Para tentar esvaziar possível cassação, Castro vai renunciar ao governo do RJ
Às vésperas da retomada do julgamento que pode cassar seu mandato e torná-lo inelegível, o governador bolsonarista do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), decidiu renunciar ao cargo em cerimônia a ser realizada na tarde desta segunda-feira (23). Ele é acusado de abuso de poder político e econômico na campanha à reeleição do bolsonarista, em 2022.
Embora tenha sinalizado o desejo de concorrer ao Senado nas próximas eleições, ao que tudo indica o bolsonarista busca, com essa manobra, esvaziar o peso de uma decisão de cassação sobre sua imagem.
A renúncia de Castro deixa o estado do Rio de Janeiro numa situação rara, uma vez que o vice, Thiago Pampolha (MDB) — que também é acusado no processo — renunciou ao cargo para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE).
O seguinte na linha sucessória seria o presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), que também está afastado do cargo e também responde à mesma ação, além de ser investigado por supostas ligações com o Comando Vermelho (CV).
Por isso, quem assumirá interinamente será Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Na sequência, a Alerj deverá realizar eleição indireta em até 30 dias para escolher o próximo governador, que terminará o mandato em 31 de dezembro deste ano, dando lugar ao que for eleito em outubro.
Julgamento no TSE
Mesmo deixando o governo, o julgamento de processo contra Cláudio Castro e outras autoridades aliadas, que corre no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), seguirá normalmente e será retomado nesta terça-feira (24).
Além de Castro, também são julgados o ex-vice-governador Thiago Pampolha (MDB) e o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), entre outros. Se condenados, eles podem ser cassados e ficar inelegíveis, além de terem de pagar multa.
De acordo com a acusação apresentada pelo Ministério Público Estadual, o processo trata de contratações irregulares na Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
O MPE afirmou que Castro obteve vantagem eleitoral na contratação de servidores temporários, sem amparo legal, e na descentralização de projetos sociais, ao enviar recursos para entidades desvinculadas da administração pública do Rio.
O julgamento teve início em novembro de 2025 e foi suspenso após pedido de vista do ministro Antonio Carlos Ferreira. Na ocasião, a ministra-relatora, Isabel Gallotti pediu a condenação de Castro, Bacellar e, ainda, Gabriel Rodrigues Lopes, ex-presidente da Ceperj.
Retomado no início do mês, o julgamento foi novamente suspendo após o pedido de vista do ministro Kássio Nunes Marques. Do total de sete ministros, Isabel, a relatora, e Ferreira, votaram pela condenação.




