Lula e ministros na Ferrovia Transnordestina, no CE. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Uma das frentes de investimentos que têm despertado o interesse dos chineses no Brasil é a das ferrovias. Durante missão do governo federal a Pequim, no começo deste mês, o Brasil apresentou uma carteira bilionária na área para investidores do país asiático.

Além de representantes do governo brasileiro, a agenda reuniu instituições financeiras e empresas chinesas, com o objetivo de atrair capital estrangeiro e fortalecer parcerias estratégicas voltadas ao desenvolvimento da infraestrutura nacional.

Segundo o Ministério dos Transportes, na ocasião a comitiva apresentou os pilares da Política Nacional de Ferrovias, que busca ampliar a participação do modal ferroviário na matriz de transportes brasileira, além de detalhar os mecanismos de funding (recursos para viabilizar os investimentos), financiamento, garantias e estruturação dos projetos.



Um dos destaques da agenda foi a realização de reuniões com os principais órgãos do governo chinês responsáveis pelo planejamento econômico e pela definição das estratégias de investimento do país no exterior, fortalecendo o diálogo institucional e ampliando a visibilidade dos projetos brasileiros.

Ao site Poder360, o ministro dos Transportes, George Santoro, reafirmou o interesses de companhias do país asiático nesse ramo. “A gente tem empresa chinesa que gosta de um projeto, tem outra empresa chinesa que gosta de outro projeto. Não tem nenhum ativo nosso que vai a leilão que não tenha pelo menos 1 grupo chinês olhando. Em média, tem 2 grupos [chineses interessados em cada projeto]”, declarou.

Ele também disse ter percebido um “ânimo mais detalhista” por parte dos chineses e que “o nível de conhecimento dos projetos (da parte deles) é muito grande”.

Segundo Santoro, o governo projeta para este segundo semestre a realização de cinco leilões de projetos de ferrovias: Corredor Minas-Rio, Anel Ferroviário Sudeste; Ferrovia Malha Oeste, Ferrogrão e Corredor Leste-Oeste, que está em fase de audiência pública.

Entendimento

Desde o retorno de Lula à presidência da República, a aproximação entre Brasil e China ficou mais azeitada, em especial na área de infraestrutura. Enquanto o Brasil busca investimentos para avançar em áreas estratégicas para o desenvolvimento, a China visa ampliar sua influência internacional em variados setores da economia global.

No segmento ferroviário, um marco importante ocorreu em 2025, quando o Ministério dos Transportes, por meio da Infra S.A., firmou um Memorando de Entendimento com o Instituto de Planejamento e Pesquisa Econômica da China State Railway Group, braço estratégico da maior empresa ferroviária do mundo.

Na avaliação de Leonardo Ribeiro, secretário nacional de Transporte Ferroviário, “existe um diálogo permanente e crescente entre os dois países, baseado na troca de conhecimento, no planejamento de longo prazo e na busca por oportunidades de investimento. O memorando assinado no ano passado é uma demonstração concreta desse esforço conjunto”.