PCdoB: Reeleger Lula, defender o Brasil e derrotar os traidores da pátria
O Comitê Central do PCdoB aprovou neste domingo (13) uma resolução política voltada às eleições 2026. De acordo com o texto, o Brasil é “é alvo central de uma ofensiva imperialista do governo Donald Trump”, com “possibilidade real de intervenção” dos Estados Unidos nos rumos e no resultado da disputa presidencial.
“Conclamamos o povo a se engajar na reeleição do presidente Lula para livrar o país dessa nova ameaça neocolonialista. Deve-se fazer ecoar pelo país afora o brado patriótico: O Brasil para os brasileiros!”, aponta a resolução. Também é preciso, segundo o Partido, “desmascarar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), que tenta se fantasiar de uma versão moderada do pai, mas é igual a ele, um neofascista e extremista de direita”.
O Comitê Central pede, ainda, “empenho máximo” para “reeleger e ampliar a bancada comunista na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas. O país precisa de um Partido Comunista forte para impedir retrocessos e fazer avançar as mudanças”.
Confira, abaixo, a íntegra da resolução.
Reeleger Lula, defender o Brasil e derrotar os traidores da pátria
Empenho máximo pela vitória do projeto eleitoral do PCdoB
O PCdoB alerta o povo brasileiro: o Brasil vive um momento grave, no qual novamente seus interesses nacionais e soberanos estão sob ameaça e ataque. O país é alvo central de uma ofensiva imperialista do governo Donald Trump, dos Estados Unidos. Essa ofensiva se torna mais perigosa, por contar com apoio interno de traidores da pátria, da extrema-direita e setores da direita. Isso se deve ao seu porte econômico e geopolítico, por suas riquezas, pela sua política de integração e equilíbrio da América do Sul e, especialmente, por integrar o BRICS e protagonizar o Sul Global em prol da paz e de um multilateralismo democrático. Em sua ofensiva, os Estados Unidos objetivam também se apossarem das riquezas nacionais, entre elas as terras raras e minerais críticos. Em última instância, o embate envolvendo o Brasil e a América Latina, na estratégia dos Estados Unidos, visam a enfrentar a China. Em razão disso, tal como já foi demonstrado pelo “tarifaço” e a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades, há a possibilidade real de intervenção nas eleições brasileiras com objetivo de se impor um governo vassalo, títere, o que deve ser firmemente rechaçado. Diante de tudo isso, conclamamos o povo a se engajar na reeleição do presidente Lula para livrar o país dessa nova ameaça neocolonialista. Deve-se fazer ecoar pelo país afora o brado patriótico: O Brasil para os brasileiros!
A menos de seis meses das eleições de outubro, a disputa presidencial se configura acirrada e polarizada, com o país dividido entre duas candidaturas antagônicas que correspondem à encruzilhada na qual o Brasil se depara. Não há meio termo: ou o Brasil segue desbravando um caminho novo, capaz de conduzi-lo à prosperidade pela via do desenvolvimento soberano e sustentável, alicerçado na mais ampla democracia e direcionado para proporcionar vida digna ao povo, com a reeleição do presidente Lula; ou, com a eleição de Flávio Bolsonaro, serviçal de Trump, ser novamente levado à subjugação aos Estados Unidos, à regressão política, econômica e social, como foi no governo de Jair Bolsonaro, seu pai, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.
Simultaneamente, o PCdoB, com mais de um século de lutas em defesa de um Brasil soberano, independente, democrático, socialista, convida o eleitorado popular progressista para participar da pré-campanha de suas candidaturas, engajando-se neste confronto histórico. É indispensável reeleger e ampliar a bancada comunista na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas. O país precisa de um Partido Comunista forte para impedir retrocessos e fazer avançar as mudanças.
Eleições sob impacto de uma realidade mundial conturbada
O mundo se encontra sob uma conjuntura beligerante e conflagrada, que provoca forte abalo na economia em decorrência da política de guerra e de agressões do governo Donald Trump. Para tentar reverter o declínio dos Estados Unidos, ele busca conter a República Popular da China e o poder nacional da Rússia e de outros países das articulações do Sul Global, expressas em inciativas como a do BRICS Plus. Com esse objetivo, pisoteia o direito internacional, rasga a Carta das Nações Unidas, ataca nações soberanas, recorre à política de força e saca da maior máquina de guerra do planeta.
