Frente sindical do PCdoB inicia planejamento e define prioridades para 2026
A Secretaria Sindical Nacional do PCdoB realizou, nesta terça-feira (24), reunião virtual com secretários estaduais e membros de comissões ligadas à frente sindical. Em pauta, a apresentação dos novos dirigentes, a atualização de conjuntura, o calendário de lutas, as eleições de outubro e a organização sindical dos comunistas. A reunião iniciou planejamento e definiu as prioridades da frente para 2026.
O início do encontro foi marcado por homenagens ao ex-presidente do PCdoB, Renato Rabelo, e ao dirigente nacional Márcio Cabreira, falecidos neste mês de fevereiro.
Ao final da reunião, o secretário Sindical do PCdoB, Nivaldo Santana, afirmou que, com base nas intervenções, será feita uma proposta de planejamento do trabalho dessa frente, a ser encaminhada para os dirigentes estaduais.
Conjuntura internacional
A primeira parte da reunião foi dedicada à análise de conjuntura, conduzida pela presidenta do PCdoB em exercício, Nádia Campeão. A dirigente abordou a complexidade do cenário internacional, marcado por relativo descenso do império estadunidense e pelo surgimento de uma nova realidade multipolar, com a consequente reação agressiva a esse movimento por parte dos EUA, encabeçada pelo presidente ultradireitista Donald Trump.
Nádia salientou que decorre desse quadro o chamado às guerras, a adesão ao neofascismo e ao protecionismo chauvinista por parte dos EUA. Como exemplos da nova doutrina levada a cabo pelo imperialismo, ela citou o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, o genocídio em Gaza (viabilizado por Israel com o apoio dos EUA), o assédio à Groenlândia, o cerco ao Irã e as novas sanções a Cuba.
Além disso, Nádia destacou outros eixos de atuação do governo Trump, entre os quais a busca pelo domínio de fontes estratégicas de energia (com destaque para o petróleo) e das terras raras, bem como pela ampliação de sua zona de influência sobre a América do Sul. “É uma situação muito perigosa e ameaçadora, em especial ao Brasil, pelo papel que desempenha na região”, pontuou. Neste sentido, citou o incômodo que vem causando a Trump a defesa e a atuação do presidente Lula em favor do multilateralismo.
Considerando esse quadro, Nádia reforçou que os comunistas devem ter como principais bandeiras internacionalistas a defesa da soberania (brasileira e dos demais países), a luta anti-imperialista, a denúncia da situação de Cuba, além da solidariedade aos cubanos e aos demais povos atacados pelos EUA.
Contexto nacional
No contexto nacional, Nádia salientou a importância das eleições gerais deste ano — tanto para barrar e isolar a extrema direita quanto para fazer frente a esse cenário internacional e garantir que o Brasil siga, com Lula e as forças populares e de esquerda, na rota do desenvolvimento com distribuição de renda. Ela também chamou atenção para a importância de eleger bancadas comunistas, especialmente no Congresso Nacional.
“Nosso governo está bem posicionado, vem recuperando o país no pós-Bolsonaro, as condições econômicas estão melhores, programas sociais foram criados ou restabelecidos e são bem avaliados pela população. Também tivemos conquistas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a política contínua de valorização do salário mínimo, com reajuste acima da inflação, o vale-gás, entre outras medidas que beneficiam diretamente o povo”, lembrou.
Nádia enumerou também medidas relevantes, como aumento do Imposto de Renda dos ricos; a regulamentação e o aumento na taxação das bets; o enfrentamento à PEC da Blindagem; o veto ao PL da Dosimetria; o enfrentamento ao tarifaço imposto por Trump e as condenações ao genocídio em Gaza e aos ataques à Venezuela.
Segundo a dirigente, é importante reforçar essas conquistas junto à população e também mostrar que a primeira coisa que a direita fará se voltar ao poder é acabar com tudo isso, colocar o país em posição subserviente em relação aos EUA e destruir o que não conseguiu durante o mandato de Bolsonaro. “Esse tipo de programa, nós já conhecemos bem. Temos de valorizar as conquistas desse governo e travar essa luta política junto à opinião pública”, completou.
A presidenta em exercício ainda ponderou que o dever dos comunistas nesse próximo período é “defender o nosso campo política, as conquistas do governo, apontar perspetivas e alargar as forças políticas que apoiam o nosso projeto, para a formação de uma frente com capacidade de travar o debate com a população e vencer as eleições”.
Dentre as principais tarefas do PCdoB nesse cenário, Nádia elencou a luta social — principalmente em torno de pautas como o fim da escala 6×1, pela tarifa zero (que pode ser apresentada em breve pelo governo), contra o feminicídio e contra a manutenção dos altos juros —, além do empenho na eleição da bancada comunista.
Agenda sindical
O presidente da CTB, Adilson Araújo, falou sobre alguns dos principais pontos da agenda da frente sindical em 2026. Ele reforçou o papel central da batalha eleitoral deste ano e chamou atenção para iniciativas como a Conferência Nacional do Trabalho, o 1º de Maio unitário e as eleições.
Após as intervenções dos participantes, o secretário sindical do PCdoB, Nivaldo Santana, sublinhou a importância de os comitês estaduais tomarem medidas para fortalecer o trabalho sindical do partido em linha com a diretiva de revigoramento partidário, aprovada durante o 16º Congresso do PCdoB, cuja ênfase está nos trabalhadores e na juventude.
Confira a agenda prioritária da frente sindical do PCdoB:
- 3 a 5 de março: Conferência Nacional do Trabalho, em São Paulo
- 8 de março: Dia Internacional das Mulheres
- 15 de abril: Nova Conferência Nacional da Classe Trabalhadora e Marcha das Centrais Sindicais em Brasília
- 1º de maio: Ato Unitário do Dia Internacional dos Trabalhadores
- Segundo semestre: campanha eleitoral de 2026, com foco na reeleição de Lula e na ampliação da bancada do PCdoB
(Edição: André Cintra)




