Brasil reduz em 42% a perda de floresta úmida, melhor resultado da história
A intensificação do trabalho ambiental liderado pelo governo Lula vem mostrando importantes resultados, demonstrados, inclusive, por entidades internacionais. Exemplo disso foi a forte redução, de 42%, na perda de floresta tropical úmida em 2025 na comparação com o ano anterior.
Trata-se da menor perda desde 2002, quando teve início a série histórica. Essa queda fez com que a perda global desse tipo de bioma (que tem na Amazônia sua principal representante) tenha tido uma redução de 36%. Além disso, o Brasil também teve uma porcentagem menor de perda (0,5%) de sua floresta primária em relação a muitos outros países.
Os dados compõem balanço da Global Forest Watch (ligado ao World Resources Institute). Intitulado “Forest Pulse”, o documento foi divulgado nesta quarta-feira (29).
“Os declínios do Brasil estão associados a políticas ambientais mais fortes e à fiscalização desde 2023, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o cargo. Por exemplo, o governo Lula relançou o PPCDAm, uma estrutura política antidesflorestamento que coordena ações em 19 agências federais e a expandiu para cobrir todos os biomas”, diz.
O material também chama atenção para o fortalecimento do Ibama nas ações de fiscalização, com o aumento dos avisos de violação ambiental em 81% e das multas em 63%, de 2023 a 2025, em comparação com 2020 a 2022.
Segundo o informe, “o Brasil também desempenhou um papel importante na formação de esforços globais para proteger as florestas”, salientando o lançamento, durante a COP 30, do fundo Floresta Tropical para Sempre.

O balanço diz, ainda, que “com apenas alguns anos restantes para cumprir a meta global de interromper e reverter a perda florestal até 2030, países como o Brasil mostram que proteger as florestas é possível por meio de políticas e outras medidas”.
Mas, ressalta que alcançar esse objetivo global “não será fácil à medida que as florestas se tornarem mais vulneráveis às mudanças climáticas e à crescente demanda da humanidade por alimentos, combustível e materiais provenientes de florestas e das terras em que estão”.
Outro dado trazido pelo documento é que, além da Amazônia, a maioria dos outros biomas brasileiros também apresentou redução da perda de cobertura de árvores, exceto a Caatinga, que aumentou em 9%. A Amazônia e o Pantanal tiveram a maior redução da perda de cobertura de árvores de 2024 a 2025.
Entre os estados que mais observaram diminuição das perdas estão Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Roraima, que juntos representam mais de 40% da redução. O Maranhão foi o único estado em que foi registrado crescimento da perda.
Ameaças a serem enfrentadas
Os dados mostram os resultados de uma política pública bem-sucedida no combate ao desmatamento, mas também indicam que as perdas ainda são altas e precisam continuar sendo enfrentadas para que o Brasil e outros países atinjam um bom nível de preservação.
Segundo o estudo, observando os países com florestas primárias tropicais, as perdas foram de 4,3 milhões de hectares, o equivalente a mais de 11 campos de futebol de floresta por minuto. “A perda de florestas primárias tropicais ainda é 46% maior do que há uma década”, salienta.
O Brasil perdeu 1,6 milhão de hectares de cobertura arbórea em floresta tropical úmida, a maioria dos quais devido a derrubadas sem uso de fogo (desmatamento, corte raso e morte natural, entre outros).
O levantamento aponta que “a expansão agrícola foi a principal causa de perda de cobertura de árvores em todos os trópicos, incluindo a produção de commodities orientada para o mercado e a agricultura de subsistência para atender às necessidades das famílias”.
Globalmente, prossegue, os incêndios foram novamente um dos principais impulsionadores da perda de cobertura de árvores em 2025, consistente com as tendências recentes. “Nos últimos três anos, os incêndios queimaram mais do que o dobro da cobertura de árvores do que há duas décadas. A mudança climática está ameaçando as florestas dentro e fora dos trópicos, com o calor extremo e a seca alimentando incêndios florestais maiores e mais prejudiciais”, argumenta.
Ao tratar especificamente da realidade brasileira, o balanço diz que a agricultura permanente “continua a ser o maior impulsionador da perda primária de florestas (73% entre 2002-2025), em grande parte para soja e gado”.
E lembra que alguns estados da Amazônia aprovaram legislações que enfraquecem a proteção ambiental. “Por exemplo, Rondônia, Maranhão e Mato Grosso removeram incentivos fiscais para empresas que fazem parte da moratória da soja, um acordo voluntário entre os comerciantes de soja para não comprá-la de áreas desmatadas na Amazônia”.


