Família palestina abandona seu lar sob olhar dos ocupantes na aldeia de El Fara'a | Foto: Reprodução

Já foram expulsos de suas casas mais de 40 mil palestinos nos ataques israelenses com tropas e, desde essa segunda-feira (25), tanques (com as colunas invadindo a Cisjordânia pela primeira vez em dez anos), das cidades e aldeias de Jenin, Tulkarem, Nur Shams, Tubas e El Fara’a.

No domingo, o ministro da “Defesa”, Israel Katz, anunciou o verdadeiro objetivo da “operação” israelense: expulsar os palestinos, avisando que as tropas e colunas de tanques estavam por todo lado na Cisjordânia para expulsar os palestinos e que os 40 mil deslocados sob tiro, invasão de residências e terror não teriam permissão de retorno a suas casas.

Como enfatizou editorial do jornal israelense, Haaretz, “enquanto na Faixa de Gaza o governo sonha com uma transferência de população, na Cisjordânia já está provocando isso”.

Os residentes destas localidades, das quais foram expulsos sob ameaça, estão se abrigando onde podem, em cidades e aldeias próximas. Centenas estão dormindo no chão em abrigos temporários montados e dirigidos às pressas por palestinos voluntários.

Essas dezenas de milhares de palestinos foram lançados para fora de seus lares de forma tão abrupta que não tiveram sequer tempo para levar consigo suas roupas, medicamentos e até dinheiro. Crianças estão fora das escolas há semanas.

Com as demolições de casas abandonadas às pressas, os invasores abrem estradas para a circulação dos tanques. Estão criando uma catástrofe na Cisjordânia do jeito como os assaltantes de terras palestinas pregam desde que começaram a invadir e tomar território na Cisjordânia, chefiados por elementos fanáticos como Smotrich agora membro do governo fascista de Netanyahu.

Uma parte dos palestinos deslocados disse que saíram de casa com medo; outros, como uma das famílias citadas pelo Haaretz, contaram como soldados entraram em sua casa no meio de noite e os atiraram para fora.

“Um jovem disse que os soldados o usaram como escudo humano e depois ordenaram a ele que saísse da aldeia”.

“Um velho cego”, prossegue o jornal, “disse que o exército invadiu um prédio, o colocou em um quarto junto com outra família por dois dias sem permitir que se comunicassem com mais ninguém”.

Não é nova a truculência do governo de Netanyahu, que vive sabotando o acordo de cessar-fogo e as negociações com os palestinos, muitas vezes dizendo se “defender” da violência palestina, e os agride das mais diversas formas, agora com tanques e tropas, até há poucos dias, com bombas de mais de uma tonelada e gás letal.

O movimento sionista é especialista em assalto a terras palestinas há mais de um século. Em 1948, logo após a “partilha” da Palestina ser aprovada na ONU, os judeus possuíam, imediatamente antes da implantação de Israel, 7% de toda a terra então sob mandato do ocupante britânico.

Sabemos, da experiência histórica da luta anticolonial, que esta sempre produziu vitórias com a expulsão do colonizador, desde os exemplos mais conhecidos e acirrados de luta, da Argélia ao Vietnã, este último, ainda que confrontando o apoio massivo das forças armadas dos Estados Unidos.

Portanto, a oportunidade oferecida por Arafat aos israelenses com a “Solução dos Dois Estados” está se esgotando sob a fuzilaria e bombardeio do governo racista de Netanyahu.

Ao abandonarem a solução fruto das negociações de Oslo, inclusive oficialmente, com o parlamento israelense votando leis que desconhecem a criação do Estado da Palestina, estão, à luz da história, os que compõem a maioria judaica que dá sustentação a esta barbárie, selando o fim deste regime de colonialismo e apartheid.

Fonte: Papiro