Foto: Haroldo Brito/CTB-RS

A 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos debateu, na tarde desta sexta-feira (27), “O Enfrentamento dos Trabalhadores ao Neoliberalismo e ao Fascismo”, com representantes de centrais sindicais de diversos países. A Conferência acontece até este domingo (29), em Porto Alegre. 

Em comum a todos, a defesa dos direitos dos trabalhadores e a disposição de unir forças para além de seus territórios a fim de fortalecer o enfrentamento do imperialismo e do neofascismo, que ameaçam globalmente a soberania e a vida dos povos. 

Ao iniciar sua fala, o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, enfatizou que “só temos dois caminhos: o socialismo ou a barbárie”.

Ele também salientou “o neoliberalismo não prospera com soberania, democracia e liberdade. Hoje, há uma forte investida no sentido de impor à nossa América uma nova Doutrina Monroe”. 

Para resistir internamente, no caso do Brasil, Araújo pontuou como “necessidade estratégica” reeleger o presidente Lula. “E falo isso porque a realidade brasileira também não é confortável”, disse, lembrando a força da extrema direita no parlamento e sua inserção na sociedade, inclusive na classe trabalhadora, oprimida por esses mesmos movimentos reacionários. 

Foto: Haroldo Brito/CTB-RS

Ele acrescentou que para construir uma nova realidade, isolar e derrotar a extrema direita, “precisamos, primeiramente, nos desapegar da disputa por protagonismo (no campo da esquerda). A disputa deve se dar no marco da política e neste plano acredito que seja preciso lutarmos por um projeto nacional de desenvolvimento sustentável para a nossa nação”. Por fim, Araújo também defendeu uma “radicalidade consequente” contra o neofascismo e o imperialismo. 

Mônica Gurina, da Central Autônoma dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Argentina, denunciou a política ultraliberal e antidireitos conduzida por Javier Milei. E acrescentou: “Na nossa central, os trabalhadores, as mulheres, os camponeses rechaçamos absolutamente a ingerência criminal dos EUA no mundo e também em nosso país. Essa extrema direita, esse neoliberalismo exacerbado, não é mais do que a expressão desesperada do imperialismo decadente frente à rebeldia de nosso povo”. 

Ela também ressaltou que as desculpas usadas pelo imperialismo contra outros países, como as de guerra ao tráfico, ao terrorismo ou o combate ao comunismo são, na verdade, usados pela extrema direita para intervir na política e na economia de nossos países”. 

Humberto Montes de Oca, do Sindicato Eletricitários do México, explicou que muitas vezes acusam os mexicanos de olharem demais para o Norte, mas ponderou que isso acontece porque historicamente, parte do território do México foi roubada pelos EUA. Por isso, completou, “o povo mexicano é naturalmente anti-imperialista”. 

Ele lembrou dos efeitos perversos da política racista e de segregação de Donald Trump contra os latinos, o que os atinge diretamente, e pontuou que apesar de querer construir um muro na fronteira entre os dois países, Trump não conseguiu devido à resistência tanto por parte do México quanto dos mexicanos que vivem nos EUA. 

Oca salientou ainda que “o neofascismo não é um problema nacional, ou de uma região, mas global”. Também destacou que os neofascistas têm um ponto em comum que merece atenção: “são autocratas que chegaram ao poder pela via eleitoral e que depois desmantelaram as instituições que lhes abriram espaço para empoderá-los”. 

Além disso, lembrou que esse movimento se capitalizou a partir da crise estrutural do capitalismo e da crise da democracia liberal burguesa. “Por isso, somos hoje uma sociedade do mal-estar. Os jovens que se atraem pela extrema direita estão zangados porque problemas estruturais que lhes atingem não foram resolvidos”. 

Para enfrentar o fascismo hoje, declarou, “temos de ter um espírito internacionalista” e “precisamos de uma agenda comum para reconstruir um horizonte que emancipe os povos e a classe trabalhadora”. 

Quintino Severo, da CUT, salientou que é preciso “armar politicamente a classe trabalhadora para enfrentar esse debate que não é fácil de ser feito na sociedade” e que “os fascistas se utilizam da crise do capitalismo para se impor”. 

Para ele, esse processo não tem sido fácil e em boa medida explica o motivo de tantos trabalhadores, pessoas oprimidas por esse tipo de política, votarem justamente naqueles que a implementam, como no caso do bolsonarismo. “Precisamos explicar para a classe trabalhadora que só existe um caminho, o do combate ao capitalismo e o do socialismo”, sublinhou.