Professor Olival Freire Junior, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Foto: Luara Baggi (ASCOM/MCTI)

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) completou oficialmente 75 anos em 15 de janeiro de 2026, mas a grande cerimônia ocorrerá em 23 de março, no Teatro Nacional, às 18h.

“Faremos uma grande comemoração no dia 23 de março”, afirma o presidente da instituição, Olival Freire Júnior. Segundo ele, o evento foi planejado para reunir não apenas autoridades, mas a base do sistema científico. “Precisamos que o presidente tenha um encontro com o ‘chão de fábrica da ciência’.”

Raízes no desenvolvimentismo e na era Vargas

Criado na transição para o segundo governo de Getúlio Vargas, o CNPq nasceu no contexto de reorganização do Estado brasileiro sob forte inspiração nacional-desenvolvimentista.

“O CNPq foi fruto de uma conjuntura única na construção da nação. Ele é criado na transição do primeiro para o segundo governo Vargas e instalado pelo Almirante Álvaro Alberto”, afirma Olival.

A instituição é “irmã temporal” de estruturas decisivas como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Petrobras, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (então BNDE), o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

“A lista mostra um esforço brasileiro consciente de valorizar ciência e tecnologia como parte do desenvolvimento nacional”, avalia.

Defesa, soberania e ciência

Freire Jr. enfatiza o papel histórico das Forças Armadas na criação do sistema científico brasileiro.

“É impossível pensar defesa sem ciência e tecnologia, e vice-versa, em qualquer país do mundo. Não é uma particularidade brasileira”, afirma.

O almirante Álvaro Alberto, patrono do CNPq, e o brigadeiro Montenegro, criador do ITA, simbolizam essa interseção entre soberania e conhecimento estratégico.

Cortes, negacionismo e ruptura recente

Ao analisar os 75 anos da instituição, Freire reconhece oscilações, mas faz uma distinção clara sobre o período recente.

“Do impeachment da presidenta Dilma para cá, e particularmente no último governo, tivemos perseguições a cientistas e cortes orçamentários significativos.”

Ele aponta um elemento inédito na história brasileira: “Pela primeira vez, houve uma campanha estruturada para desacreditar o valor da ciência. Tivemos um negacionismo cristalizado, especialmente durante a pandemia.”

Durante a ditadura militar, segundo ele, houve uma “coexistência complexa”: investimento estrutural simultâneo a perseguições políticas. Já no período recente, o dano foi também simbólico e cultural.

“Não basta ter orçamento; é preciso orçamento regularizado e uma mudança na cultura da sociedade brasileira para valorizar a ciência.”

Olival destaca como marco positivo o fim do contingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Blindagem depende de projeto nacional

Questionado sobre como proteger o sistema científico de oscilações políticas, o presidente do CNPq é direto:

“A verdadeira blindagem é o Brasil buscar um caminho de desenvolvimento econômico, social e sustentável em um cenário de liberdade.”

Para ele, ciência e democracia são estruturalmente interdependentes. “Sem esses elementos, corremos o risco de atraso no desenvolvimento das ciências e tecnologias.”

Orçamento: recuperação insuficiente

Freire reconhece avanço orçamentário no atual governo, com recuperação de “quase 50% a 60% nas agências”.

Mas relativiza: “Se pergunto se isso é suficiente, a resposta clara é não.”

Ele cita desafios estruturais — inteligência artificial (IA), terras raras, transição energética e biodiversidade — e menciona a fuga de cérebros após 2016.

“Formamos aceleradamente mão de obra qualificada, mas parte do problema foi a falta de absorção desses talentos.”

Inteligência artificial e Amazônia no centro da agenda

Desde 2023, o CNPq implementou:

  • Repatriação de cerca de 600 cientistas;
  • R$ 1,6 bilhão investidos nos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs);
  • Oito INCTs dedicados exclusivamente à inteligência artificial;
  • 1.500 novas bolsas de produtividade;
  • Editais voltados à Amazônia e à diversidade científica.

