Semana Vira Pix volta dia 29 para fortalecer luta e disputa eleitoral
O PCdoB promove, entre os dias 29 de junho e 7 de julho, a “Semana Vira Pix”, uma ação de mobilização intensiva que integra a ampla campanha “Atitude Camarada”. A iniciativa busca estimular a contribuição financeira recorrente da militância e de simpatizantes, visando o fortalecimento financeiro do Partido e o custeio da campanha eleitoral.
Em entrevista, Marcelino Granja Menezes, secretário nacional de Finanças do PCdoB, detalhou os objetivos políticos, estratégicos e ideológicos da ação, explicando como a ferramenta do Pix se tornou um elemento central tanto para a soberania nacional quanto para a sustentabilidade da luta política da legenda.
Segundo o dirigente, a Semana Vira Pix não é uma ação isolada, mas um momento de intensificação de uma campanha permanente de fortalecimento financeiro da organização.
“O objetivo é fortalecer o PCdoB. Por isso a campanha traz o slogan: Faça um Pix para nossa luta, faça um Pix para o Brasil. É um chamado para que a militância tenha uma atitude de camarada e contribua regularmente com o partido”, explica.
Soberania digital e fim das taxas bancárias
Para o secretário de Finanças, a adoção do Pix Automático representa uma mudança importante no sistema de contribuições partidárias.
Para o PCdoB, a adoção do Pix transcende a praticidade tecnológica e carrega um forte simbolismo político. Segundo Menezes, o sistema de pagamento instantâneo é uma ferramenta “genuinamente nacional, estatal, pública e gratuita”, o que o torna um alvo de perseguição por parte de instituições financeiras internacionais e dos Estados Unidos, já que reduz a arrecadação de taxas sobre meios de pagamento.
Na prática, a mudança traz uma “dupla facilidade” para o partido e seus doadores. Primeiro, garante independência bancária: o contribuinte pode realizar a transferência a partir de qualquer instituição financeira regulamentada pelo Banco Central, sem precisar estar vinculado a bancos específicos que operam as contas da legenda. Segundo, e mais importante, o Pix zera as taxas de transação cobradas em boletos e cartões, garantindo que 100% do valor doado seja destinado à luta política.
“O contribuinte passa a contribuir com mais rapidez, mais facilidade, sem custo para ele e sem custo para o Partido”, destaca. “A campanha prioriza a militância, mas não é exclusiva. Qualquer pessoa que concorde com a luta do PCdoB pode contribuir”, explica Marcelino.
Estímulo aos comitês e fases da campanha
A primeira fase da campanha coincide com o calendário eleitoral e concentra esforços entre junho e setembro. Nesse período, a direção nacional pretende envolver principalmente dirigentes, comitês estaduais e municipais na ampliação da base de contribuintes. O objetivo é dar “munição” financeira para que as direções estaduais custeiem a campanha eleitoral.
Todo o crescimento da arrecadação recorrente em relação ao patamar registrado em abril será revertido ao respectivo comitê estadual em valor equivalente por meio do Fundo Partidário, fortalecendo financeiramente a atuação local durante a campanha eleitoral.
Após as eleições, a campanha entra em sua segunda fase, estendendo-se até o aniversário do partido, em 25 de março. Nessa fase, o partido pretende criar mecanismos de reconhecimento aos contribuintes adimplentes, incluindo sorteios de viagens internacionais, entre elas para a China, iniciativa que será implementada apenas após as eleições para evitar incompatibilidades com a legislação eleitoral.
Dever estatutário e a “luta de ideias”
Embora a campanha seja aberta a qualquer simpatizante ou apoiador (o sistema do PCdoB Digital identifica automaticamente se o CPF é filiado ou não), a contribuição é, antes de tudo, um dever estatutário. A regra do partido estabelece o repasse mensal de 1% da renda líquida. Militantes que estejam desempregados ou sejam estudantes podem solicitar isenção diretamente na plataforma digital, mantendo assim sua situação regular e o direito a voto nas convenções e conferências partidárias.
Na visão do secretário de Finanças, a arrecadação de recursos não é apenas uma burocracia eleitoral, mas uma necessidade visceral para a luta de classes. Ele argumenta que a disputa política também ocorre no campo da comunicação, da formação política e da organização popular, exigindo recursos permanentes para sustentar essas atividades. “As classes dominantes dispõem de recursos econômicos para financiar uma máquina de comunicação e propaganda que legitima a injustiça”, argumenta Menezes. Para enfrentar essa hegemonia e elevar o nível de consciência da classe trabalhadora, o partido precisa de sua própria estrutura. “Dinheiro é a expressão do poder real de fogo de cada classe social. Se tivermos mais recursos, estaremos mais apetrechados para colaborar para que o povo brasileiro se liberte da opressão”, conclui.
Enquanto isso, a Semana Vira Pix deverá tornar-se um compromisso mensal, sempre nos últimos dias de cada mês e início do seguinte, reforçando a estratégia de ampliar a base de contribuições recorrentes.
Para Marcelino Granja, a mensagem central da campanha resume o espírito da iniciativa.
“Quem acredita no projeto político do PCdoB precisa compreender que a luta política também exige sustentação material. A Semana Vira Pix é um chamado para transformar esse compromisso em uma atitude concreta de fortalecimento do partido.”




