Foto: Lucas Bubols/Divulgação

A ex-deputada estadual do PDT, Juliana Brizola, foi oficializada, neste sábado (25), como a candidata ao governo do Rio Grande do Sul, liderando uma ampla coligação de oito partidos de esquerda e populares. Com Edegar Pretto (PT) como vice, a aliança conta ainda com PCdoB, PV, PSol, PSB, Rede e Avante.

Em comum, os discursos salientaram a necessidade de reconstruir o estado após anos de governos neoliberais, garantir o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a extrema direita golpista e entreguista e construir maioria no Congresso Nacional.

O ato político lotou a Casa do Gaúcho e recebeu importantes lideranças nacionais e estaduais. Entre os presentes, além dos candidatos ao Piratini, também participaram o deputado e ex-ministro Paulo Pimenta (PT) e a ex-deputada Manuela D’Ávila (PSol), que concorrem ao Senado, presidentes dos partidos, parlamentares e centenas de militantes.

“Quero falar com quem está na fila da saúde e não consegue fazer uma cirurgia e não tem atendimento. Esses números têm nomes: são mães, pais, filhos que podem perder a vida na fila. Vamos enfrentar isso com muito trabalho para resolver problemas que existem há muito tempo e que outros gestores não tiveram coragem de enfrentar”, disse Juliana, apontando um dos principais problemas do estado.

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A educação pública gaúcha — que já foi referência nacional e acabou sendo sucateada nos últimos governos neoliberais — também recebeu destaque da candidata. “Com os índices escolares que temos, não existe desenvolvimento econômico. E a educação, para nós, é prioridade. E isso não é discurso. Se tem um homem que fez pela educação, é Leonel Brizola — e é dessa escola que eu vim”, declarou.

O legado do ex-governador e avô de Juliana, aliás, foi lembrado em vários momentos do discurso, especialmente por sua luta pela soberania nacional e pela classe trabalhadora brasileira.

Juliana ainda salientou: “aprendi que a política só tem sentido se ela servir às pessoas, e não aos interesses de poucos. O povo precisa de uma governadora que cuide dele”.

A candidata também pontuou: “A partir de amanhã, começa a campanha. Vamos para a rua, dizendo que aqui não tem lugar para o ódio. É o amor, o carinho com as pessoas. A nossa grande força, a nossa grande diferença são vocês, nossos militantes aguerridos. Chegou a nossa hora!”.

Pela dignidade do RS

Ex-deputado estadual e ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no terceiro governo Lula, Edegar Pretto salientou: “A Juliana e eu nos unimos, esses oito partidos se uniram, não só para ganhar as eleições, mas para recuperar a dignidade política do Rio Grande do Sul”.

Pretto também falou sobre as potencialidades e medidas que podem impulsionar o estado. “No Funrigs, o fundo criado com a suspensão do pagamento da dívida do RS com a União, já são mais de R$ 9 bilhões disponíveis para investimentos”, lembrou.

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Ele destacou, ainda, que o RS “pode ser protagonista na transição energética e na produção de energias renováveis e biocombustíveis” e acrescentou que o acordo Mercosul–União Europeia, articulado pelo presidente Lula, “representa uma imensa janela de oportunidades, com acesso a um mercado de mais de 720 milhões de pessoas. Com trabalho e gestão, a gente vai transformar o Rio Grande do Sul em um grande canteiro de obras e oportunidades”.

Paulo Pimenta, por sua vez, afirmou: “Não vamos permitir que nenhum fascista da extrema-direita ocupe a vaga do Rio Grande do Sul no Senado Federal”. Nesse mesmo sentido, Manuela pontuou: “Sabemos que essa é a eleição mais importante das nossas vidas. A matéria que nos une é, em primeiríssimo lugar, a defesa do País”.

Representando o PCdoB, a presidenta nacional em exercício, Nádia Campeão, sublinhou que o “time forte” de candidatos da esquerda “vai levar à vitória aqui no Rio Grande do Sul e vai dar uma imensa contribuição à vitória do presidente Lula”.

Ela continuou ressaltando que “vamos travar aqui, lado a lado, juntamente com candidatos de todos os estados da federação, uma batalha decisiva para o Brasil, a batalha para reeleger o presidente Lula e defender o nosso País, a democracia, a soberania nacional, os direitos do povo brasileiro, que sim, estão ameaçados por uma candidatura da extrema direita, injustificável, apoiada pelo imperialismo estadunidense que procura interferir nos destinos de uma nação soberana que é o Brasil”.

A deputada federal Daiana Santos enfatizou que a aliança alcançada no RS “demonstra o nosso compromisso e principalmente demonstra a nossa responsabilidade com o povo do estado do Rio Grande do Sul”.

Lembrando que em 25 de julho se comemora o Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, a parlamentar afirmou que “muitas mulheres, mulheres negras e a população gaúcha em geral espera que essa nossa convocação seja um exemplo para esse país. Tratamos da política, mas da boa política, da política séria, responsável, que sabe por quem luta, mas principalmente porque luta. E é dessa maneira que nós vamos fazer a campanha mais bonita que esse Rio Grande já viu”.

Convenção do PCdoB

Foto: Priscila Lobregatte

Pouco antes do ato político, o PCdoB do RS realizou sua convenção na Câmara Municipal de Porto Alegre, vizinha da Casa do Gaúcho, onde as candidaturas majoritárias foram oficializadas. De lá, os comunistas saíram em passeata até a convenção de Juliana Brizola, juntando-se aos demais militantes que lotaram o local.

No ato do PCdoB, os comunistas confirmaram o apoio aos nomes que compõem a chapa para o governo e o Senado, além do projeto próprio do partido, cujo foco é a reeleição de Daiana Santos e a retomada de cadeira na Assembleia Legislativa.

Concorrerão a deputado estadual os atuais vereadores de Porto Alegre, Erick Denil e Giovanni Culau; a vereadora de Erechim, Sandra Picolli; o sindicalista e comerciário de Caxias do Sul, Nilvo Riboldi; a professora Bilina Peres, de Rio Grande, e o professor e influenciador Humberto Matos, de Porto Alegre.