Nádia Campeão participa de reunião do Fórum dos Movimentos Sociais do PCdoB
A presidenta interina do PCdoB, Nádia Campeão, abriu a Reunião Ampliada do Fórum Nacional dos Movimentos Sociais nesta terça-feira (20) destacando que 2026 será um ano decisivo não apenas pela eleição presidencial, mas pela necessidade de responder com firmeza à nova ofensiva imperialista liderada por Donald Trump. “Estamos diante de uma mudança qualitativa na situação internacional”, afirmou, referindo-se à invasão dos EUA à Venezuela e ao sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada Cília Flores.
Para Nádia, o ataque à Venezuela representa um “pisoteamento descarado dos princípios do direito internacional” e exige uma resposta continental coordenada. “A reeleição de Lula tem um caráter democrático, mas também anti-imperialista”, reforçou, lembrando que a vitória da extrema direita no Brasil consolidaria “amigos do Trump” no poder, com consequências diretas para a soberania latino-americana.
Participaram da reunião o secretário Sindical do PCdoB, Nivaldo Santana, o secretário de Movimentos Sociais, André Tokarski, Edson França, secretário de Combate ao Racismo e cerca de 90 dirigentes partidários e das frentes de massas.
Lutas sociais como pilar da mobilização popular
Nádia fez um balanço do ano de 2025 como um período de recuperação política e social após os ataques sofridos em 2023 e 2024. Segundo ela, o governo Lula avançou em políticas públicas mesmo sob pressão do centrão, do mercado financeiro e da extrema direita. Destacou conquistas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil — que entra em vigor em 5 de fevereiro —, a campanha pelo fim da escala 6×1 (trabalho aos domingos) e a mobilização contra a anistia aos golpistas de 8 de janeiro.
“Tivemos um ano de muita luta, em que reposicionamos nosso campo e o próprio presidente Lula como forças competitivas”, avaliou. Ainda assim, alertou para os desafios internos, como a crise de segurança pública, que a extrema direita explora com narrativas autoritárias.
Internacionalismo estratégico: da Palestina à Groenlândia
A secretária de Relações Internacionais do PCdoB, Ana Prestes, retomou a linha definida no 16º Congresso do partido, realizado no início de 2025, quando a solidariedade internacional já era prioridade. “Já sabíamos que estávamos diante de um cerco crescente”, disse, lembrando que o partido mantinha alerta máximo desde o fim do ano passado diante da escalada militar norte-americana na região.
Para Ana, o sequestro de Maduro e Cília Flores em 3 de janeiro de 2026 marca um novo patamar na ofensiva imperialista — comparável ao assassinato de Qasem Soleimani em 2020. “Esse dia não será esquecido. Eles agora têm reféns do império e usam isso para chantagear o governo legítimo da Venezuela.” Diante disso, defendeu a superação da perplexidade inicial e a passagem imediata à ação coordenada.
Fortalecer frentes, articular redes e preparar o Encontro Nacional
Ana destacou que o PCdoB está enraizado em dezenas de redes internacionais — do Foro de São Paulo à Alba Movimentos, passando pela Oclae e pelo Fórum Social Mundial —, mas enfrenta o desafio de aprimoramento da coordenação interna. “Estamos posicionados ideologicamente, mas só teremos força real se houver unidade operacional”, afirmou.
Nesse sentido, defendeu a realização de um Encontro Nacional das frentes de massa para definir orientação política comum e planejar atividades. Também chamou atenção para a necessidade de fortalecer mecanismos permanentes de solidariedade, como o Cebrapaz, e evitar a dispersão gerada pela atuação simultânea em múltiplas frentes. “Precisamos nivelar informações, alinhar análises e coordenar ações”, resumiu.
2026: eleição como campo de batalha unificado
Ambas as dirigentes convergiram nos encaminhamentos finais: desenvolver a luta anti-imperialista de forma ampla, participar das mobilizações em defesa da soberania e autodeterminação dos povos; reforçar no Brasil as bandeiras do fim da escala 6×1, da isenção do IRPF até R$ 5 mil e da tarifa zero nos transportes; dinamizar o Fórum dos Movimentos Sociais com maior sinergia entre as frentes de massa e a direção partidária.
E, primordialmente, preparar os movimentos sociais para a grande batalha política de 2026 — reeleger Lula, eleger governadores progressistas, melhorar a composição do Congresso e ampliar a bancada do PCdoB. “Reeleger Lula é derrotar os amigos de Trump no Brasil”, sintetizou Ana. E concluiu com um chamado à unidade: “Vamos juntos. Vamos na luta.”