“Estar preparado é um processo permanente”, afirma.

Produção científica forte, inovação frágil

O Brasil ocupa a 13ª posição mundial em produção científica, mas cai para a faixa de 50º a 60º lugar em inovação econômica.

“Nossa fraqueza está na inovação”, diz Freire. “Esse é o desafio da Nova Indústria Brasil: industrializar com mais produtividade.”

Ele também critica a concentração regional da ciência no Sudeste e defende políticas de descentralização.

Encantar a juventude novamente

Mais do que números e editais, Freire revela uma ambição simbólica.

“Quero contribuir para que a sociedade se encante com a ciência como se encanta com a cultura e o esporte.”

Ele lembra que, nos anos 1970, cientistas como César Lattes eram celebridades nacionais.

“Não queremos que todo estudante vire cientista. Queremos que a ciência seja vista como projeto de futuro.”

Celebração com “mão na massa”

A cerimônia de março será estruturada como um mosaico do sistema científico brasileiro.

“Não será apenas um encontro de autoridades. A maior parte das intervenções será de pesquisadores que estão com a ‘mão na massa’.”

Para o presidente do CNPq, os 75 anos simbolizam mais do que longevidade institucional: representam a disputa pelo lugar da ciência no projeto nacional brasileiro.

“Celebrar os 75 anos é celebrar um capítulo da história do desenvolvimento deste país.”

Leia os principais trechos da entrevista:

Origem e significado histórico

Vermelho: O CNPq completa 75 anos em 2026. Qual é o significado histórico dessa instituição para a construção do Estado brasileiro moderno?

Olival Freire Júnior: O aniversário oficial é em 15 de janeiro, mas faremos uma grande comemoração no dia 23 de março, às 18 horas, no Teatro Nacional. A opção por essa data específica deve-se a conveniências de agenda das diversas autoridades que participarão do evento.

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) é fruto de uma conjuntura muito precisa da construção da nação brasileira. Ele é criado na transição para o segundo governo de Getúlio Vargas e instalado nesse período.

O CNPq surge junto com um conjunto de instituições que refletem um novo espírito do Estado brasileiro diante da ciência e da tecnologia. Na mesma época, foram criadas:

  • a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por iniciativa de Anísio Teixeira;
  • a Petrobras, que mudaria completamente o cenário energético do país;
  • o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (então BNDE), instrumento central no financiamento do desenvolvimento;
  • o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), idealizado pelo brigadeiro Montenegro, essencial para a criação da Embraer e da indústria aeronáutica brasileira;
  • e o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), sob liderança de cientistas como César Lattes, José Leite Lopes, Jayme Tiomno, Nilza Amaral e Elisa Frota Pessoa.

Essa lista mostra um esforço brasileiro consciente de valorizar a ciência e tecnologia como parte do desenvolvimento nacional. As raízes mais profundas dessa reorientação do Estado estão na Revolução de 30 e no esforço de modernização, acelerados pela percepção global do uso da ciência na Segunda Guerra Mundial (armas atômicas, radar, antibióticos). Lideranças políticas, empresariais, militares e científicas brasileiras, de viés nacionalista, perceberam que o Brasil tinha potencialidades a desenvolver, especialmente recursos minerais (as chamadas terras raras, então exportadas para os EUA com implicações nucleares) e petróleo.

Portanto, o CNPq é parte desse esforço histórico de arrancada para o desenvolvimento econômico e industrial do país. Isso alterou a percepção mundial sobre o papel estratégico da ciência.

Esse espírito cristalizou-se mais tarde na ideologia do desenvolvimentismo (governo JK, ISEB), mas as raízes estão precisamente no segundo governo Vargas. O CNPq nasce desse contexto de arrancada para o desenvolvimento econômico e industrial. Hoje compreendemos melhor que esse desenvolvimento precisa ser também social e ambientalmente sustentável, temáticas menos postas na década de 50. Portanto, celebrar os 75 anos é celebrar um capítulo da história do desenvolvimento deste país.

