Congresso em SP elege Alex Custodio para a presidência da Fitmetal
O 4º Congresso da Fitmetal (Federação de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil) terminou neste sábado (29), em São Paulo, com a eleição da nova diretoria da entidade. Por unanimidade, Alex Custodio, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim e Região (MG), foi eleito para presidir a Federação nos próximos quatro anos (gestão 2025-2029).
“É uma grande honra estar num cargo que já foi ocupado por Marcelino da Rocha e Assis Melo. Conto muito com essa diretoria eleita para termos audácia e fazermos uma grande gestão”, afirmou Alex. O Congresso teve como lema “Avançar na Reconstrução do Brasil, com Mais Indústria, Desenvolvimento e Valorização do Trabalho”.
Ao todo, a direção será composta por 55 membros, incluindo os seis integrantes do Conselho Fiscal. Eremi Melo, de Caxias do Sul (RS), José Francisco Salvino, o “Buiú”, de Jaguariúna (SP), e Ubiraci Dantas de Oliveira, o “Bira”, de São Paulo, serão os vice-presidentes. Já Paulo Miguel, de Betim, foi eleito para a Secretaria Geral.
Num incentivo concreto à maior participação feminina no sindicalismo, a Fitmetal terá 17 dirigentes mulheres – o equivalente a 31% da nova diretoria. É o dobro do percentual de mulheres na categoria metalúrgica, estimado hoje em 15%. Quatro companheiras serão secretárias: Andreia Diniz (Formação), Luciana Arcanjo (Mulher), Raimunda Leone (Combate ao Racismo) e Fabiana de Souza (Juventude).
Os demais secretários eleitos são Aurino Pedreira (Finanças), Fernando Oliveira (Comunicação), Assis Melo (Políticas Institucionais), Beto Osorio (Políticas Internacionais), Moisés Costa (Previdência e Aposentados), Waldomiro Rodrigues (Saúde e Meio Ambiente), Reginaldo de Oliveira (Setor Automotivo e de Autopeças), Anelsino dos Santos Bento (Naval, Offshore e Siderúrgico) e Melquizedeque Cordeiro (Ciência, Tecnologia e Inovação).
As lutas da categoria
Os delegados aprovaram, também por unanimidade, alterações estatutárias, a Resolução Política do 4º Congresso e o Plano de Lutas, além de três moções: uma contra o golpe que retirou Edimar Miguel Pereira Leite da presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense (RJ); a segunda, “pelo fim do genocídio do povo palestino”; e a terceira em “apoio à companheira Eremi Melo”, que, desde 2024, é secretária-geral da UIS MM (União Internacional Sindical – Metal e Mineração).
A mudança mais importante no estatuto é que transforma a Fitmetal numa federação nacional. Desde sua fundação, em 2010, a entidade se organizava como federação interestadual. Essa alteração faz justiça à atuação da Fitmetal (que, na prática, já tinha alcance nacional) e reduz os ritos burocráticos para medidas como a filiação de sindicatos de base.
No Plano de Lutas, a Fitmetal destacou prioridades como a defesa da reconstrução nacional, da reindustrialização, da democracia e da valorização do trabalho. O Congresso denunciou, ainda, a política monetária do Banco Central “independente”, que tem mantido o Brasil como um dos países com a maior taxa de juros reais no mundo.
Entre as reivindicações prioritárias para a categoria metalúrgica, estão as lutas pela revogação dos retrocessos da reforma trabalhista; pela redução da jornada de trabalho; em defesa da taxação dos super-ricos e da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.
O Congresso
A programação do Congresso, iniciada na quinta-feira (27), foi integralmente realizada na Casa do Trabalhador – a sede nacional da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil). O presidente cessante da Fitmetal, Assis Melo, deu as boas-vindas aos delegados, que vieram de oito estados.
Além de Assis, o ato político que abriu o 4º Congresso contou com a presença do deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP); do presidente da CTB, Adilson Araújo; das dirigentes da UIS Metal Eremi Melo e Viviana Abud Flores; do secretário Sindical do PCdoB, Nivaldo Santana; e do secretário Sindical do PT, Paulo Cayres. A presidenta do PCdoB e ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, gravou uma mensagem de saudação à Fitmetal.
Mais convidados participaram dos debates do Congresso, como nas duas mesas do Seminário Internacional, realizado na sexta-feira (28). A primeira mesa, com Ana Prestes, secretária de Relações Internacionais do PCdoB, e José Reinaldo Carvalho, presidente do Cebrapaz, teve como tema “Uma Nova Ordem Mundial? A Luta pela Paz e Outros Desafios Geopolíticos na Atualidade”.
A segunda, sobre “Os Desafios do Sindicalismo Classista Mundial”, reuniu Divanilton Pereira, secretário-geral-adjunto da FSM (Federação Sindical Mundial); Nivaldo Santana, na condição de secretário de Relações Internacionais da CTB; e Viviana Abud Flores, secretária de Mulheres da UIS Metal.
Ainda no segundo dia, houve um debate sobre “Os Desafios da Reconstrução Nacional”, com Walter Sorrentino, vice-presidente do PCdoB e presidente da Fundação Maurício Grabois (FMG); e o lançamento de Meio Século de Luta – Por uma Pátria Livre e Soberana rumo ao Socialismo, livro de memórias do líder metalúrgico Ubiraci Dantas de Oliveira, o “Bira”.
O terceiro e último dia de programação começou com o painel “Os Desafios da Reindustrialização Brasileira”. Diogo Santos, do Instituto de Pesquisas Econômicas da UFMG, fez uma exposição sobre a Nova Indústria Brasil (NIB) – a principal aposta do governo Lula para a “neoindustrialização” do País.
A dirigente da Fitmetal Andreia Diniz – que foi homenageada por todas as delegadas mulheres presentes ao Congresso – apresentou um balanço da gestão 2022-2025. Por fim, o debate “Por uma Fitmetal Fortalecida para Enfrentar os Desafios para Movimento Sindical” teve como expositores Assis Melo e Adilson Araújo.