Mahershala Ali, Susan Sarandon e Mark Ruffalo uniram suas vozes contra o terrorismo de Israel | Foto montagem

“Os ataques sistemáticos de Israel a hospitais e o bloqueio ilegal colapsaram o sistema de saúde de Gaza”, denuncia um manifesto assinado por um grupo de artistas internacionais – entre eles Mark Ruffalo, Susan Sarandon y Mahershala Ali – que se somou a organizações humanitárias e profissionais do sistema sanitário.

Conforme os signatários, as atrocidades alcançaram tal ponto que 1.153 dos 2.925 ataques aos cuidados de saúde registrados em todo o mundo desde outubro de 2023 ocorreram apenas na Palestina. A dimensão da barbárie reforça a urgência de garantir o acesso incondicional, sustentável e sem travas à Faixa de Gaza, bem como a libertação imediata do pessoal médico detido pelos israelenses.

O documento explicita que o sistema de saúde tem se encontrado “sob ataque direto” desde então, com a maioria dos hospitais atingidos ou destruídos pelas tropas de Netanyahu, o que obrigou a que sejam erguidas clínicas improvisadas, que seguem sendo alvos indiscriminados dos bombardeios.

A carta inicia com as palavras de Hind Rajab, uma menina de cinco anos que, em 29 de janeiro de 2024, passou mais de três horas no telefone com o Crescente Vermelho Palestino após sua família ter sido executada em um ataque israelense. “Estou com muito medo… por favor, venha”, ela implorou, antes de também ser assassinada.

As equipes de resgate, finalmente autorizadas a intervir, foram abatidas sem contemplação de forma covarde pelo exército israelense. “O assassinato de Hind, da sua família e dos seus salvadores não é uma tragédia isolada, mas um reflexo devastador de uma verdade mais ampla”, alerta a carta, também assinada por Wesam Hamada, mãe de Hind, juntamente com entidades como a israelense B’Tselem, Human Rights Watch, Oxfam e Médicos pelos Direitos Humanos – Israel.

Os signatários alertaram que Gaza registra o maior número de amputações da história moderna – dos cerca de 4.700, grande parte crianças – e que pelo menos 20 mil menores palestinos foram assassinados desde outubro de 2023. Além disso, exigiram a reabertura imediata de todas as passagens, o restabelecimento do corredor entre a Cisjordânia ocupada e Jerusalém Oriental, e a livre circulação de pacientes e pessoal médico em ambas as direções.

A carta também sublinha a urgência da entrada de materiais para reconstruir infraestruturas médicas, incluindo clínicas móveis e abrigos dignos para pessoas deslocadas, e defende uma investigação sobre os inúmeros ataques a instalações de saúde ou trabalhadores. “A responsabilização dos perpetradores perante os tribunais nacionais, regionais e internacionais” foi apresentada como medida essencial de justiça e dissuasão.

Apesar do “cessar-fogo” assinado pelo governo israelense, o Ministério da Saúde de Gaza informa que sob comando de Netanyahu foram executados neste período 447 palestinos, em ações beligerantes que feriram mais 1.246, elevando o número total de vítimas – em mais de dois anos de campanha genocida – para 71.424 mortos e 171.324 feridos.

Fonte: Papiro