Orbán e Péter Magyar, ex-aliado que o derrotou | Imagem: reprodução

O Partido dos Trabalhadores Húngaros (PTH), organização que integra o Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários (EIPCO), divulgou, na segunda-feira (13), uma nota da presidência nacional sobre o resultado das eleições húngaras, realizadas no dia anterior, nas quais Viktor Orbán (Fidesz-KDNP) foi derrotado por Péter Magyar (Tisza).

Para os comunistas húngaros, liderados pelo ex-diplomata Gyula Thürmer, “o capital multinacional e a liderança liberal da União Europeia fizeram de tudo para derrubar o governo Fidesz-KDNP e para que a Hungria tivesse um governo que servisse aos interesses ocidentais. Eles construíram e financiaram o Partido Tisza”. Segundo a presidência do PTH, “no dia 12 de abril, não fomos nós que perdemos, mas sim uma facção da classe capitalista húngara que perdeu para a outra”. Leia, abaixo, a íntegra do texto.

Posição da Presidência Nacional do Partido dos Trabalhadores Húngaros sobre as eleições de 2026

A Presidência Nacional do Partido dos Trabalhadores analisou os resultados e as experiências das eleições parlamentares de 2026.

1. No dia 12 de abril de 2026, foram realizadas eleições parlamentares na Hungria. A coalizão conservadora governante Fidesz-KDNP, liderada por Viktor Orbán, sofreu uma derrota, e o Partido Tisza, de maioria liberal e liderado por Péter Magyar, saiu vitorioso.

2.As eleições parlamentares de 2026 ocorreram em uma situação internacional mais tensa do que nunca. As forças capitalistas, em escala global, recorreram à ferramenta da guerra. A humanidade está ameaçada pelo perigo de uma guerra mundial. É assim que as forças capitalistas querem resolver a crise do capitalismo e impedir os movimentos anticapitalistas em seus próprios países.

A luta entre as forças capitalistas liberais e conservadoras tornou-se uma batalha de vida ou morte. As forças liberais estão se esforçando, por todos os meios, para eliminar todos os obstáculos que freiam o domínio total do capital, incluindo as nações independentes.

3. O capital multinacional e a liderança liberal da União Europeia fizeram de tudo para derrubar o governo Fidesz-KDNP e para que a Hungria tivesse um governo que servisse aos interesses ocidentais. Eles construíram e financiaram o Partido Tisza. A UE colocou o governo húngaro sob pressão contínua. A imprensa liberal ocidental e as redes sociais sob o controle das multinacionais pediram abertamente a destituição do governo húngaro. A UE fechou os olhos e até encorajou os ataques da Ucrânia contra o governo húngaro.

4. O povo húngaro, também nesta eleição, não escolheu entre o capitalismo e o socialismo, mas entre dois tipos de capitalismo. Eles não mudaram o sistema, mas substituíram uma equipe da classe capitalista por outra.

5. O Partido dos Trabalhadores participou da eleição em coalizão com o Partido da Solidariedade. Apresentamos a alternativa de uma nova sociedade comunitária, confiando que as pessoas, mais cedo ou mais tarde, a compreenderão. A coalizão conseguiu lançar 58 candidatos individuais. As pessoas os receberam com confiança, e isso é algo muito importante. Não é suficiente para o sucesso agora, mas representa um ponto de apoio e um encorajamento para o futuro. No dia 12 de abril, não fomos nós que perdemos, mas sim uma facção da classe capitalista húngara que perdeu para a outra. Não devemos desanimar, mas continuar trabalhando.

6. As organizações do Partido dos Trabalhadores realizaram um trabalho imenso em vários lugares e se apoiaram em seu conhecimento local e em suas conexões sociais. É necessário fortalecer a base social e expandir os contatos. É necessário fortalecer a disciplina no trabalho do partido. Todos nós somos responsáveis pelo destino do Partido dos Trabalhadores.

O Partido dos Trabalhadores está pronto para expandir suas relações com o Partido da Solidariedade. Na nova situação, há uma necessidade ainda maior de uma oposição de esquerda que represente os interesses do povo e dos trabalhadores.

7. A Presidência Nacional pede aos membros e organizações do partido que todos mantenham a calma. Também devemos nos preparar para o fato de que as medidas do Partido Tisza limitarão as oportunidades democráticas existentes.

Budapeste, 13 de abril de 2026”.

PC Português também expressou sua avaliação sobre o resultado das eleições húngaras

O Gabinete de Imprensa do PCP divulgou, nesta terça-feira (14), um texto sobre a derrota de Viktor Orbán. Leia a íntegra:

“O resultado das eleições na Hungria é marcado pela derrota do Fidesz – força política que governou aquele país nos últimos 16 anos – e pela vitória do Tisza – partido liderado por Péter Magyar, que ainda recentemente integrava o partido dirigido por Viktor Orbán –, tendo apenas ficado representadas no parlamento forças de direita e extrema-direita, o que deixa antever o prosseguimento de uma política contrária aos interesses dos trabalhadores e do povo húngaro.

A vitória do Tisza – força política criada em 2020 e relançada em 2024 com a entrada de Péter Magyar para a sua liderança – representará, apesar de diferenças, o prosseguimento e aprofundamento de aspectos essenciais da política do Fidesz ao serviço do grande capital, incluindo aqueles que estão alinhados com as políticas neoliberais e militaristas da União Europeia. Entre aquelas que estão programadas, encontram-se, por exemplo, a gradual eliminação dos preços regulados da eletricidade e do gás para as famílias; a imposição aos novos trabalhadores dos fundos de pensões privados; privatizações; a aplicação dos critérios do Pacto de Estabilidade; o aumento das despesas militares no âmbito da Otan e um maior alinhamento com a política da União Europeia de prolongamento da guerra na Ucrânia.

Importa recordar que o partido de Viktor Orbán, que integra desde 2024 um dos grupos parlamentares de extrema-direita, chegou a partilhar com o PSD e o CDS o Grupo do Partido Popular Europeu (PPE) no Parlamento Europeu.

Nesta ocasião, o PCP saúda e expressa a solidariedade aos comunistas e outros democratas e patriotas húngaros que persistem na defesa dos direitos, interesses e aspirações dos trabalhadores e povo húngaro, da paz e do progresso social”.

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*publicado por i21, boletim da secretaria de Relacões Internacionais do PCdoB