Mais de 7 mil estudantes participaram do Congresso | Foto: UBES

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) definiu os rumos da entidade para o próximo período ao eleger, neste final de semana, a recifense Roberta Pontes como sua nova presidente. A escolha ocorreu durante o 46º Congresso da UBES, realizado em São Bernardo do Campo (SP), que reuniu milhares de representantes de todo o país.

Roberta Pontes foi eleita presidente da entidade secundarista – Foto: UBES

Em sua primeira declaração oficial, Roberta Pontes assumiu o compromisso de liderar uma “luta incansável contra a militarização das escolas” e de colocar a entidade na linha de frente do enfrentamento ao que chamou de “ofensiva conservadora e violenta” dentro e fora dos ambientes educacionais. A nova presidente defende a revogação imediata de todos os modelos de escolas cívico-militares.

 “Queremos escolas sob gestão democrática, com participação estudantil. A escola para nós é um lugar de fortalecer a democracia, emancipar o povo e construir a nação”, declarou.

Roberta Pontes foi tesoureira da UBES na última gestão da entidade e também foi presidenta da União Metropolitana dos Estudantes de Pernambuco. Teve destaque no seu estado em mobilizações pela revogação da Reforma do Ensino Médio e pela qualidade da merenda escolar na rede pública de ensino.

Para o presidente da União Gaúcha dos Estudantes Secundaristas (UGES), Nicolas Marques, o 46º CONUBES ocorreu em um momento decisivo para o país, e a juventude secundarista tem um papel histórico na defesa da soberania nacional. ” O nosso país vive hoje sob a ameaça constante do imperialismo norte-americano, e historicamente os estudantes secundaristas foram linha de frente contra a interferência externa em nossas terras. É uma bandeira histórica dos estudantes secundaristas a defesa intransigente da soberania e da democracia. Não à toa o mote principal deste congresso foi ‘Democracia e soberania: um Brasil do tamanho da nossa rebeldia’”, disse.

“Novamente o campo popular e democrático seguiu na direção da entidade, e será uma missão dos estudantes que foram eleitos para a nova diretoria da UBES tocar as lutas do próximo período. Isso passa por mobilizar os estudantes de todo Brasil em uma agenda de lutas que contemple a luta contra as altas taxas de juros, contra a escala 6×1, contra o arcabouço fiscal, pela garantia de investimento de 10% do PIB na educação, como prevê o novo PNE, e em sua ordem do dia a vitória eleitoral contra a extrema-direita nas urnas em outubro”, destacou.

“A história nos ensina que no Brasil sempre existiram dois lados antagônicos que disputam pelo nosso futuro. Um lado é o lado dos traidores, colonizadores, de Joaquim Silvério dos Reis, dos golpistas de 64, de Bolsonaro, e outro lado é o lado de Tiradentes, de Zumbi dos Palmares, dos caras-pintadas, daqueles que amam profundamente o Brasil. E é deste lado que se encontram os estudantes secundaristas”, pontuou.

O ex-diretor de comunicação da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (UMES), Ryan Alexander, destacou que o 46º Congresso acontece em um crítico para a Educação. “O Congresso da UBES escancara a realidade da educação pública no Brasil: falta professor, falta estrutura, falta alimentação de qualidade. E isso não é por acaso. Em vários estados, o que vemos é um projeto claro de desmonte, com privatização, militarização das escolas, ataques aos professores e cortes no orçamento”, disse.

“Hoje, um dos maiores desafios do Brasil é a taxa de juros absurda que sufoca o nosso país. E esse não é um debate ‘técnico’ ou distante – é sobre a nossa vida. Juros altos significam menos investimento em educação, menos oportunidades, mais desigualdade. É dinheiro que poderia estar na escola, na universidade, na saúde, na cultura, mas que vai direto para o bolso de banqueiros, os verdadeiros sanguessugas desta nação”, afirmou Ryan.

“A tarefa da UBES e dos estudantes de todo o país é clara: se organizar e se mobilizar, ocupar as ruas por todo o país contra os juros altos, o imperialismo e qualquer projeto que ataque o nosso povo. Não dá pra aceitar um Brasil que investe em banqueiro e abandona estudante. A gente quer mais. Quer escola de qualidade, quer mais cultura, ciência e educa”, destacou.

Fonte: Página 8