Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Mesmo após a primeira prisão, quando Vorcaro ainda conseguiu sair com tornozeleira eletrônica, Flávio foi até São Paulo, na casa do dono do Master, e pediu o resto do dinheiro. O próprio Valdemar Costa Neto, presidente do PL, confirmou isso em entrevista.

Segundo a PF, mensagens, ligações e registros encontrados no celular do dono do Banco Master mostram Flávio como “interlocutor direto” do banqueiro nas tratativas sobre o financiamento. A PF identificou que os acordos remontam a dezembro de 2024.

Naquele mês, o publicitário Thiago Miranda Silva procurou Vorcaro para marcar uma reunião com Flávio e informou que um dos assuntos seria o “filme do presidente”. O deputado Mario Frias (PL-SP), apontado como idealizador do projeto, também participaria.

Nesta mesma época, o deputado Felipe Barros, íntimo de Flávio e Eduardo Bolsonaro, apresentou projeto para elevar o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil por pessoa para R$ 1 milhão. Este era o grande interesse de banqueiros para aumentar a arrecadação fraudulenta de seu banco. Esta foi a moeda de troca oferecida por Flávio para obter a propina milionária.

Em 8 de setembro, o senador enviou um áudio cobrando pagamentos e demonstrou preocupação com o risco de a produção ficar inadimplente com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Vorcaro pediu desculpas e disse que tentaria resolver a situação.

Oito dias depois, houve uma ligação entre os dois. A PF destacou que o contato ocorreu no mesmo dia da última remessa identificada da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos, usado no financiamento do filme laudatório de Jair Bolsonaro. O banqueiro não conseguiu transferir toda a propina porque foi preso.

Todo esse mar de lama só veio à público porque o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, concordou com o pedido do ministro Flávio Dino para abertura do sigilo de investigações sobre os recursos transferidos pelo dono do Master para o filme Dark Horse, por meio da arapuca aberta pelos bolsonaros no Texas, nos EUA. O fundo Havengate era administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro.

Fonte: Página 8