Essa tática tem se revelado desastrosa, como é visto, até agora, em inúmeras ações, assim como na guerra movida pela Casa Branca e o Estado de Israel contra o Irã, na qual os Estados Unidos sofrem derrotas, não atingindo seus objetivos estratégicos. De conjunto, o efeito tem sido inverso: os Estados Unidos enfrentam contradições internas agudas, estão isolados internacionalmente e em conflito aberto com antigos aliados, como é o caso da Europa, enfraquecendo consideravelmente seu sistema de alianças.
O PCdoB ergue alto a bandeira da paz mundial e contra as guerras imperialistas. Condena, veementemente, a ofensiva guerreira de Donald Trump para suprimir a soberania dos países, saquear suas riquezas e oprimir os povos. Internacionalista, reforçará as ações de solidariedade aos países e aos povos agredidos, como Cuba, sob brutal bloqueio; o povo palestino, vítima de genocídio; a Venezuela, seu povo e seu governo, que teve seu presidente, Nicolás Maduro, e sua esposa, deputada Cilia Flores, sequestrados; o Irã, sob os bombardeios de uma guerra imperialista com recorrentes crimes de guerra; e o Líbano, com seu território em parte ocupado e o povo sob massacre perpetrado pelo genocida Estado de Israel.
Direita e extrema-direita se dividem, evaporou-se a pretensa candidatura de centro
O campo da direita e da extrema-direita se dividiu. Soma, neste momento, cinco pré-candidaturas, cenário que, até as convenções, pode se alterar. Além disso, vão se digladiar em disputas aos governos estaduais e ao Senado Federal.
A propalada terceira via inviabilizou-se. O PSD prometeu uma alternativa de “centro” e, ao final, o que oferece é a pré-candidatura de Ronaldo Caiado, um direitista declarado, que apesar dos atritos é figura cativa nos atos bolsonaristas, prestando o papel de linha auxiliar. De partida, subtrai de Flávio Bolsonaro o apoio de setores da burguesia agroindustrial. Apresenta-se ainda a pré-candidatura de Romeu Zema, pelo Partido Novo, e surge uma variante do neofascismo: Renan Santos, do partido Missão.
A fragmentação da direita tem um duplo significado. Por um lado, as candidaturas da direita, para decolarem, ou mesmo para não serem rifadas, terão que arrancar votos de Flávio Bolsonaro, onerando-lhe. Por outro, tem o potencial de movimentar o eleitorado oposicionista de perfis variados, como foi feito nas últimas eleições no Chile, criando uma vazão que tende a desembocar em um leito único no segundo turno, contra a reeleição do presidente Lula.
As eleições serão acirradas, com um relativo equilíbrio de forças. Flávio Bolsonaro, impulsionado pelos algoritmos das big techs, definido pelo pai, rapidamente aglutinou a maioria do eleitorado de extrema direita, e mesmo da direita. De tal modo que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro se apresenta muito competitiva e perigosa. A evolução da pré-campanha demonstrará melhor os efeitos da divisão da direita sobre ele.
Desmascarar Flávio Bolsonaro: traidor da pátria, inimigo do povo e da democracia
O PCdoB e as demais forças democráticas, patrióticas e populares precisam, desde já, realizar uma ampla campanha, visando a desmascarar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que tenta se fantasiar de uma versão moderada do pai, mas é igual a ele, um neofascista e extremista de direita. O programa de sua pré-candidatura, se realizado por completo, transformaria o país numa espécie de neocolônia dos Estados Unidos.
Golpista, quer impor à nação um governo autoritário, o risco de um regime ditatorial. Para que não se tenha dúvida, declarou que, se eleito, vai anistiar a cúpula da organização criminosa que tentou o golpe de Estado, a começar por Jair Bolsonaro e os oficiais militares, segundo ele mesmo que seja “à força.”
Candidato dos rentistas da Faria Lima e dos super ricos, promete um “tesouraço” com o retorno do teto de gastos públicos, uma nova reforma trabalhista e da Previdência, com cortes de direitos econômicos e sociais, agravando as condições de vida do povo. Ou seja, trata-se de canalizar o grosso do orçamento federal para garantir os ganhos fabulosos do capital financeiro, cortando os investimentos em saúde, educação, moradia, segurança etc.
Propaga a violência, o ódio e a intolerância, e defende a liberação das armas de fogo. Carrega nos ombros investigações, realizadas por instituições do Estado, que apontam seus vínculos com as milícias.
