A fome provocada por Israel em Gaza | Foto de Mohammed Salem de março de 2024/Reuters

O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, notório “evangélico sionista”, rejeitou na segunda-feira (31) as denúncias de que Israel comete genocídio em Gaza, negou que haja fome entre os palestinos e até asseverou que Israel teria enviado mais comida a Gaza do que a qualquer outra zona de guerra da história.

E ainda debochou das vítimas da fome que atingiu os palestinos em cheio – como a ONU seguidamente atestou, especialmente em 2025, quando Israel bloqueou a entrada de uma grama sequer de comida por 11 semanas consecutivas –, com o ex-governador republicano alegando que estariam é “precisando de uma boa dose de Ozempic”.

Segundo ele, é o Hamas que “controla a distribuição de alimentos” em Gaza, e seus integrantes “não estão perdendo peso”.

Em entrevista anterior, de maio de 2025, Huckabee havia dito que em Gaza “até as crianças são do Hamas”.

A fome em Gaza foi mostrada ao vivo pelos celulares, com crianças esqueléticas e olhos fundos, mães em desespero; 14.000 crianças na iminência de morrer por desnutrição, advertiu, então a ONU.

Quando Israel voltou, sob pressão do mundo inteiro, a deixar entrar parte da comida que faltava, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, a considerou “uma colher de chá”, quando o que se precisa é de “uma inundação”.

Devido à escassez severa de comida sofrida pelas gestantes, segundo os organismos humanitários e a ONU, a taxa de abortos espontâneos em Gaza saltou de 64 casos por 1.000 nascidos vivos no final de 2025 para 208,5 casos por 1.000 nascidos vivos no primeiro semestre de 2026 — um aumento de mais de 3,3 vezes.

Não é a primeira vez que Huckabee expõe tão abertamente seu apreço pelos genocidas israelenses. Em entrevista concedida em Tel Aviv em fevereiro ao ex-âncora da Fox News, Tucker Carlson, ele asseverou que Israel teria o “direito bíblico” às terras que vão “do Eufrates até o Nilo” – endossando o ‘Grande Israel’, a vertente israelense da doutrina nazista e racista do ‘espaço vital’.

Na terça-feira, o jornal britânico The Guardian publicou matéria em que o ministro da ‘Defesa’ do regime Netanyahu, Israel Katz, diz que a meta é perpetrar a limpeza étnica em Gaza e que seu país está buscando o apoio de Trump para “aprovar planos de expulsão de palestinos da Faixa de Gaza”.

Fonte: Papiro