“Irã responderá a qualquer agressão dos EUA”, diz presidente Pezeshkian
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerã responderá “com força e determinação” caso os Estados Unidos continuem sua agressão, ressaltando que o Irã não escolheu a guerra e não a busca.
“Nunca iniciamos uma guerra mas, se eles desejarem continuar lutando conosco, responderemos com força e determinação”, declarou Pezeshkian em entrevista a Bret Baier, da Fox News, na quinta-feira (24), durante sua viagem a Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas.
“E hoje, as pressões que continuam a exercer sobre nós visam forçar-nos a render-nos fora do quadro jurídico do direito internacional, o que é impossível”, assinalou.
As declarações surgem no contexto das agressões dos EUA e Israel contra o Irã, que começou com ataques aéreos em 28 de fevereiro, os quais assassinaram diversos altos funcionários e comandantes militares iranianos, além de mais de 160 crianças e funcionários numa escola primária bombardeada em Minab, no primeiro dia da agressão dos EUA, crime que teve forte repúdio internacional.
A guerra chegou a uma trégua temporária, em decorrência da forte resposta do Irã aos agressores. Teerã e Washington assinaram então o Memorando de Entendimento de Islamabad em 17 de junho para pôr fim ao conflito. Contudo, os EUA descumpriram seus compromissos e iniciaram novos confrontos, levando ao colapso do memorando.
“Sem qualquer justificativa ou enquadramento legal, eles nos atacaram, assassinaram nosso Líder, nossos cientistas, comandantes militares, funcionários do governo e nossas crianças”, denunciou Pezeshkian.
Ele afirmou que os Estados Unidos rotularam o Irã como terrorista, enquanto o Irã é, na verdade, alvo do terrorismo.
“O presidente norte-americano nos rotulou de terroristas, mas na realidade, todos podem facilmente perceber que fomos é vítimas e alvos do terrorismo, e depois dizem que não, que não fomos”, apontou, constatando que “eles negam a verdade óbvia. Mas, mesmo assim, nos acusam dela”.
“Venho de um Irã onde nosso estimado Líder Supremo [Ali Khamenei] foi assassinado sem qualquer fundamento legal ou motivo. Venho de um Irã onde, na realidade, bombardearam uma escola. Olhem para essas crianças; essas crianças pereceram sob as bombas e armas usadas pelos Estados Unidos e Israel. Elas eram inocentes; não cometeram nenhum crime”, declarou Pezeshkian.
“Aqueles que são terroristas, e que treinam e protegem terroristas, nos descrevem como tal. Nós apenas nos defendemos. Não somos terroristas. Pessoas inocentes foram alvo de ataques covardes e agressões impostas ao nosso país. E nós nos defendemos com a máxima determinação. Os Estados Unidos e Israel nos atacaram equipados com a mais recente tecnologia e sistemas de armas, e nosso povo se manteve firme. Sim, eles nos atacaram, mas não nos ajoelhamos. Não baixamos a cabeça”, acrescentou.
Questionado sobre as negociações indiretas entre diplomatas iranianos e os enviados especiais dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, em Nova York, Pezeshkian afirmou que a posição do Irã permanece ancorada no direito internacional.
“Aquilo que é discutido e negociado está dentro da estrutura do direito internacional, e é o que seria de direito para nós segundo o direito internacional”, informou, frisando que Teerã nunca buscou nada além de seus direitos legítimos. “Nunca buscamos nada além disso e, como resultado, com base nesse fundamento, buscamos um acordo, caso a outra parte concorde.”
Pezeshkian observou que Teerã está “disposta” a avançar com o memorando de entendimento de Islamabad.
O Irã ofereceu aos EUA um novo acordo com o objetivo de pôr fim ao conflito que já dura meses antes das eleições de meio de mandato em novembro, desafiando diretamente a alegação do presidente Donald Trump de que Teerã estaria deliberadamente esperando até depois das eleições para chegar a um acordo.
Em um discurso na ONU na terça-feira, Trump afirmou que o Irã está deliberadamente protelando as negociações para observar o desempenho dos republicanos nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro, e previu que Teerã fecharia um acordo “logo após” a votação. Na sua linha descontrolada, ele também ameaçou “aniquilar” a República Islâmica caso as negociações fracassem.
“Não queremos que isso chegue às eleições de meio de mandato”, disse o presidente iraniano Masoud Pezeshkian a repórteres à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York, na quinta-feira (24). “Desejamos que os americanos retornem ao memorando de entendimento antes das eleições de meio de mandato”, insistiu ele, referindo-se ao memorando de entendimento firmado entre os EUA e o Irã em junho.
“Chegamos a um acordo com o seu presidente… O problema é que os Estados Unidos, em vez de dialogar, entraram em conflito nos bombardeando primeiro, bloqueando todas as vias de acesso”, afirmou Pezeshkian em entrevista à Fox News. “Vamos nos defender com firmeza. Nunca buscamos a guerra… Cabe aos Estados Unidos escolher se querem ou não pôr fim a isso”, assinalou.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã apresentou uma proposta para a reabertura do Estreito de Ormuz em cerca de uma semana e que as negociações sobre o programa nuclear iraniano foram retomadas rapidamente. A proposta foi enviada por meio de mediadores durante as conversas em Nova York nesta semana.
Segundo o plano, Teerã restabeleceria a navegação pela crucial rota de transporte de petróleo em troca do levantamento do bloqueio econômico imposto por Washington, da flexibilização das restrições às exportações de petróleo iranianas e da liberação de alguns ativos iranianos congelados. O Irã também busca o fim das hostilidades em outras frentes, incluindo as operações de combate de Israel no Líbano.
Araghchi afirmou que a proposta segue em grande parte os termos do memorando de junho, em vez de introduzir novas exigências, acrescentando que o Irã aguarda uma resposta.
Fonte: Papiro



