Carney anuncia medidas de retaliação canadense ao ataque tarifário de Trump | Foto: Patrick Doyle/Canadian Press

Em uma resposta contundente às tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, após ter levado ao colapso as negociações comerciais na semana passada, o Canadá impôs na terça-feira (25) tarifas sobre cerca de US$ 20 bilhões em importações anuais dos EUA e lançou um programa de auxílio para empresas e trabalhadores afetados.

Segundo um comunicado do governo canadense, as taxas compensatórias sobre produtos americanos de setores-chave, como aço, laticínios, eletrodomésticos, máquinas agrícolas e celulose e papel, entrarão em vigor em 8 de setembro, com tarifas de 15%, 25% e 50% sobre cerca de 700 produtos importados do sul da fronteira. O primeiro-ministro Mark Carney havia prometido uma resposta “dólar por dólar” às extorsivas tarifas de Trump.

Ottawa anunciou ainda mais de 7 bilhões de dólares canadenses em auxílio para empresas atingidas pelo tarifaço, o que se soma aos mais de 20 bilhões de dólares canadenses em auxílio concedidos nos últimos 18 meses.

O Ministro das Finanças canadense, François-Philippe Champagne, afirmou que o Canadá estava “unido” em sua luta contra os Estados Unidos e continuava sendo “senhor de sua própria casa”.

A Ministra da Indústria, Mélanie Joly, convocou empresas e consumidores a comprarem produtos canadenses como parte de um movimento de “resistência” mais amplo na guerra comercial.

Na terça-feira, em nova provocação, Trump declarou que estava considerando seriamente renomear o Lago Ontário para “Lago América”, reeditando a farsa anterior de rebatizar o Golfo do México como “Golfo da América”.

O fricote se seguiu à reação do primeiro-ministro da província, Doug Ford, aos aumentos de tarifa de Trump, em que o chamou de “perdedor” e “rei da falência”, e ainda mandou o inquilino da Casa Branca “para o inferno”.

Ele também ameaçou cortar o fornecimento de eletricidade e as exportações de metais de terras raras para os Estados Unidos. Ontário é a mais populosa província canadense.

“Nós fornecemos energia a 1,5 milhão de casas e negócios”, afirmou Ford, alertando que se Trump continuar desmantelando a manufatura canadense, “é melhor que tenha um pacote de pilhas”.

Trump respondeu chamando Ford de “lacaio” do “Governador Carney” e avisou “esses palhaços para entrarem na linha” ou as consequências para o Canadá serão “muito piores”.

Trump também voltou a se engalfinhar com o primeiro-ministro Carney, que denunciou as pressões do governo americano contra o status bilíngue da província de Quebec, durante a tentativa de acordo.

Carney advertiu que tais exigências “ameaçam a língua e a cultura francesas”.

Ele informou que Washington questionou os subsídios canadenses destinados a apoiar a cultura francófona, bem como a rotulagem bilíngue em produtos comercializados no país e o conteúdo em francês em plataformas online.

Já Trump asseverou que “jamais interferiria” com os canadenses francófonos, se disse um “admirador dos canadenses francófonos” e chamou Carney de “mentiroso”. Em provocações anteriores, Trump insistira em intitular o Canadá de “51º estado americano”.

Fonte: Papiro