RS (CTB-RS) destacou que “Cabreira teve papel relevante na organização das forças populares e no diálogo entre diferentes campos da esquerda brasileira, contribuindo de forma decisiva em momentos importantes da história recente do país. Sua trajetória foi marcada pela firmeza de convicções, disciplina militante e compromisso permanente com os direitos do povo e a defesa da soberania nacional”. 

Já a Federação das Mulheres Paulistas recordou sua luta “por um país justo e soberano”.

A Fundação Maurício Grabois sublinhou que o legado de Cabreira, “foi construído com lucidez, generosidade e compromisso coletivo, que seguirá vivo na nossa memória”. 

O jornal Hora do Povo, numa bela reportagem em que recorda a história do dirigente, enfatizou: “Escrever sobre Márcio Cabreira é falar de um revolucionário no sentido mais profundo da palavra. Um dirigente com grandes qualidades e muito querido por seus camaradas. Sua vida girava em torno da revolução. Mas, como destacou a presidente licenciada do PCdoB, Luciana Santos, sem perder jamais a leveza e o bom humor”.