Foto: Reprodução

O Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Saúde (MS) divulgaram a análise dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025. O Enamed é a modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de medicina e permite o aproveitamento de seus resultados nos processos seletivos de programas de residência médica. 

Os resultados apresentados referem-se aos 351 cursos de medicina que participaram do Enamed 2025. Desses, 304 pertencem ao Sistema Federal de Ensino, que inclui as instituições públicas federais e as instituições privadas. Os demais são regulados pelos sistemas estaduais. 

Mais de 100 cursos de medicina do país tiveram resultados insatisfatórios no Enamed 2025, ou 30% dos cursos avaliados. 204 cursos ficaram nas faixas 3 a 5 do Conceito Enade (67,1%); 99 cursos ficaram nas faixas 1 e 2 do Conceito Enade (32,6%); 1 curso ficou sem conceito (0,3%).

Dos 107 cursos reprovados, apenas 99 vão enfrentar as penalidades, uma vez que as faculdades estaduais e municipais não estão sob gerência do ministério.

Os cursos mal avaliados serão “punidos”. As medidas de intervenção vão variar conforme a nota obtida no Enamed. Instituições que receberem conceito 2 não poderão ampliar o número de vagas e terão suspensa a possibilidade de firmar novos contratos pelo Fies e pelo Prouni.

Já aquelas que tirarem nota 1 enfrentarão sanções mais duras, como a redução das vagas disponíveis a partir do primeiro semestre de 2026, podendo chegar, em último caso, ao cancelamento do vestibular. Atualmente, a nota máxima é 5.

A aplicação das provas foi realizada em 19 de outubro, para estudantes de medicina na reta final do curso, pela primeira vez. Efeitos das novas regras entram em vigor no primeiro semestre de 2026.

Desses cursos, 8 não podem receber novas matrículas, 13 vão ter de reduzir pela metade o número de cursos e 33 vão ter de reduzir em 25% o número de vagas. Todos esses estão suspensos do Fies e de outros programas federais. Os 45 cursos restantes apenas não podem aumentar o número de vagas.

O ministro da Educação, Camilo Santana, reforçou o papel do Enamed como um instrumento de diagnóstico da formação médica no país, mostrando as instituições que estão tendo um bom desempenho e que precisam melhorar. Para ele, é fundamental que os médicos tenham uma boa formação para garantir o atendimento dos cidadãos nos hospitais, postos de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). “Há uma grande preocupação nos ministérios da Educação e da Saúde em assegurar que os cursos oferecidos aos alunos brasileiros possam garantir a qualidade da formação médica nesse país, até porque são profissionais que cuidam da vida das pessoas”. 

Santana destacou que os resultados do Enamed mostraram que 85% dos cursos municipais foram considerados insatisfatórios. Também ressaltou que mais de 80% dos cursos superiores de medicina no Brasil são oferecidos por instituições de ensino superior privadas e que instituições que cobram mensalidade dos alunos devem apresentar qualidade no ensino. “O que estamos avaliando é se os cursos têm uma boa infraestrutura, se eles têm monitoria, laboratório, se têm bons professores. E isso a gente só pode fazer avaliando os resultados e, também, dialogando com as instituições para que possam melhorar”, considerou.  

Sobre as medidas aplicadas às universidades cujos concluintes não atingiram o nível mínimo de aprendizagem ao final do curso, como a supervisão ou a suspensão das graduações, Santana destacou que nenhum aluno será prejudicado. Segundo ele, o objetivo “não é aplicar sanções ou penalidades intencionais a qualquer instituição, mas assegurar a formação de médicos de qualidade no Brasil”.

Fonte: Página 8