Marcha da classe trabalhadora em Brasília reforça luta contra 6×1 e por direitos
Trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil se reuniram, nesta quarta-feira (15), em Brasília, para a Marcha da Classe Trabalhadora, que tomou a Esplanada dos Ministérios, seguindo até o Congresso e o Palácio do Planalto.
Horas antes, na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat 2026), o movimento aprovou pauta de reivindicações que inclui o fim da escala 6×1, a regulamentação do trabalho em plataformas digitais, o combate à pejotização e a luta contra o feminicídio.
Durante o dia, estão previstas as entregas da pauta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A mobilização é uma das mais importantes dos trabalhadores brasileiros e reúne as principais centrais sindicais: CTB, CUT, Força Sindical, UGT, NCST, CSB, Pública Central do Servidor e Intersindical.
Um dos pontos mais relevantes da pauta de reivindicações, o fim da escala 6×1 foi encampada por trabalhadores, sindicatos, centrais e parlamentares e ganhou força nos últimos anos. Um passo fundamental para sua implantação foi dado nesta terça (14), quando Lula encaminhou ao Congresso Nacional, em regime de urgência, projeto de lei do Executivo estabelecendo o fim desse regime de trabalho, sem redução salarial.

O texto se assemelha ao da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), o PL 67/2025, que está em análise na Comissão de Trabalho da Câmara. A justificativa do Planalto para apresentar um projeto alternativo foi a de acelerar a tramitação do tema no Congresso e reduzir o lobby do setor patronal.
Pelas redes sociais, Daiana Santos comemorou o envio do novo projeto: “Isso me alegra muito porque além de ser uma entrega incrível para o povo trabalhador brasileiro, esse projeto é um espelho do 67/25, que construí junto com todos esses parceiros e parceiras que nunca desistiram dessa luta; agora essa vitória vai ser do Brasil. Esse projeto reduz a jornada e a escala de trabalho para que a gente tenha 40 horas semanais de trabalho — saindo, portanto, das atuais 44 horas — e tenha duas folgas consecutivas sem reduzir nenhum centavo do salário”.
Líder do governo na Câmara, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) destacou que “hoje é um dia histórico; é o dia em que iniciamos a contagem regressiva porque o prazo que teremos é de 90 dias (para a tramitação o projeto). São 45 dias na Câmara e 45 no Senado para que essa matéria seja aprovada. Essa é uma grande conquista da classe trabalhadora e um compromisso do presidente Lula”. A luta agora, portanto, é para pressionar deputados e senadores a aprovarem a medida.
Pelos direitos dos trabalhadores
Além desta reivindicação, a Conclat 2026 estabeleceu outras 68 propostas, dentre as quais estão a luta por geração de emprego decente com base no desenvolvimento produtivo; por valorização do salário mínimo com meta de 60% do salário médio; o fortalecimento e autorregulação dos sindicatos; a revogação e revisão de marcos regressivos trabalhistas e previdenciários; o fortalecimento das negociações e dos acordos coletivos; a regulamentação do trabalho em plataformas digitais; o combate à pejotização e às fraudes trabalhistas e as campanhas contra o feminicídio (veja aqui a pauta completa).
“Estamos aqui em Brasília, com todas as centrais sindicais, na luta pelo fim da escala 6×1, para que os trabalhadores e trabalhadoras tenham o direito a viver com dignidade. Também queremos a redução da taxa de juros, acabar com o arcabouço fiscal e aumentar os investimentos públicos para que o Brasil possa se desenvolver”, disse o vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ubiraci Dantas.

Além de salientar a mobilização contra a 6×1 e pela redução da jornada para 40 horas semanais, René Vicente, presidente da CTB-SP, destacou que a intenção da marcha é “reforçar a luta em defesa do emprego, da soberania, da democracia e de vida digna para a classe trabalhadora”.
Rodrigo Calais, presidente da CTB-RS, lembrou que “nós, do movimento sindical, estamos há muito tempo trabalhando pelo fim da escala 6×1, em parceria com a deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), e agora o presidente Lula toma a grande decisão de enviar matéria com urgência, colocando o Congresso na pressão. É aí que vamos ver quem é a favor e quem é contra a classe trabalhadora”.
Ricardo Patah, presidente da UGT, disse que a marcha é emblemática por mostrar a unidade dos trabalhadores e chamar atenção do presidente da República para as suas reivindicações. “Fizemos isso em 2022 e foi uma pauta exitosa porque vários itens que desenhamos o governo Lula já colocou em prática, como a política de valorização do salário mínimo, a igualdade salarial entre homens e mulheres e a isenção do Imposto de Renda (para quem recebe até R$ 5 mil). E agora temos outras questões, como o fim da 6×1, a redução da jornada para 40 horas semanais e o combate ao feminicídio, porque é loucura o que está acontecendo, com o alto número de assassinatos de mulheres”.
Na avaliação de Sérgio Nobre, presidente da CUT, destacou também a importância da mobilização pela regulamentação do trabalho por aplicativo. “São milhões de trabalhadores, a sua maioria jovem, que estão à margem dos direitos trabalhistas, da proteção social e isso não é aceitável em pleno século 21”, declarou. E salientou: “ao longo da história, nenhum direito da classe trabalhadora foi dado; sempre foi conquistado com muita luta e mobilização”.




