Presidente do Republicanos Marcos Pereira | Foto: Agência Brasil

A situação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se complica. O partido Republicanos informou à direção do PL que a maioria dos diretórios estaduais do partido defende a neutralidade na eleição presidencial, reforçando a crescente resistência de partidos do Centrão a assumir compromisso antecipado com candidatura ao Palácio do Planalto.

O levantamento interno, apresentado pelo presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira (SP), mostra que 17 diretórios estaduais manifestaram preferência por posição de independência.

Apenas 9 defenderam apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, enquanto Pernambuco foi o único Estado a formalizar preferência pelo presidente Lula (PT), posição já anunciada anteriormente pela direção estadual do partido.

Os números foram apresentados durante reunião entre Marcos Pereira, Flávio Bolsonaro, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o coordenador político da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN).

Embora a decisão definitiva ainda dependa das instâncias partidárias, o resultado da consulta revela a dificuldade de o PL transformar afinidades regionais em compromisso nacional do Republicanos.

A sinalização do Republicanos evidencia estratégia que vem sendo adotada por boa parte das legendas de centro: priorizar a disputa pelo Congresso Nacional em vez de vincular o partido, desde já, à candidatura presidencial.

Segundo Marcos Pereira, o foco da legenda é ampliar as bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, fortalecendo a influência política e o poder de negociação do partido na próxima legislatura.

Essa lógica tem predominado entre partidos do chamado Centrão, cujas direções nacionais buscam preservar a autonomia dos diretórios estaduais e evitar que aliança presidencial comprometa acordos regionais construídos para as eleições de outubro.

Na prática, trata-se de estratégia que privilegia o fortalecimento institucional das legendas e amplia a capacidade de negociação no período pós-eleitoral, independentemente de quem venha a ocupar a Presidência da República.

Fonte: Página 8