Embarcação de comboio “Nossa América” chega a Cuba com 30 toneladas de carga solidária enviada do México Foto: Joaquín Hernández Mena

A secretária de Relações Internacionais do PCdoB, Ana Prestes, retornou ao Brasil após integrar a Caravana Nossa América a Cuba, realizada entre 18 e 22 de março. A missão, denominada “Comboio Nuestra América”, reuniu mais de 600 pessoas de 33 países e 120 organizações, com o objetivo de prestar solidariedade direta ao povo cubano e entregar ajuda humanitária. Em depoimento, Ana Prestes descreveu uma realidade de sofrimento imposto pelo bloqueio estadunidense, mas também de resistência inabalável.

Cerco imperialista em nova fase

Segundo Ana Prestes, a situação em Cuba agravou-se com a falta de combustível e a instabilidade do sistema elétrico, gerando efeitos em cadeia: dificuldades na distribuição de alimentos e medicamentos, funcionamento precário de hospitais, recolhimento irregular de lixo e insuficiência do transporte público. “É um momento de castigo, de punição por parte dos Estados Unidos”, avaliou, conectando o estrangulamento a uma “nova estratégia de segurança nacional” e de segurança hemisférica do governo Trump.

A secretária destacou que o ataque a Cuba não é isolado: integra uma ofensiva regional que teve início com a Venezuela em 2026, passa por acordos com o Paraguai e pressões sobre o Panamá para retirar o país da rota comercial da China. “É um estrangulamento da possibilidade de sobrevivência do povo cubano”, sintetizou.

Guerra sem bombas, mas com mortos

Um dos pontos mais graves relatados por Ana Prestes foi o impacto humano da crise energética. “É possível dizer, sim, que eles estão em uma guerra, uma guerra sem bombas, mas uma guerra com feridos, com mortos”, afirmou. Segundo ela, há registros de pessoas que vêm a óbito em hospitais ou permanecem em estado vegetativo devido à insuficiência de energia para equipamentos médicos essenciais.

Apesar da gravidade, a dirigente fez questão de precisar: “Não podemos dizer que há uma crise humanitária total, porque os cubanos ainda têm alimentos, têm água”. O problema, explicou, é a logística: “Vai ficando cada vez mais difícil a chegada desses suprimentos às diversas regiões do país”.

Solidariedade concreta: alimentos, remédios e energia solar

A caravana levou ao país caribenho alimentos, medicamentos e placas solares. Ana Prestes informou que as campanhas de arrecadação seguem “em pleno vapor”, pois a necessidade é contínua. A aposta na energia fotovoltaica tem estratégia clara: “O sol eles não podem bloquear”, observou, destacando que a cooperação tecnológica com a China já permite que 50% da eletricidade em Cuba venha de fontes solares.

A missão permitiu um contato direto com a realidade cubana. “Pudemos conviver com eles essa situação e perceber como o povo cubano está lidando com isso de uma forma muito sofrida, muito injusta”, relatou. Ao mesmo tempo, Ana Prestes registrou admiração pela capacidade de resposta: “Um povo que usa sua criatividade para superar os problemas”.

Determinação, não esmorecimento

Para a secretária do PCdoB, a principal lição da viagem foi a constatação de que, apesar do sofrimento, não há sinal de rendição. “Há uma luta, há uma determinação de enfrentamento dessa situação e não de esmorecimento”, afirmou. Essa postura, segundo ela, reflete a consciência política do povo cubano sobre a origem do cerco: “É o imperialismo dos Estados Unidos que tem impingido uma das suas piores fases e mais agressivas sobre nossos povos aqui na região”.

Ana Prestes encerrou reafirmando o compromisso internacionalista do PCdoB: “Segue nossa total solidariedade ao povo cubano, ao governo cubano, ao Partido Comunista Cubano, que vai superar mais essa fase brutal de ataque dos Estados Unidos”. A mensagem é clara: a solidariedade não pode ser apenas discurso, mas ação concreta, organizada e permanente. Em tempos de ofensiva imperialista, a unidade dos povos segue sendo a principal arma contra a barbárie.

por Cezar Xavier