Papel das Forças Armadas

Vermelho: As Forças Armadas tiveram um papel fundamental nesse processo inicial. Elas ainda mantêm um papel importante nessas instituições de pesquisa?

Olival Freire Júnior: Sim. O ITA foi criado sob a liderança do Brigadeiro Montenegro (cuja biografia foi escrita por Fernando Moraes) e o Almirante Álvaro Alberto é o patrono do CNPq. Isso é bem documentado. É impossível pensar defesa sem ciência e tecnologia, e vice-versa, em qualquer país do mundo. Não é uma particularidade brasileira. Seria estranho imaginar um país onde organismos de defesa e forças armadas fossem insensíveis ao desenvolvimento científico e tecnológico. Esse papel permanece importante até hoje. No mundo inteiro, organismos de defesa estão atentos ao desenvolvimento científico e tecnológico.

Altos e baixos ao longo de 75 anos

Vermelho: Ao longo desses 75 anos, o CNPq teve altos e baixos, especialmente com impactos recentes nos últimos governos. Como o senhor analisa essa trajetória?

Olival Freire Júnior: Certamente. Desde o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, e particularmente no governo anterior, houve cortes orçamentários e perseguições a cientistas.

Não foi uma trajetória suave. Mas, olhando os 75 anos, prevalece um elemento de continuidade — tanto em períodos democráticos quanto no regime militar.

No governo passado houve algo inédito: uma campanha para desacreditar o valor da ciência, especialmente durante a pandemia. Esse negacionismo causou danos não só orçamentários, mas culturais.

Hoje, além de orçamento — como o não contingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — precisamos também de valorização cultural da ciência.

A explicação remete à economia: o esforço de desenvolvimento científico e tecnológico fez parte de um ciclo de desenvolvimento capitalista na sociedade brasileira. Não se pode pensar desenvolvimento científico sem um novo projeto de desenvolvimento para o país. Das lições da história, incluindo como superamos o período ditatorial e enfrentamos as ameaças do governo passado, fica claro que a defesa da democracia é uma questão absolutamente central e necessária para o desenvolvimento da ciência e tecnologia.

Comparação com a ditadura

Vermelho: O desmonte e os ataques que a ciência sofreu no último governo foram inéditos, maiores do que os ocorridos durante a ditadura?

Olival Freire Júnior: É difícil fazer comparações diretas porque são realidades distintas. Durante a ditadura, houve uma coexistência complexa: apoio material ao nascimento da ciência e tecnologia por governos militares, simultaneamente a perseguições a cientistas específicos.

No governo passado, tivemos uma natureza distinta de perseguição, profundamente venenosa. Pela primeira vez na história do Brasil, houve uma campanha estruturada para desacreditar o valor da ciência. Tivemos um negacionismo cristalizado, especialmente durante a pandemia, que causou prejuízos enormes não só pela retirada de recursos, mas por arranhar a própria ideia de que a ciência é uma atividade importante. No CNPq, defendemos que não basta ter orçamento; é preciso ter orçamento regularizado (como ocorreu com o fim do contingenciamento do FNDCT pelo presidente Lula) e, fundamentalmente, uma mudança na cultura da sociedade brasileira para valorizar a ciência.

Vermelho: Qual é a estratégia da extrema direita para a ciência? Eles têm algum interesse utilitário?

Olival Freire Júnior: É difícil dar uma resposta única, pois varia de país para país. Veja o caso de Trump: inicialmente contestou a seriedade da pandemia, mas quando foi infectado, recorreu imediatamente aos medicamentos mais avançados. No caso específico do Brasil, o que foi dramático foi a campanha ativa para desacreditar a ciência, algo inédito em nossa história.

Blindagem contra oscilações políticas

Vermelho: É possível blindar o financiamento científico contra essas oscilações políticas?

