Altair Freitas, secretário de Organização do PCdoB durante o Encontro Nacional de 2026. Foto: Cezar Xavier

Durante o segundo dia do Encontro Nacional de Organização do PCdoB, realizado neste sábado (28), em São Paulo, o secretário nacional de Organização, Altair Freitas, conduziu uma exposição detalhada voltada ao debate interno sobre os mecanismos de funcionamento partidário. Longe de um tom deliberativo ou de cobrança, a intervenção buscou identificar nós críticos e propor reflexões coletivas para aprimorar a capacidade do partido de dialogar com a sociedade e enfrentar os desafios políticos de 2026.

O foco central recaiu sobre a necessidade de melhorar a circulação de informações, integrar melhor as diretrizes nacionais à realidade local e fomentar uma maior sinergia entre as diferentes frentes de atuação.

Reflexões sobre o fluxo de informações e quadros

Um dos pontos de partida da análise de Altair Freitas foi a importância do conhecimento detalhado sobre a base militante. O secretário levantou a questão do que chamou de “apagão informacional”, descrevendo-o não como uma falha burocrática, mas como um desafio político que dificulta o planejamento estratégico. Segundo ele, em diversos momentos, há dificuldades em acessar dados atualizados sobre quantos camaradas participaram de cursos de formação, qual o perfil dos quadros disponíveis e onde eles estão atuando.

“Isso não é burocracia, isso é política”, observou Freitas, destacando que conhecer “quem são, onde estão, como vivem” os militantes é fundamental para alocação correta de tarefas, especialmente em cenários de disputa eleitoral, participação em governos, atuação em entidades dos movimentos sociais e sindical. A sugestão apresentada foi a criação de mecanismos mais fluidos e objetivos para que as informações circulem melhor entre as instâncias, evitando que trocas de secretarias ou mudanças de gestão resultem na perda de memória institucional.

Conexão entre diretrizes e realidade local

Altair Freitas, secretário de Organização do PCdoB durante o Encontro Nacional de 2026. Foto: Cezar Xavier

Outro eixo central da exposição foi a relação entre as definições tomadas nas instâncias dirigentes e a capacidade de execução na base. Altair Freitas ponderou sobre a necessidade de evitar desconexões entre os planos elaborados e a realidade concreta dos municípios, onde a política de fato acontece. A proposta debatida foi a de envolver mais ativamente os organismos de base na própria construção das diretrizes.

Ao convidar a militância para participar do planejamento, argumentou-se, cria-se um ciclo virtuoso de feedback: a base sinaliza o que é exequível e o que precisa de ajuste, tornando a ação política mais eficaz. “Se engajamos a base na estrutura de planejamento, a política daquela turma nossa atuar objetivamente é maior”, explicou, sugerindo que essa aproximação pode reduzir distâncias entre o comando nacional e o cotidiano dos territórios.

Sinergia e o movimento de revigoramento

A intervenção também tocou na importância de superar a segmentação excessiva entre as diversas secretarias e departamentos. Freitas defendeu que, embora a divisão de tarefas seja necessária, é crucial que todos os setores atuem de forma sinérgica, compondo-se em torno de um projeto político comum definido pelo 16º Congresso. A ideia é evitar que cada área atue isoladamente (“em sua caixinha”), garantindo que os esforços se somem para potencializar os resultados do partido.

Nesse contexto, o dirigente retomou a metáfora leninista da “Teoria da Curva da Vara” para ilustrar o processo de revigoramento partidário. Ele explicou que, para alterar a trajetória de um partido que passou por períodos de desacumulação, é necessário aplicar uma força constante e intencional no sentido desejado.

O dirigente partidário apresentou dados que indicam uma recuperação recente: enquanto o 15º Congresso (2021) mobilizou cerca de 33 mil filiados – número similar ao de 2001 –, o 16º Congresso conseguiu reunir aproximadamente 43 mil participantes. Esse crescimento foi citado como evidência de que as políticas de revitalização estão surtindo efeito, embora exijam persistência para vencer a inércia natural das estruturas.

Estratégias para o cenário eleitoral e social

Olhando para o futuro próximo, Altair Freitas delineou as tarefas prioritárias que orientarão o debate organizativo. Entre elas, destacou a reeleição da bancada federal atual e a ampliação da representação do PCdoB na Câmara dos Deputados. Foi mencionada a estratégia de buscar um “pragmatismo positivo”, que inclua a filiação de personalidades democráticas de outros campos, visando ampliar a votação e, consequentemente, os recursos do fundo partidário e o tempo de propaganda eleitoral.

Além do aspecto eleitoral, a exposição enfatizou a necessidade de intensificar a filiação de trabalhadores e jovens, dois segmentos considerados chaves para a renovação e o enraizamento social do partido. Freitas apontou que, apesar da presença do PCdoB em entidades estudantis massivas, a porcentagem de jovens até 30 anos filiados ainda é insuficiente, o que demanda políticas específicas de integração.

Por fim, o secretário abordou a importância de conectar as lutas específicas dos movimentos sociais e sindicais com a campanha eleitoral, bem como o papel dos dirigentes como exemplos concretos de militância. A mensagem final foi de incentivo à proatividade: que cada dirigente tenha tarefas práticas e atue como um “pivô” para estimular as organizações de base, transformando o potencial acumulado nos congressos em ação cotidiana nos territórios.

O encontro prosseguiu com debates e intervenções dos participantes para extrair sínteses que orientem os próximos passos da Organização.

Encontro Nacional de Organização do PCdoB, em 2026, contou com representação presencial de 21 estados na capital paulista. Foto: Cezar Xavier