“Trump não tem moral para exigir nada de Cuba”, diz Díaz-Canel
“Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dirá o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos e ela não ameaça, ela se prepara para defender a Pátria até a última gota de sangue”, afirmou o presidente cubano Miguel Díaz-Canel em resposta a recentes ameaças de Trump, em entrevista à NBC News na quinta-feira (9).
Cuba se encontra sob um bloqueio naval imposto pelo governo Trump em fevereiro, que proíbe navios-tanque de entregarem combustível à ilha, provocando uma crise energética, com blecautes afetando serviços essenciais como atendimento em hospitais e levando ao colapso do turismo, principal fonte de renda para a economia cubana. Até então, a Venezuela era o principal fornecedor de petróleo a Cuba, o que foi barrado após o ataque dos EUA a Caracas e sequestro do presidente Maduro e sua esposa.
“Sugiro fortemente que eles façam um acordo antes que seja tarde demais”, vociferou Trump, elevando o tom à já histórica agressividade de Washington na sanha de submeter Cuba à sua vontade imperialista.
Mostrando que as provocações dos americanos não se restringem somente à Casa Branca, na entrevista, a jornalista Kristen Welker se sujeitou a ser instrumento de uma provocação a Díaz-Canel, perguntando se ele pretendia renunciar ao cargo de presidente de Cuba.
Na ensaiada questão, ela indagou se o presidente cubano estaria “disposto a renunciar se isso significasse salvar Cuba”.
Díaz-Canel respondeu inicialmente com uma questão, se “essa é uma pergunta sua, ou é proveniente do Departamento de Estado do governo dos EUA?”. “Você faria essa pergunta a Trump?”, retrucou.
“Em Cuba, as pessoas que estão em posição de liderança não são eleitas pelo governo dos EUA e não têm um mandato do governo dos EUA. Temos um Estado soberano livre”, acrescentou Díaz-Canel.
“Se o povo cubano entender que eu não estou apto para o cargo, que eu não tenho nenhuma razão para estar aqui, então eu não deveria estar ocupando este cargo de presidente, eu vou responder a eles”, ele continuou.
O líder cubano disse que ele se tornou presidente não por “ambição pessoal ou ambição corporativa ou mesmo uma ambição partidária”, mas foi um mandato do povo cubano. Ele também disse que os EUA “não tem moral para exigir nada de Cuba” e que o governo americano está implementando uma política hostil.
“Estamos interessados em dialogar e discutir qualquer tópico sem qualquer condição”, disse ele, “não exigindo mudanças do nosso sistema político, assim como não estamos exigindo mudanças do sistema americano”.
Fonte: Papiro