Olival Freire Júnior: Nós, cientistas, sempre temos essa expectativa, mas essa blindagem não pode ser sustentada sem um projeto de desenvolvimento do país. A verdadeira blindagem é o Brasil buscar um caminho de desenvolvimento econômico, social e sustentável em um cenário de liberdade, em ambiente democrático. Sem esses elementos, corremos o risco de ter incidências fortes e atraso no desenvolvimento das ciências e tecnologias. Sem isso, a ciência fica vulnerável.

Orçamento e desafios atuais

Vermelho: Com a recomposição do FNDCT, o atual volume de recursos é suficiente para um salto estrutural e para defender o paradigma estratégico da ciência?

Olival Freire Júnior: A recuperação no governo Lula foi absolutamente crucial, viabilizada pela PEC da Transição, que permitiu um reordenamento do orçamento. Tivemos uma recuperação orçamentária de quase 50% a 60% nas agências, incluindo o CNPq.

Contudo, se pergunto se isso é suficiente ou adequado, a resposta clara é não. Os desafios de desenvolvimento da sociedade brasileira são imensos e acelerados: inteligência artificial, uso de terras raras, transição energética, preservação da biodiversidade. Além disso, formamos aceleradamente mão de obra qualificada nas últimas décadas, e parte do problema da “fuga de cérebros” a partir de 2016 foi justamente a falta de absorção desses talentos. As necessidades são maiores que o atual cenário orçamentário. Estamos no caminho correto, mas a dotação atual ainda está aquém das necessidades do país.

Preparação para novos desafios

Vermelho: O CNPq está preparado para desafios como inteligência artificial, ciência aberta, transição digital e questões energéticas?

Olival Freire Júnior: Estar preparado é um processo permanente. Desde 2023, incorporamos elementos novos que apontam nessa direção. Destaco algumas ações:

  • Repatriação: A maior ação da história do Brasil, trazendo ou fixando cerca de 600 cientistas.
  • INCTs (Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia): Investimento de R$ 1,6 bilhão, ampliando a rede em 20%. Hoje contamos com cerca de 240 institutos, sendo oito dedicados exclusivamente à inteligência artificial.
  • Bolsas de Produtividade: Aumento de cerca de 1.500 novas bolsas (alta de 10%), chegando a quase 18 mil bolsistas, além de reajuste de valores em 2023 (embora novo ajuste seja necessário).
  • Chamadas Universais e Cooperação Internacional: Fortalecimento de linhas tradicionais.
  • Foco na Amazônia: Edital ProAmazônia, com mais de R$ 300 milhões para estruturar grupos e laboratórios na região.
  • Diversidade: Regras para não prejudicar mulheres em situação de maternidade e o Edital Beatriz Nascimento (com o Ministério da Igualdade Racial), enviando mais de 80 cientistas negras para doutorado/pós-doutorado no exterior.

Para o futuro, estamos oferecendo mil bolsas para fixar jovens doutores em todo o país (garantindo cotas mínimas para todas as 27 unidades da federação) e lançaremos novos editais focados em IA. O CNPq atua desde a ponta (bolsa de produtividade) até a base (Iniciação Científica Júnior na educação básica), embora o valor destas últimas (R$ 300 a R$ 700) ainda seja um desafio.

Rankings e geopolítica da ciência

Vermelho: Rankings internacionais, como o de Leiden, colocam o Brasil entre os 20 melhores, destacando a USP, mas revelam uma concentração da ciência. Como o senhor vê o posicionamento do Brasil e do Sul Global nessa geopolítica?

Olival Freire Júnior: Não nos orientamos excessivamente por rankings, pois eles muitas vezes não captam a realidade de instituições vitais como o ITA (que não aparece nesses rankings, mas cujos engenheiros são cobiçados pela Boeing e Embraer). Você não mede adequadamente o impacto do ITA ou da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) nesses rankings.

