Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (FAFEN-SE), no município de Laranjeiras | Foto: Divulgação/Petrobrás

As fábricas de fertilizantes nitrogenados da Petrobrás (Fafens) em Laranjeiras (SE) e Camaçari (BA) já estão operando em regime contínuo, marcando um passo decisivo para a redução da dependência externa de insumos agrícolas no Brasil, após a retomada das fábricas pelo governo Lula, que foram privatizadas por Bolsonaro em 2019. 

A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), que produz amônia desde 31 de dezembro, iniciou a produção de ureia em 3 de janeiro. A planta opera 24 horas por dia e despacha, diariamente, 60 caminhões do fertilizante, explicou o gerente geral da fábrica, Carlos Renato Sarruf Guimarães, à reportagem do Movimento Econômico em 16 de março.

“Estamos justamente num processo de reconquistar clientes, credenciar novas empresas e ampliar as vendas. Muitas companhias só compravam fertilizante importado porque não tinham oferta nacional”, afirmou Guimarães. “Ainda não é possível afirmar se há impacto direto da guerra ou se é apenas o movimento natural do mercado com a nossa volta”, completou.

A fábrica sergipana atende pedidos dos estados de Goiás, São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais e Bahia.

Para o governo Lula, a produção de fertilizantes pela Petrobrás fortalece a segurança energética e impulsiona o agronegócio e a indústria brasileira. O Brasil é altamente dependente de fertilizantes estrangeiros. O país importa cerca de 80% do volume que utiliza. 

A Petrobrás afirmou em nota, em fevereiro deste ano, que “até recentemente, praticamente toda a ureia consumida no Brasil era importada, o que tornava o país vulnerável a oscilações externas e gargalos logísticos globais”. “Essa é uma boa forma de deixar claro por que produzir localmente os fertilizantes para atender nosso país é fundamental para conquistarmos mais estabilidade no abastecimento e maior segurança para nossa economia”.

Apesar de tudo isso, Bolsonaro decidiu retirar a Petrobrás do setor de fertilizantes, afundando ainda mais o país na dependência dos adubos importados — grande parte de países como Rússia e Catar -, o que contribui diretamente para o encarecimento da produção agrícola brasileira.

A Fafen-SE foi posta em hibernação, junto com a Fafen-BA, em 2018, por decisão do governo Temer. No final de 2019, Bolsonaro entregou as unidades para a Unigel, por meio de um contrato de cessão temporária de 10 anos. Em 2023, as operações da fábrica foram novamente paralisadas.

A Petrobrás retomou as unidades de fertilizantes em 2025, após disputa arbitral com a Unigel, motivada por divergências nos aportes financeiros não realizados pela Unigel e preços do gás. As reestatizações das fábricas nordestinas atendiam ao Plano de Negócios 2025-2029 da estatal, que, entre outros pontos, propõe “alcançar uma solução definitiva, rentável e viável para o suprimento de fertilizantes ao mercado brasileiro”. 

Janeiro deste ano marcou a retomada das fábricas de fertilizantes nitrogenados no Nordeste, informou a Petrobrás. Juntas, as plantas de Sergipe e da Bahia vão produzir amônia, ureia e ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo), com investimentos iniciais de R$ 38 milhões em cada uma. A retomada das FAFENs já está gerando 1.350 empregos diretos e 4.050 indiretos. 

Segundo a Petrobras, a Fafen-SE tem capacidade de produzir 1.800 toneladas por dia de uréia, equivalente a 7% do mercado nacional. Já a Fafen-BA, a planta que fica em Camaçari, pode produzir 1.300 toneladas por dia de ureia, o que corresponde a 5% do mercado nacional. Além disso, a estatal destaca que a operação da fábrica baiana contempla também os Terminais Marítimos de Amônia e Ureia no Porto de Aratu, na cidade de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador.

De acordo com o diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França, na reportagem ao site Movimento Econômico, “as duas FAFENs, juntamente com a Araucária Nitrogenados S.A (ANSA), outra fábrica nacional de fertilizantes da Petrobrás, instalada no Paraná, responderão por 20% de toda a demanda de ureia do Brasil. A nossa expectativa é elevar a produção nacional para 35% nos próximos anos, com uma nova planta em construção no Mato Grosso do Sul”.

Em agosto de 2024, a Petrobrás também reativou a fábrica de fertilizantes Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), no Paraná, que estava inativa e posta à venda pelo governo Bolsonaro em 2020. 

Situada ao lado da Refinaria Presidente Getúlio Vargas – REPAR, a ANSA, também conhecida por (Fafen-PR) possui capacidade de produção de 720 mil toneladas/ano de ureia e 475 mil toneladas/ano de amônia. No último dia 23 de março foram encerradas as inscrições do concurso, que tem como objetivo reforçar o quadro de funcionários da empresa, seguindo o plano de retomada operacional da unidade. 

No último ano do seu governo, Bolsonaro vendeu a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III) em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, para o grupo russo Acon. A construção da UFN-III teve início em setembro de 2011, mas foi interrompida em dezembro de 2014, com avanço físico de cerca de 81%.

Com tudo, o negócio foi cancelado pela gestão da Petrobrás — que, já sob o comando do presidente Lula, também decidiu dar seguimento às obras da UFN-III. Após concluída, a unidade terá capacidade projetada de produção de ureia e amônia de 3.600 toneladas/dia e 2.200 t/dia, respectivamente.

Fonte: Página 8