Negacionismo do governo Trump provoca surto de parasita que causa diarreia aguda
Os Estados Unidos passam por um surto de diarreia explosiva provocada por parasita que o ‘Centro de Controle e Prevenção de Doenças’ (sigla CDC em inglês) negligenciou em monitorar pelo país todo em julho do ano passado.
O parasita unicelular que provoca uma inflamação no intestino chamada de ciclosporíase já infectou milhares de americanos. No Estado mais atingido, Michigan, o número de infectados ultrapassa 3.700 e 31 estados americanos já reportaram casos desse tipo de diarreia. A transmissão do parasita acontece pela ingestão de água e de vegetais mal lavados, contaminados com fezes humanas.
Sob o comando do Secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., o CDC é a principal agência federal de saúde pública, que tem a função de proteger a população dos EUA contra a proliferação de doenças e outros riscos à saúde.
No começo do ano passado, assim que Trump assumiu seu segundo mandato, seu governo realizou uma campanha de cortes contra várias agências federais que os negacionistas de seu governo consideraram um “desperdício” de verba pública ou acusaram de serem “fraudulentas”. Entre os programas que sofreram cortes estava o ‘FoodNet’, que tinha a função de rastrear patógenos transmitidos por alimentos, como o parasita que provoca a ciclosporíase.
Kennedy, um negacionista defensor de políticas antivacina e apoiador da chamada “medicina alternativa”, quando assumiu o cargo de Secretário de Saúde americano, começou a aplicar suas ideias anticiência no CDC, tentando normalizar e botar em prática suas teorias movidas por paranoias conspiratórias, como a de que vacinas provocam autismo.
Sob a liderança de RFK Jr., também sofreram cortes a monitoração de outras doenças, como a campilobacteriose, a listeria, a shigelose, a vibriose e a yersinia, e, atualmente, o FoodNet só está monitorando duas doenças, a salmonela e o E. coli.
As propostas introduzidas por RFK Jr. para políticas de saúde vão de ceticismo sobre a eficácia das vacinas a tentar provar a relação de vacinas com autismo e à redução do calendário federal de vacinação infantil nos EUA.
RFK Jr. já tentou remover vacinas para seis das 17 doenças do calendário de vacinação infantil americano, mas foi barrado por um juiz federal em um processo movido por médicos e pela Academia Americana de Pediatria.
Também um plano financiado pelo governo americano tentou fazer testes clínicos com vacinas para hepatite B e seus efeitos nos recém-nascidos de Guiné-Bissau, na tentativa de provar a relação das vacinas com autismo, mas que foi interrompido pelo governo do país africano depois da reação negativa da comunidade médica internacional.
Sob RFK Jr., foram cortados bilhões de dólares que eram destinados à pesquisa científica, e os EUA estão sofrendo uma fuga de cientistas para países da Europa e Austrália. Uma pesquisa da revista Nature, de março de 2025, relatou que cerca de 75% dos pesquisadores já consideraram sair dos EUA.
Kennedy também fez campanha pelo combate do que considera uma epidemia de doenças crônicas, ele está usando de sua posição no governo federal americano contra o consumo de alimentos processados, óleos vegetais, flúor e paracetamol, que alega também poder causar autismo.
Outras medidas que conseguiu implementar: cortes no financiamento para o desenvolvimento de vacinas de mRNA e para um programa internacional para vacinas, além de restringir o acesso a vacinas da COVID-19.
De acordo com um artigo da Reuters, com base em entrevistas com assessores que trabalham no Departamento de Saúde dos EUA e na Casa Branca, RFK Jr. concordou em parar de se pronunciar publicamente contra vacinas, depois de muito pressionado pelo alto escalão, devido ao temor de desgaste político para o Partido Republicano.
Mas nos bastidores, de acordo com a Reuters, oito funcionários públicos relataram que RFK Jr. continuou sua cruzada contra as vacinas e obsessão em ligá-las com autismo.
Fonte: Papiro




