Nádia alerta para riscos à soberania na venda de mineradora de terras raras aos EUA
“Terras raras são um tesouro no subsolo brasileiro, patrimônio da nação”, enfatizou a presidenta nacional em exercício do PCdoB, Nádia Campeão, nesta terça-feira (21). A fala, veiculada em suas redes sociais, ocorreu após coluna do jornalista Jamil Chade, publicada no ICL Notícias, revelar a compra, por uma empresa dos EUA, da única mineradora brasileira de terras raras.
Nádia lembrou que o Brasil tem a segunda maior reserva mundial dessa riqueza, atrás apenas da China. Nesse cenário, “os Estados Unidos de Trump procuram se apoderar destes recursos estratégicos por meio de negociações privadas ou diretamente com entes subnacionais”, argumentou.
Conforme apontou Chade, a USA Rare Earth anunciou que irá adquirir a mineradora brasileira de terras raras Serra Verde, em Goiás, por US$ 2,8 bilhões em dinheiro e ações.
Além disso, o jornalista mostrou que “a mineradora Serra Verde indicou ainda que firmou um acordo de 15 anos para fornecer 100% de sua produção durante a fase inicial da mina para uma Sociedade de Propósito Específico capitalizada pelo governo dos EUA e por fontes privadas”. Segundo ele, em janeiro, a empresa estadunidense “recebeu uma injeção de US$ 1,6 bilhão do governo Trump, que passou a controlar 10% da companhia”.
Diante desse grave cenário, Nádia defendeu a necessidade de que as autoridades tomem medidas urgentes para fazer valer a soberania nacional sobre recursos que pertencem à nação brasileira. “O governo brasileiro, de imediato, deve exercer plenamente a SOBERANIA para impedir que se concretize esse ato contrário aos interesses nacionais”.
A dirigente comunista salientou, ainda, que “o povo brasileiro precisa estar atento a quem defende o Brasil, preserva nossa soberania, e quem quer entregar nossas riquezas e submeter nosso país aos interesses do Estados Unidos e seu presidente agressor, como fez o entreguista Flávio Bolsonaro, que foi lá oferecer as terras raras brasileiras de mãos beijadas, como se fôssemos uma colônia”.
Em evento da CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora) realizada no final de março em Dallas, o senador do PL afirmou que o Brasil é “a solução para os Estados Unidos quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente terras raras”.
A negociação entre as duas empresas — sendo a brasileira sediada em Goiás — ocorre pouco depois de o então governador do estado e hoje pré-candidato à presidência, Ronaldo Caiado (PSD), assinar memorando de entendimento, prevendo a cooperação técnica para a exploração de terras raras e minerais críticos.
Resolução política
A fala de Nádia Campeão reforça posição que vem sendo defendida pelo PCdoB. Numa de suas mais recentes resoluções políticas, emitida em dezembro do ano passado pelo Comitê Central, o partido alertava para esse problema.
O documento aponta que, com o acentuado declínio da hegemonia dos Estados Unidos e, por outro lado, a ascensão da China e a tomada de posição de um conjunto de países do chamado Sul Global em defesa do direito ao desenvolvimento autônomo, “o governo Donald Trump responde com guerras, ameaças e as agressões aos povos e países”.
Em relação à América Latina e o Caribe, acrescenta a resolução, o imperialismo “escancara a ambição de impor o monopólio dos
interesses do Estado e oligopólios estadunidenses sobre a economia e recursos naturais estratégicos dos países e, assertivamente, repelir e expulsar a presença econômica e política de potências extra-hemisféricas. Para tal, indica o deslocamento de parte considerável de seu poderio bélico à região”.
O documento ressalta que nesse cenário, o Brasil, “detentor da maior floresta tropical e da maior biodiversidade do planeta, da maior reserva de água doce, imensas reservas minerais, incluindo terras raras, é alvo, por óbvio, dessa ofensiva do imperialismo estadunidense”.




