Trump diz ter resgatado piloto; Irã nega e apresenta fotos de caças abatidos
Após o presidente Donald Trump ter anunciado, neste domingo (5), em postagem em sua plataforma Truth Social, que o piloto do F-15 derrubado sobre o Irã havia sido “resgatado”, embora “gravemente ferido”, Teerã negou e mostrou aeronaves abatidas na tentativa de resgate. Trump ainda não divulgou fotos ou vídeos do resgate.
“O porta-voz do quartel-general das Forças Armadas do Irã anunciou neste domingo (5), que forças militares iranianas destruíram várias aeronaves dos Estados Unidos no sul de Isfahan, frustrando uma tentativa de missão de resgate de um piloto de caça americano abatido”, disse a agência iraniana Tasnin.
As fotos mostram destroços do que parecem ser dois helicópteros. Segundo a Tasnin, foram abatidos dois helicópteros Black Hawk e um avião de transporte C-130. “O porta-voz disse que a operação resultou na destruição de várias aeronaves hostis e descreveu o resultado [da operação] como outra derrota humilhante para os Estados Unidos, traçando paralelos com a fracassada operação Eagle Claw, de abril de 1980”, acrescentou a agência.
Irã postou fotos de destroços de aviões dos EUA abatidos na província de Isfahan (HispanTV).
A destruição das aeronaves em solo iraniano foi confirmada pelo The New York Times que, no entanto, diz que o piloto já havia sido extraído naquele momento. Segundo essa versão, os EUA teriam explodido quatro de suas próprias aeronaves no chão, para evitar que fossem capturadas pelas forças iranianas. As aeronaves de resgate teriam pousado em uma pista de reabastecimento improvisada dentro do Irã, mas não conseguiram deixar o país por motivos que ainda não foram esclarecidos.
Esse confronto é citado na declaração do porta-voz iraniano, tenente-coronel Ebrahim Zolfaqari, que expôs o fracasso da operação norte-americana e as “mentiras” de Trump.
No sábado, a tevê iraniana havia mostrado a participação da população na caçada ao piloto derrubado e também mostrou pessoas com armas leves disparando contra helicópteros norte-americanos. O outro piloto do F-15 já havia sido resgatado pelos norte-americanos.
Os norte-americanos tiveram um dia de cão na sexta-feira, quando as defesas antiaéreas iranianas – que Trump jura que já não existem — derrubaram dois caças e um A-10.
O Irã conseguiu abater 2 caças americanos, abatidos em dois ataques diferentes. Os americanos enviaram helicópteros de resgate para a área onde as aeronaves foram abatidas.
De acordo com o The New York Times, uma terceira aeronave da Força Aérea americana, um A-10 Warthog, foi abatida enquanto sobrevoava a região do Golfo Pérsico.
Além dessas, um helicóptero americano UH-60 Black Hawk, também foi atingido pela defesa iraniana enquanto tentava fazer uma operação de resgate do tripulante americano que desaparecido em território iraniano.
Esse desastre para as forças americanas aconteceu logo depois que o presidente americano, Donald Trump, deu um discurso nacional dizendo que os EUA “espancaram e dizimaram completamente o Irã” e que eles “vão terminar o trabalho, e vamos terminá-lo muito rápido”.
Agora, desesperado por uma saída da catástrofe que começou ao arbitrariamente declarar guerra contra o Irã ao bombardear o território iraniano em 28 de fevereiro, matando centenas de civis iranianos e oficiais do governo do Irã, Trump minimizou o ocorrido e disse que o abatimento das aeronaves não afetará as negociações que estão em andamento com Teerã.
“Não, de forma alguma. Não, isto é uma guerra. Estamos em guerra”, disse Trump.
Nas redes sociais, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, ironizou a incompetência das forças americanas.
“Depois de derrotar o Irã 37 vezes seguidas, esta brilhante guerra sem estratégia que eles começaram agora foi rebaixada de ‘mudança de regime’ para “Ei! Alguém pode encontrar os nossos pilotos? Por favor?”, disse Mohammad. “Uau. Que progresso incrível. Gênios absolutos.”
A revista Time comunicou que o presidente americano, Trump, está procurando uma saída para o conflito que começou com o Irã, com medo de uma reação do povo americano nas urnas pelo desastre militar prolongado contra o Irã nas eleições parlamentares desse ano.
Na sexta-feira, a Casa Branca tentou pedir um cessar-fogo de 48 horas para o governo iraniano, sinalizando que as coisas não estão boas para o lado das forças americanas da guerra, o Irã prontamente comunicou que rejeitou o pedido.
O episódio trouxe à tona dois pesadelos vividos pelos EUA em sua escalada imperialista: os pilotos abatidos sobre o Vietnã durante os bombardeios de “cachorro doido” de Nixon, capturados com a ajuda da população e encarcerados; e a operação Eagle Claw [Garra de Águia, em tradução livre], a fracassada tentativa, em 25 de abril de 1980, de resgatar os 52 reféns na embaixada em Teerã. Oito militares morreram na operação e várias aeronaves americanas ficaram fora de combate, antes mesmo de se aproximarem de Teerã, forçando o então presidente Jimmy Carter a abortar a missão.
Fonte: Papiro



