O PCdoB mobiliza milhares de militantes na “Vila Euclides” para o ato de Lula em SP
No dia 16 de agosto, às 9 da manhã, o Estádio Municipal 1º de Maio, o lendário estádio da Vila Euclides em São Bernardo do Campo, voltará a pulsar no ritmo da história. É ali, no mesmo gramado que serviu de trincheira contra a ditadura e berço do novo sindicalismo, que a campanha pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin dará o seu pontapé inicial. E o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) não pretende ser apenas coadjuvante neste reencontro com o passado e com o futuro.
A logística da esperança e o visual das ruas
“Estamos mobilizando mais de 2 mil pessoas, entre militantes e filiados”, relata André Bezerra, secretário-estadual de Organização do PCdoB-SP e membro da Direção Nacional do Partido. A operação logística é um termômetro do entusiasmo que toma as bases: 37 ônibus já fretados, partindo da capital paulista e de dezenas de cidades num raio de 100 quilômetros.
Para o PCdoB, estar na Vila Euclides exige presença. Não basta comparecer; é preciso ser visto. Bezerra detalha a estética da militância: “Vamos ter uma presença visual importante. Estamos incentivando toda a nossa militância com boné, chapéu, camisa, bottons, adesivos dos nossos candidatos e, claro, os nossos tradicionais bandeirões e faixas”. O estádio, que espera receber entre 30 e 40 mil pessoas de todo o campo progressista, será tingido de vermelho, mostrando a engrenagem de uma máquina partidária que jamais estaria inerte no primeiro dia de campanha legal.
A demonstração de força do campo popular
A crônica de um ato político se faz de símbolos, mas a análise exige que se olhe para a aritmética das ruas. O ato do dia 16 marca a oficialização de uma chapa robusta, sustentada por sete partidos (PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede). Para André Bezerra, a mobilização comunista responde a uma necessidade estratégica: mostrar que a candidatura de Lula não é apenas um nome na urna, mas um projeto com enraizamento e apoio de massa.

“Não é só um comício. É uma demonstração de força. Homens, mulheres, jovens, todos determinados a dar um grande impulsionamento à campanha desde o primeiro dia”, analisa o dirigente. A prioridade é clara: transformar o dia 16 em um evento popular massivo, onde o “campo democrático popular” exiba sua musculatura. Num tempo em que a política se espraia pelas redes, ocupar fisicamente o espaço público com panfleto na mão e nome na rua é um ato de resistência e de afirmação de hegemonia.
O eco do megafone e o futuro em jogo
Há uma emoção adicional, quase tangível, que atravessa os militantes que cruzam o ABC rumo a São Bernardo. A Vila Euclides era um campo de fábrica, inaugurado em 1968 com o nome do general ditador Costa e Silva. O povo, porém, rebatizou o espaço. Foi lá que, em 1979, cerca de 60 mil metalúrgicos ocuparam as arquibancadas. Sem palco, Lula subiu em uma mesa de escritório e, com um megafone, fez sua voz chegar ao outro lado do estádio, repetida em uníssono por milhares de gargantas.
“O que começou ali é importante. Foi dali que ele tomou força e surgiu para o Brasil”, lembra Bezerra, tocando na ferida e na glória daquele território. Retornar à Vila Euclides em 2026 não é mero saudosismo. É buscar na seiva daquelas greves a energia para os embates do presente. Quando os 2 mil militantes do PCdoB erguerem seus bandeirões no Estádio 1º de Maio, eles não estarão apenas olhando para o retrovisor de 1979. Estarão cravando no gramado histórico a certeza de que a luta por um Brasil soberano, justo e democrático continua. Onde tudo começou, a caminhada recomeça.