Pesam contra ele inquéritos de malversação do dinheiro público, a exemplo das “rachadinhas”. A extrema-direita é responsável pela maior fraude bancária do país: o caso do Banco Master, gestado e robustecido quando Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, era o presidente do Banco Central. Fabiano Campos Zettel, cunhado e tesoureiro de Vorcaro, foi o maior doador da campanha de Jair Bolsonaro e do governador paulista Tarcísio de Freitas na campanha de 2022. Os governos de Claudio Castro, do Rio de Janeiro, e de Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, bolsonaristas de alta patente, despejaram bilhões de reais nos esquemas criminosos do Master.
Em suma: é uma ameaça real de regressão cultural e mesmo civilizacional, com a prática e a disseminação do racismo, da misoginia, da LGBTfobia, da violência contra as populações indígenas, do negacionismo climático e da destruição da biodiversidade brasileira. As universidades, a cultura e as ciências são tidas como inimigas e são alvos de ataques porque produzem pensamento transformador e crítico, e resistência.
Amplitude nas alianças, programa avançado, mobilização do povo
A eleição do presidente Lula é a alternativa para livrar o país do neofascismo e da entrega da soberania nacional ao imperialismo estadunidense. Lula parte das realizações e conquistas de seu governo de reconstrução nacional. Pegou um país arrasado e o pôs de pé. Sua estatura elevada, de liderança respeitada no Brasil e no mundo, escancara o contraste com seu opositor principal, um parlamentar medíocre, sem nenhuma experiência de gestão, cujo projeto de maior repercussão, rechaçado pela opinião pública, autorizava vendas de áreas à beira-mar, na prática privatizando praias.
Lula procura calcular bem a correlação de forças. Corretamente, definiu Geraldo Alckmin, mais uma vez, como vice, personalidade que tem sido leal e atuado com competência e patriotismo. O presidente busca ampliar e ir além da esquerda. Com a falência da chamada terceira via, há mais potencial para agregar setores e fatias do centro e da centro-direita, angariando apoios de partes do MDB, PSD, PP, do Republicanos e de outros partidos, dos quais, pela realidade presente, não terá apoio formal. Empenha-se para construir, em todas as regiões, palanques fortes, já tendo conseguido êxitos em vários estados. Lula e sua aliança política também precisam batalhar pela eleição de uma expressiva quantidade de parlamentares nas duas casas do Congresso, fator indispensável para apoiar e aprovar projetos e reformas estruturais necessários.
O PCdoB defende, como tática eleitoral, uma aliança mais ampla possível, com protagonismo da esquerda, embandeirada com um programa avançado, tendo como vértice a soberania nacional, entrelaçada com a defesa da democracia, o desenvolvimento e a valorização do trabalho. Um programa que indique o quarto mandato como marco desencadeador de um novo ciclo para o Brasil, que crie, a partir de um projeto de país, as condições para o desenvolvimento soberano. Julga necessário uma coordenação de campanha que reflita a amplitude da aliança.
O Partido aponta como indispensável dotar o país de um projeto nacional, que abarque as reformas estruturais democráticas. Sua elaboração tem como ponto de partida a construção de consensos mínimos em torno de políticas direcionadas a superar gargalos e travas do arcabouço fiscal e da política monetária. Romper com a política de juros altos para liberar e canalizar o orçamento federal aos investimentos públicos, como parte do esforço pelo desenvolvimento e defesa do interesse nacional, da democracia, da redução das desigualdades sociais e regionais e valorização do trabalho; ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e da educação pública gratuita, como partes fundamentais de um projeto nacional de desenvolvimento; à industrialização em novas bases tecnológicas; à transição ecológica; à inserção soberana do Brasil no mundo, ajustando suas alianças prioritárias para promover a regulação soberana com base pública de ativos estratégicos como os minerais críticos; e ao programa de soberania digital, redes gov.br e às redes de dados críticos, em especial as relacionadas à defesa e à Amazônia para retomar a noção de Estratégia Nacional de Defesa com foco na dissuasão, equipando a defesa da pátria diante de inimigos muito mais fortes, sem relação de subordinação. Uma reforma política ampla e democrática que supere as distorções que dificultam a representação popular no Congresso Nacional e favorecem à hegemonia das forças reacionárias, o que impede, na prática, a realização do programa eleito e das reformas. E, como diretriz estrutural, a realização de uma reforma que reconstrua e fortaleça o Estado nacional, superando sua disfuncionalidade e os ditames neoliberais, que foram institucionalizados, fortalecendo suas empresas estratégicas e os bancos públicos, democratizando-o e assegurando ampla liberdade ao povo. Medidas, enfim, para que o Estado cumpra o papel de planejamento e alavanca do desenvolvimento soberano e garantidor da defesa nacional.
