A Secretaria Sindical Nacional do PCdoB realizou, nesta terça-feira (24), reunião virtual com secretários, comissões e frações sindicais estaduais. Esta é a primeira do ano e após o 16º Congresso envolvendo essa frente de atuação. Em pauta, a apresentação dos novos dirigentes, atualização de conjuntura, calendário de lutas, eleições de outubro e a organização sindical dos comunistas.

O início do encontro foi marcado por homenagens ao histórico presidente do PCdoB, Renato Rabelo, e ao dirigente nacional Márcio Cabreira, falecidos neste mês de fevereiro.

Ao final da reunião, o secretário sindical do PCdoB, Nivaldo Santana, afirmou que, com base nas intervenções, será feita uma proposta de planejamento do trabalho dessa frente, a ser encaminhada para os dirigentes estaduais.

Conjuntura internacional

A primeira parte da reunião foi dedicada à análise de conjuntura, conduzida pela presidenta do PCdoB em exercício, Nádia Campeão. A dirigente iniciou abordando a complexidade do atual cenário internacional, marcado por relativo descenso do império estadunidense e pelo surgimento de uma nova realidade multipolar e a consequente reação agressiva a esse movimento por parte dos EUA, encabeçada pelo presidente ultradireitista Donald Trump.

Ela salientou que decorre desse quadro o chamado às guerras, a adesão ao neofascismo e ao protecionismo chauvinista por parte dos EUA. Como exemplos da nova doutrina levada a cabo pelo imperialismo, citou o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, as intervenções na Síria, o genocídio em Gaza (viabilizado por Israel com o apoio dos EUA), o assédio à Groenlândia, o cerco ao Irã e as novas sanções a Cuba.

Além disso, Nádia destacou outros eixos de atuação do governo Trump, entre os quais a busca pela não regulação de suas empresas, sobretudo as big techs; pelo domínio de fontes estratégicas de energia (com destaque para o petróleo) e das terras raras e pela ampliação de sua zona de influência para a América do Sul.

“Essa é uma situação muito perigosa e ameaçadora, em especial ao Brasil, pelo papel que desempenha na região”, pontuou. Neste sentido, citou o incômodo que vem causando a Trump a defesa e a atuação de Lula em favor do multilateralismo.

Considerando esse quadro, Nádia reforçou que os comunistas devem ter como principais bandeiras a defesa da soberania (brasileira e dos demais países), a luta anti-imperialista, a denúncia da situação de Cuba e a solidariedade ao país e demais povos atacados pelos EUA.

Contexto nacional

No que diz respeito ao contexto nacional, Nádia salientou a importância das eleições deste ano — tanto para barrar e isolar a extrema direita quanto para fazer frente a esse cenário internacional e garantir que o Brasil siga, com Lula e as forças populares e de esquerda, na rota do desenvolvimento com distribuição de renda. Ela também chamou atenção para a importância de eleger bancadas comunistas, especialmente no Congresso Nacional.

“Nosso governo está bem posicionado, vem recuperando o país no pós-Bolsonaro, as condições econômicas estão melhores, programas sociais foram criados ou restabelecidos e são bem avaliados pela população. Também tivemos conquistas como a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, a política contínua de valorização do salário mínimo, com reajuste acima da inflação, o vale-gás, entre outras medidas que beneficiam diretamente o povo”, lembrou.

Nádia citou também medidas relevantes como, por exemplo, o aumento do Imposto de Renda dos ricos; a regulamentação e o aumento na taxação das bets; o enfrentamento à PEC da Blindagem; o veto ao PL da Dosimetria; o enfrentamento ao tarifaço imposto por Trump e as condenações ao genocídio em Gaza e aos ataques à Venezuela.

A dirigente salientou, ainda, a importância de reforçar essas conquistas junto à população e também mostrar que a primeira coisa que a direita fará se voltar ao poder é acabar com tudo isso, colocar o país em posição subserviente em relação aos EUA e destruir o que não conseguiu durante o mandato de Bolsonaro. “Esse tipo de programa, nós já conhecemos bem. Temos de valorizar as conquistas desse governo e travar essa luta política junto à opinião pública”, completou.

A presidenta em exercício ainda ponderou que o dever dos comunistas nesse próximo período é “defender o nosso campo política, as conquistas do governo, apontar perspetivas e alargar as forças políticas que apoiam o nosso projeto, para a formação de uma frente com capacidade de travar o debate com a população e vencer as eleições”.

Dentre as principais tarefas do PCdoB nesse cenário, Nádia elencou, além da luta anti-imperialista, a luta social — principalmente em torno de pautas como o fim da escala 6×1, pela tarifa zero (que pode ser apresentada em breve pelo governo), contra o feminicídio e contra a manutenção dos altos juros —, além do empenho na eleição da bancada comunista.

Agenda sindical

O presidente da CTB, Adilson Araújo, falou sobre alguns dos principais pontos da agenda da frente sindical em 2026. Ele reforçou o papel central da batalha eleitoral deste ano e chamou atenção para a
Conferência Nacional do Trabalho, o Primeiro de Maio unitário e as convenções eleitorais.

Após as intervenções dos participantes, o secretário sindical do PCdoB, Nivaldo Santana, sublinhou a importância de os comitês estaduais tomarem medidas para fortalecer o trabalho sindical do partido em linha com a diretiva de revigoramento partidário, aprovada durante o 16º Congresso do PCdoB, cuja ênfase está nos trabalhadores e na juventude.