Nádia: “Fascistas do século 21′ promovem genocídio por petróleo”
Em declaração divulgada nesta terça-feira (7), a presidenta em exercício do PCdoB, Nádia Campeão, alertou para a gravidade da escalada belicista dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Ao citar a frase de Donald Trump — “uma civilização inteira morrerá” —, a dirigente comunista denuncia que por trás da retórica militarista há interesses econômicos seculares: o controle das reservas de petróleo e gás que sustentam a hegemonia americana no mercado energético global.
Para Nádia, a ameaça não é vazia. Com um orçamento militar de US$ 895 bilhões apenas em 2025, Washington dispõe de arsenal suficiente para provocar “destruição, terror, genocídio e barbárie”. “Vidas, museus, universidades, hospitais, mesquitas, templos, usinas, cidades, história, cultura milenar, nada disso vale nada para esses fascistas do século XXI”, afirma.
Petróleo como motor da guerra
A análise do PCdoB situa o conflito atual em uma lógica histórica: “Sempre foi o petróleo”. Segundo Nádia, os Estados Unidos buscam eliminar concorrentes produtores do mercado internacional, garantindo domínio sobre preços e rotas de abastecimento por décadas. A mesma lógica, avalia, explicaria a ofensiva contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro — ambos detentores das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
A declaração conecta as agressões em Gaza, Líbano e Irã como partes de um mesmo projeto de dominação: “O PCdoB repudia e denuncia as agressões odiosas cometidas” e “soma-se a todos os que condenam os Estados Unidos e Israel por envolverem o mundo numa guerra atroz”.
Paz e diálogo como alternativa
Diante da escalada, o PCdoB reafirma sua posição histórica: “Defenderá a paz e o diálogo como os verdadeiros caminhos da solução dos conflitos mundiais”. Para o partido, a militarização e a lógica de destruição não resolvem disputas geopolíticas; apenas aprofundam sofrimento humano e instabilidade global.
A declaração também ecoa preocupações sobre o papel da mídia hegemônica na construção de narrativas que legitimam intervenções. Ao classificar como “fascistas do século XXI” os líderes que promovem a guerra, Nádia convoca a sociedade a não naturalizar a barbárie como “solução técnica” ou “resposta estratégica”.
Contexto de tensão global
A fala ocorre em momento de alta tensão no Oriente Médio, com trocas de ataques entre Irã, Israel e forças americanas na região. Analistas apontam que uma ofensiva em larga escala poderia desestabilizar o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo —, elevando preços globais e afetando economias já fragilizadas.
Para o Brasil, a posição do PCdoB reforça a necessidade de uma política externa independente, que priorize a diplomacia multilateral e a defesa da soberania dos povos. Em um mundo cada vez mais polarizado, a aposta no diálogo — e não na força — aparece como antídoto à catástrofe.
Declaração integral de Nádia Campeão, presidenta do PCdoB:
“Trump anunciou que na noite deste 7 de abril uma civilização inteira morrerá, referindo-se certamente a um ataque devastador que Estados Unidos e Israel pretendem desferir contra o Irã.
O orçamento militar dos Estados Unidos só no ano de 2025 foi de 895 bilhões de dólares. Não faltam bombas, mísseis e armas nucleares para provocar destruição, terror, genocídio e barbárie.
Vidas, museus, universidades, hospitais, mesquitas, templos, usinas, cidades, história, cultura milenar, nada disso vale nada para esses fascistas do século XXI. O que interessa é o petróleo.
Sempre foi o petróleo. E no caso do Oriente Médio, os Estados Unidos querem destruir os concorrentes que produzem petróleo e gás, retirando-os do mercado internacional por décadas e tornando os Estados Unidos o principal fornecedor, aos preços que impuserem. Está também explicada a ocupação da Venezuela e o sequestro de Maduro, tudo pelas reservas de petróleo.
O PCdoB repudia e denuncia as agressões odiosas cometidas em Gaza, no Líbano e no Irã. Soma-se a todos os que condenam os Estados Unidos e Israel por envolverem o mundo numa guerra atroz. E defenderá a paz e o diálogo como os verdadeiros caminhos da solução dos conflitos mundiais.”