O Brasil tem uma boa posição em produção de artigos científicos (13º lugar), compatível com o tamanho de nossa economia. Nossa fraqueza está na inovação: caímos para a 50ª ou 60ª posição. Esse é o desafio da “Nova Indústria Brasil”: industrializar com mais produtividade. Enquanto for mais atrativo deixar dinheiro rendendo no banco do que investir na produção, será difícil alterar esse cenário.

Outro ponto crítico é a concentração regional no Sudeste, o que não é positivo. Grandes nações (EUA, França, Alemanha) operaram processos de desconcentração. O Ministério da Ciência e Tecnologia, sob a ministra Luciana Santos, enfatiza a descentralização. O edital de fixação de jovens doutores, por exemplo, garante bolsas para todas as unidades da federação.

Além disso, apostamos nas interações do Sul Global. Recentemente lançamos o edital “Pró-Sul Pepe Mujica” (R$ 50 milhões) para incentivar redes de cooperação na América Latina e Caribe. Essa cooperação Sul-Sul depende da indução estatal, diferentemente da cooperação Norte-Sul que ocorre mais “naturalmente”.

Legado e ambição

Vermelho: Chegamos aos 75 anos com novidades importantes. O que o senhor destacaria como legado ou ambição para sua gestão?

Olival Freire Júnior: Além das realizações já citadas (reajuste de bolsas, garantia de direitos previdenciários em discussão no Congresso com o relator deputado Ricardo Galvão, editais estaduais de fixação), minha ambição é coletiva.

Assumi o CNPq motivado pela mudança política do país em 2022 e pela confiança na ministra Luciana Santos. Formamos uma equipe (com Débora Menezes, Lila Andrade, Claudio Chibitz, Mônica Feldz) com o objetivo de retomar o papel indutor do CNPq na ciência, o que acredito estar cumprindo.

Mas tenho uma expectativa mais imaterial: voltar a encantar a juventude brasileira com a ciência. Na década de 70, meu pai, no interior da Bahia, anunciava orgulhoso que seu filho seria “físico nuclear”, pois havia um encanto social com a tecnologia. César Lattes era uma celebridade, capa de jornal e tema de escola de samba. A sociedade via a ciência como projeto de futuro. Quero contribuir para que a sociedade se encante com a ciência como se encanta com a cultura e o esporte, estimulando jovens a seguirem carreiras científicas.

Juventude e popularização

Vermelho: Como fazer esse diálogo com estudantes do ensino médio e graduação para transformar a ciência em projeto de vida?

Olival Freire Júnior: As principais ferramentas são as Olimpíadas e Feiras Científicas. As Olimpíadas existem desde os anos 90, mas ganharam status de Estado quando o presidente Lula participou da entrega de medalhas da Olimpíada de Matemática em seu primeiro mandato. Hoje temos Olimpíadas de mais de 40 disciplinas (História, Linguística, Ecologia, etc.), apoiadas sistematicamente.

Somamos a isso, sob a liderança da ministra Luciana Santos, o equipamento de laboratórios modernos no contraturno de escolas de tempo integral. O objetivo da popularização não é que todo aluno vire cientista, mas que a notícia de ciência atraia o estudante tanto quanto uma notícia cultural ou esportiva.

Comemoração dos 75 anos

Vermelho: Como será a celebração?

Olival Freire Júnior: Gostaria de reforçar o conceito do nosso evento de comemoração. Quando levamos a proposta ao presidente Lula, usamos a expressão: “Precisamos que o senhor tenha um encontro com o chão de fábrica da ciência”.

O ato no dia 23 de março no Teatro Nacional não será apenas um encontro de autoridades. Será um mosaico vivo: teremos alunos de iniciação científica, pesquisadores experientes, vencedores de primeiros editais e coordenadores de INCTs. A maior parte das intervenções será de pesquisadores que estão com a “mão na massa”. Queremos que os 75 anos sejam uma celebração da presença viva da ciência na sociedade brasileira.

(por Cezar Xavier)