Doador de R$ 2 mi vira alvo da PF, e Tarcísio diz desconhecer “qualquer vínculo”
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, negou “qualquer vínculo ou relação” com o empresário Fabiano Zettel, um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (14/1). A negativa ocorre apesar de Zettel ter sido o maior doador individual da campanha eleitoral de Tarcísio ao Palácio dos Bandeirantes em 2022.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que Fabiano Zettel repassou R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio de Freitas. No mesmo período, o empresário também destinou R$ 3 milhões à campanha do então presidente Jair Bolsonaro. O volume das contribuições fez com que Zettel figurasse entre os principais financiadores privados das campanhas, ficando atrás apenas dos diretórios partidários das coligações.
A assessoria do governo paulista divulgou nota afirmando que a campanha foi conduzida dentro da legalidade e negando qualquer tipo de relação pessoal ou política entre o governador e o empresário investigado.
“A campanha de Tarcísio de Freitas contou com mais de 600 doadores e foi conduzida com total respeito às leis eleitorais. O governador não possui qualquer vínculo ou relação com o doador citado, bem como conhecimento prévio sobre possíveis condutas que não dizem respeito à campanha. Vale destacar que a prestação de contas de Tarcísio foi devidamente aprovada pela Justiça Eleitoral”, afirmou o governo paulista.
Fabiano Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, instituição que também entrou no radar das investigações. Zettel foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, no momento em que se preparava para embarcar em um voo com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A detenção ocorreu para cumprimento de mandado de busca e apreensão. Após a ação, ele foi liberado.
Além das doações às campanhas de Tarcísio e Bolsonaro, Zettel também contribuiu com R$ 10 mil para a campanha de Lucas de Vasconcelos Gonzales, que concorreu ao cargo de deputado federal por Minas Gerais pelo partido Novo. O candidato não foi eleito.
A segunda fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada após a análise de provas reunidas na etapa inicial da investigação, realizada em novembro. A partir desse material, os investigadores identificaram novos indícios de irregularidades, o que motivou a ampliação das apurações e a realização de novas medidas contra o grupo investigado.
Entre os alvos da operação também está o empresário e investidor Nelson Tanure, conhecido por adquirir participação em empresas em dificuldades financeiras.
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