Grande mídia internacional rechaça ações de Trump contra a Venezuela
O ataque imperialista dos Estados Unidos contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolas Maduro repercutiram negativamente em grandes veículos de comunicação, neste sábado (3), dentro e fora da América Latina. De maneira geral, as principais publicações rechaçaram a intervenção armada comandada por Donald Trump.
Embora crítico a Maduro, o principal jornal dos EUA, o The New York Times destacou, em editorial, que Trump “ainda não ofereceu uma explicação coerente para suas ações na Venezuela” e que ele está “empurrando o país para uma crise internacional sem razões válidas”.
A publicação classificou como “aventureirismo militar do governo” a falsa justificativa usada pela Casa Branca de estar combatendo supostos narcoterroristas e ponderou que, ao longo da história, governos “rotularam líderes de nações rivais como terroristas, buscando justificar incursões militares como operações policiais”.
Também salientou que a Venezuela está sendo submetida a um “imperialismo de nova roupagem, que representa uma abordagem perigosa e ilegal do papel dos EUA no mundo”.
Já o comentarista de assuntos internacionais do jornal britânico The Guardian, Simon Tisdall, argumentou que o golpe dos EUA contra a Venezuela “é ilegal, não provocado e desestabilizador em níveis regional e global. Ele subverte normas internacionais, ignora direitos territoriais soberanos e pode criar uma situação de anarquia dentro da própria Venezuela”.
Além disso, afirmou que “a ação imprudente de Trump deveria finalmente pôr fim à sua caracterização sempre enganosa de si mesmo como um ‘pacificador global’” e deu um recado direto a Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, e a outros líderes europeus dizendo que já é hora de “reconhecerem publicamente pelo que ele (Trump) é: um belicista global, uma ameaça universal”.
Dentre suas principais manchetes, a agência alemã Deutsche Welle aponta a ilegalidade da incursão, trazendo a repercussão de líderes mundiais, tendo o presidente Lula como um dos primeiros citados.
Além disso, a reportagem argumenta que, segundo Marc Welle, analista do think tank Chatham House, do Reino Unido, “a operação de Trump na Venezuela não cumpre nenhum dos requisitos exigidos pelo direito internacional”.
Já no espanhol El País, uma de suas articulistas, Macarena Vidal Liy, diz que a Venezuela tem sido a grande obsessão do presidente republicano e que “a captura de Maduro evoca a última intervenção militar dos EUA na América Latina: a invasão do Panamá para depor o então presidente Manuel Noriega, pouco antes do Natal de 1989. A operação americana também lembra o início da guerra no Iraque em mais de um sentido”.
Artigo do Le Monde, da França, diz que “a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela representa mais uma negação de uma ordem internacional em declínio”.
O jornal também deu espaço à íntegra da nota emitida pelo governo venezuelano, que destaca: “O objetivo deste ataque é nada menos do que se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente petróleo e minerais, tentando romper à força a independência política da nação”.
Na China, o Global Times enfatizou, em sua principal manchete, que ação dos EUA “choca a comunidade internacional e gera condenação”. A matéria também reporta posição emitida pelo Ministério das Relações Exteriores da China, segundo a qual os atos hegemônicos dos EUA “violam gravemente o direito internacional e a soberania da Venezuela, e ameaçam a paz e a segurança na América Latina e na região do Caribe. A China se opõe firmemente a isso”.
América Latina
O potencial para uma crise regional fez com que jornais e sites da América Latina dedicassem ainda mais espaço à crise, alertando especialmente para a soberania da Venezuela e a busca por uma saída pacífica.
O El Universal, do México, e o Página 12, da Argentina, destacaram a fala da vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodrigues, exigindo a “libertação imediata de Nicolás Maduro e de sua esposa” e reafirmando que Maduro “é o único presidente da Venezuela”.
Jornal da Colômbia, país vizinho da Venezuela e que também tem sido intimidado pelos EUA, o El Tiempo também destacou a fala de Delcy, assim como o La Tercera, do Chile, que ainda evidenciou o rechaço do presidente Gabriel Boric à investida.
Já o El País, do Uruguai, abriu espaço à posição do presidente Yamandu Orsi de rechaço “à intervenção militar” e em defesa da busca permanente “por uma solução pacífica para a crise venezuelana”.
O site cubano do jornal Granma dedicou seu principal espaço à posição emitida pelo presidente do país, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, segundo a qual “Cuba denuncia e exige urgentemente uma resposta da comunidade internacional contra o ataque criminoso dos EUA à Venezuela”.




