Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou em entrevista que “seria ingênuo demais” o Brasil não reforçar seus investimentos em defesa, especialmente num cenário de ameaças de guerra de Donald Trump contra o mundo e disputa por recursos naturais.

“Tudo pelo qual o mundo briga nós temos aqui”, ressaltou o ministro, e destacou a riqueza brasileira em petróleo, gás, minerais, terras raras e água doce; ativos cobiçados por potências e atores internacionais.

Segundo Múcio, essa combinação de vastos recursos, fronteiras extensas — quase 17 mil km de fronteira seca e 8.500 km de zona marítima e baixo investimento histórico coloca o País numa posição vulnerável se não houver esforço estruturado para fortalecer a capacidade de defesa do Brasil.

Em entrevista à Míriam Leitão, do jornal O Globo, o ministro defendeu especial atenção à área da defesa para ampliação de gastos com equipamentos e modernização militar.

“O que eu defendo muito é que a defesa não faça parte do Orçamento (…). Porque se nós formos comparar prioridade, nós temos outras prioridades para investir, fome, educação e outras coisas”, disse Múcio.

Apesar dessas limitações, o governo reservou R$ 30 bilhões fora do Orçamento nos próximos 6 anos para sistemas estratégicos, não para aumento de efetivo, mas para aquisição e modernização de equipamentos essenciais.

Segundo ele, os recursos devem impulsionar capacidades que garantam respeito à soberania brasileira sem, contudo, tentar igualar o gasto militar dos Estados Unidos ou da China, que investem centenas de bilhões anualmente.

Múcio explicou os motivos da sua preocupação diante das ações agressivas dos EUA. “É uma mudança de paradigma. Nós achávamos que se nós estivéssemos dentro dos nossos direitos, estávamos protegidos. Os Estados Unidos, com o que fez na Venezuela, mostrou que “você está nos seus direitos, se eu quiser, eu entro, eu tenho mais força que você”. Então, dizer a você que não podemos nos preocupar talvez seja ingênuo demais, porque nós temos tudo”.

“O que é que eu tenho aqui que interessa a ele? Evidentemente que o Brasil é um país riquíssimo. Tudo pelo qual o mundo briga temos demais aqui. Temos petróleo, temos gás, temos todos os minerais, temos as terras raras, temos água doce, temos tudo”, completou.

“Agora, nós não cuidamos da defesa no Brasil por conta da sua pergunta inicial, dos assuntos passados, nós relegamos a defesa. E hoje, a nossa luta é para que isso seja um tema principal de qualquer plataforma, de qualquer presidente”, assinalou.

Questionado sobre a existência de um plano nacional de defesa, o ministro confirmou: “Nós temos um plano nacional de defesa. O que nos falta são recursos”.

“Eu luto muito para que esse investimento em defesa saia do Orçamento. Nós precisamos, vamos dizer assim, de 40 aviões. Um avião custa US$ 100 milhões. Um submarino custa 800 milhões de euros. Os números são gigantescos. Na hora que precisa comprar 40 aviões, 50 aviões de US$ 100 milhões, e tem gente que está precisando de comida, que você está precisando investir em saúde. Não pode fazer com que a defesa tenha uma referência, um comparativo, senão não investe nunca”.

“Eu quero que a defesa seja uma prioridade absoluta, igual esses R$ 30 bilhões, para que a gente possa recuperar tudo o que aconteceu” de perdas.