França repatria todo o ouro das reservas que estavam nos EUA
O Banque de France (BdF) anunciou que concluiu a transferência de suas últimas reservas de ouro que estavam nos EUA e com isso, registrou um ganho de quase 13 bilhões de euros entre julho de 2025 e janeiro de 2026.
Os franceses venderam as 129 toneladas de barras de ouro mais antigas que estavam no Federal Reserve (o Banco Central dos EUA) e as substituíram por barras de ouro de melhor qualidade, que atendem a padrões internacionais atuais, concentrando todas suas reservas em Paris.
Ao invés de refinar e repatriar as barras de ouro antigas, eles preferiram vender tudo e comprar novas barras compatíveis no mercado europeu.
De acordo com o BdF, a transação com as 129 toneladas de ouro representa cerca de 5% do total das reservas de ouro da França. O BdF tem uma das maiores reservas de ouro do mundo, cerca de 2.437 toneladas, a maior parte desse montante está localizada no “La Souterraine”, um cofre de alta segurança do BdF que fica a 27 metros de profundidade em Paris.
O governador do BdF, François Villeroy de Galhau, disse que a medida não é política, que a razão da mudança é prática, que o ouro de padrão mais alto é negociado no mercado europeu e que era mais fácil obter na Europa, do que refinar as barras mais antigas no exterior. Ele também disse que a medida ajudou a aproveitar a alta dos preços durante o período.
A França, sendo um membro fundador da Otan, e mesmo sem admitirem publicamente que é uma postura política retirar todo seu ouro em custódia do governo dos EUA e de manter tudo depositado em seu território na França, a ação de se distanciar da esfera de influência da hegemonia americana se torna evidente.
Outro país membro da Otan que está tendo que repensar se o ouro mantido nos EUA compensa é a Alemanha. Parte do ouro alemão permanece no Federal Reserve, 1.236 toneladas de ouro, 37% das reservas totais do ouro alemão, avaliado em cerca de 163 bilhões de euros.
Com as constantes ameaças do presidente americano, Donald Trump, de tomar a Groenlândia à força, aliados europeus estão tendo que repensar sua dependência nos EUA.
“Trump é imprevisível e faz de tudo para gerar receita. É por isso que o nosso ouro não está mais seguro nos cofres do Fed”, disse Michael Jäger, chefe da Associação de Contribuintes Alemães e da Associação Europeia de Contribuintes, mostrando a crescente pressão dos contribuintes pelo afastamento da esfera de influência de um governo dirigido por um “louco e desequilibrado”, como acaba de ser qualificado o presidente Trump.
“O que acontece se a provocação na Groenlândia continuar? … O risco está aumentando de que o Bundesbank alemão não consiga mais acessar seu ouro. Portanto, deve repatriar suas reservas”, disse Jäger.
A repatriação do ouro pelos Bancos Centrais reflete uma tendência mundial, sobre uma crescente desconfiança quanto ao papel do dólar e nas instituições financeira americanas, impulsionando a desdolarização.
O congelamento de 300 bilhões de dólares em reservas do Banco Central da Rússia em fevereiro de 2022 como pressão americana pela guerra na Ucrânia gerou receios quanto à militarização do dólar, sendo usado para submeter países à vontade do imperialismo americano.
A China, visando preservar sua soberania diante da crescente agressividade do governo dos EUA, comprou ouro durante 16 meses consecutivos e atualmente tem 2.308 toneladas de ouro avaliadas em 387,6 bilhões de dólares, cerca de 10% do total das reservas cambiais. Eles também se desfizeram dos títulos do Tesouro dos EUA para cerca de 638 bilhões de dólares, procurando reduzir a dependência no dólar americano.
O Banco Central da Índia repatriou 274 toneladas de ouro que estavam nos cofres do Reino Unido entre março de 2023 e setembro de 2025. Com o objetivo de se protegerem contra riscos geopolíticos de um EUA cada vez mais fora de controle, desde setembro de 2025, mais de 65% das 880 toneladas de ouro indiano estão sendo mantidas dentro de seu território.
Fonte: Papiro



