A 46 dias da cerimônia de entrega do Oscar 2026, O Agente Secreto está às voltas com duas contagens regressivas. A primeira, claro, diz respeito à expectativa de sair vitorioso na premiação hollywoodiana, marcada para 15 de março, no Teatro Dolby, em Los Angeles.

O longa de Kleber Mendonça Filho recebeu quatro indicações – melhor filme, melhor filme internacional, melhor seleção de elenco e melhor ator (Wagner Moura). Se vencer em qualquer uma dessas categorias, repetirá o feito de Ainda Estou Aqui, que conquistou, em 2025, uma inédita estatueta para o Brasil no Oscar – a de melhor filme internacional.

A segunda contagem regressiva é a que levará O Agente Secreto a se tornar a obra mais premiada na história do audiovisual brasileiro. Filmes como O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte, e Central do Brasil (1998), de Walter Salles, ocuparam a liderança do ranking por décadas. Mas produções recentes têm superado esses recordes, num inequívoco sinal de vitalidade de nosso cinema.

Ainda Estou Aqui (2024), estrelado por Fernanda Torres e também dirigido por Walter Salles, alcançou o primeiro lugar da lista ao somar 71 prêmios, em 43 festivais nacionais e internacionais, de 2024 a 2026. Além do Oscar, o filme foi agraciado em eventos como o Festival de Veneza, o Globo de Outro, o Prêmio Goya e o Grand Prix Fipresci. No Brasil, faturou o prêmio de melhor filme nacional (em voto público) na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, além de 13 troféus Grande Otelo da Academia Brasileira de Cinema. Sua bilheteria foi de 8,5 milhões de espectadores no mundo, sendo 6 milhões no País.

Além do Oscar

Agora, é O Agente Secreto que parece a caminho do topo. O filme ambientado no Recife em 1977, sob a ditadura militar, já atingiu a marca de 55 premiações. Logo em sua estreia mundial, em maio de 2025, no Festival de Cannes, foram duas vitórias: melhor diretor (Kleber Mendonça Filho) e melhor ator (Wagner Moura). Em 11 de janeiro, veio nova consagração, com dois prêmios no Globo de Ouro – melhor filme em língua não inglesa e melhor ator em filme de drama (Wagner Moura).

Detalhe: a onda em torno de O Agente Secreto no circuito internacional é tão extraordinária que lhe rendeu até prêmios informais. Em janeiro, o Festival de Cinema de Nova York concedeu à gata Carminha o troféu Golden Beast (Bicho de Ouro) pelos papéis das pets Liza e Elis.

E vêm mais prêmios por aí. Na terça-feira (27), a Academia Britânica de Cinema indicou o longa em duas categorias do Prêmio Bafta – melhor filme em língua não inglesa e melhor roteiro original (Kleber Mendonça Filho). Já nesta quarta-feira (28), a Academia de Artes e Técnicas do Cinema da França o indicou a melhor filme internacional no Prêmio César.

Assim, até a cerimônia do Oscar original, o dos EUA, o Agente Secreto concorrerá tanto ao “Oscar britânico”, em 22 de fevereiro, quanto ao “Oscar francês”, no dia 26. Antes disso, em 9 de fevereiro, o longa disputará nada menos que 11 prêmios da Associação Latina de Jornalistas de Entretenimento, incluindo melhor filme, melhor diretor (Kleber Mendonça Filho), melhor ator (Wagner Moura), melhor atriz coadjuvante (Tânia Maria), melhor roteiro original (Kleber Mendonça Filho) e melhor filme de língua não inglesa.

Com ou sem Oscar, a sorte de O Agente Secreto está selada. Mas uma estatueta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos certamente ampliará seu feito. Um Oscar na bagagem representa não apenas mais público e visibilidade. É também um trunfo para novas indicações de outros festivais, sobretudo no exterior.

Para efeitos de comparação, vale lembrar que a maioria dos 71 prêmios para Ainda Estou Aqui foi recebida depois de sua histórica passagem no Oscar 2025. Por isso, a dúvida sobre O Agente Secreto não é se o filme vai chegar ao topo de premiações, nem quando – mas, sim, com quantos troféus sua brilhante trajetória vai se encerrar.