Será determinante para a vitória a mobilização do povo, o engajamento na disputa do voto dos trabalhadores/as, da juventude, das mulheres, do mundo da cultura, das ciências, dos movimentos e das diferentes religiões. É preciso vincular a campanha eleitoral à agenda de lutas, a exemplo da luta pelo fim da jornada de trabalho e da escala 6X1, que se apoia no Projeto de Lei (PL) 67/2025, de autoria da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), do combate ao feminicídio, da batalha pela redução dos juros, dos atos do 1º de maio, bem como o calendário de congressos e encontros das entidades e movimentos, entre eles a Marcha da Classe Trabalhadora em 15 de abril em Brasília.
Novas conquistas aos trabalhadores e ao povo e luta de ideias
Os comunistas consideram indispensável que o governo siga proporcionando conquistas aos trabalhadores, como é caso da regulamentação do trabalho mediado por aplicativos, programas que ajudem a minorar o endividamento das famílias, a aprovação da PEC da Segurança Pública, sinalizando com firmeza o compromisso de garantir paz e segurança ao povo e combate eficaz ao crime organizado, o esforço para atenuar os efeitos da política de guerra de Donald Trump, como é caso da contenção do aumento dos combustíveis, em especial do diesel, gás e querosene de aviação. O PCdoB defenderá que se inclua no programa da campanha pela reeleição do presidente Lula a adoção da tarifa zero, em tempo integral, no transporte público. Essa pauta articula a disputa do voto, a vida concreta do povo e suas reivindicações mais sentidas, resultando numa campanha que seja expressão das aspirações populares.
A luta de ideias e o enfrentamento com a guerra cultural da extrema direita nas redes sociais é estruturalmente assimétrica. É indispensável regulamentar as big techs e batalhar pela soberania digital do país. É imperativo elevar as capacidades e meios para travar a batalha de ideias nos espaços digitais, arena que influencia enormemente o debate público, a formação de opinião e a conquista do voto.
Empenho máximo pela vitória do projeto eleitoral do PCdoB
Entrelaçado com seu grande esforço pela reeleição do presidente Lula e dos aliados nos estados e no Distrito Federal, o PCdoB busca, com empenho máximo, a vitória do seu projeto eleitoral, centrado na reeleição e ampliação da bancada na Câmara dos Deputados, hoje com dez deputados/as após a honrosa filiação do deputado federal Gervásio Maia, da Paraíba, e chegará a 11 com a posse de Inácio Arruda (PCdoB-CE), até então primeiro suplente. Outras lideranças também escolheram o PCdoB para disputar as eleições, fortalecendo a legenda comunista. A todos e a todas o Partido saúda e os acolhe com orgulho.
Realiza uma pré-campanha ampla, entusiástica, embandeirada com a defesa da soberania nacional, engajada na luta pela redução da jornada de trabalho, pelo fim da escala 6×1, na mobilização contra o feminicídio, pela redução dos juros e pela reindustrialização do país, por mais desenvolvimento, mais democracia, pela valorização do trabalho e mais direitos ao povo. Uma campanha também assertiva de combate ao neofascismo, com sagacidade e amplitude.
O Partido é chamado a ser a força dirigente e motriz da campanha, engajando o coletivo de militantes e filiados/as, os amigos/as, aliados/as, lideranças do povo e da sociedade. É fundamental fortalecer a pré-campanha, estruturando as diferentes dimensões, como comunicação, finanças, grupos de apoio etc.
Renato Rabelo e Márcio Cabreira, presentes, sempre!
Durante sua terceira reunião plenária, realizada em Brasília, o Comitê Central do PCdoB, homenageia a memória e o exemplo de militância revolucionária de Renato Rabelo, histórico e grande dirigente do Partido, e de Márcio Cabreira, dirigente oriundo do MR 8 e do PPL, ambos da direção nacional, falecidos em fevereiro último. O rico legado desses dois destacados camaradas alimentará o ânimo da atual e das novas gerações. Pela grandeza do que foram, pela riqueza revolucionária que nos deixaram, parafraseando o poeta Thiago de Melo, se despediram para permanecer.
Brasília, 12 de abril de 2022
Comitê Central do Partido Comunista do Brasil-PCdoB




