Foto: Agência Brasil

Na madrugada desta quarta-feira (6), um funcionário da ViaMobilidade morreu após sofrer uma descarga elétrica enquanto realizava um serviço de manutenção programada na rede aérea da Linha 9-Esmeralda, na região da estação Morumbi, em São Paulo.

De acordo com a concessionária, o acidente aconteceu por volta de 1h20. O colaborador foi identificado como Adriano Alves Ferreira, de 43 anos,. Ele foi socorrido por equipes do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos.

O boletim de ocorrência registrado no 11º Distrito Policial de Santo Amaro, na Zona Sul, afirma que Adriano estava em serviço para a manutenção da linha férrea e ia realizar um procedimento chamado de “aterramento para o início das atividades”. 

“[Os funcionários] realizaram o procedimento padrão de desligar o circuito elétrico, porém, em circunstâncias a serem esclarecidas, houve contato com uma parte ainda energizada, ocorrendo morte por eletroplessão. Estimasse que o contato ocorreu com uma corrente contínua de 3.000 volts”, disse o documento. 

Por meio de nota, a ViaMobilidade informou que está em contato com a família da vítima para prestar suporte e acolhimento. A empresa também afirmou que está fornecendo todos os esclarecimentos às autoridades competentes e lamentou a morte do funcionário. Adriano era casado e pai de uma menina. Em 2022, outro funcionário também morreu ao fazer reparos em um transformador de energia.

Além do acidente da madrugada, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) anunciou na terça (5) que abriu um novo inquérito civil público para investigar as falhas recentes de operação da ViaMobilidade nas linhas privadas de trens e metrô em São Paulo. 

Em uma portaria, o promotor Silvio Marques, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, lembra que os recentes descarrilamentos e falhas da empresa na operação das linhas 8 e 9 de trens metropolitanos e na linha 5-Lilás do Metrô podem significar novas violações no contrato de concessão junto ao governo de São Paulo. As informações foram apuradas pelo portal G1.

Em agosto de 2023, Marques já tinha fechado um termo de ajustamento de conduta (TAC) com a ViaMobilidade, em razão das inúmeras falhas no serviço assumido, logo depois do repasse das linhas da CPTM para o setor privado.

Naquela ocasião, a ViaMobilidade se comprometeu a pagar de R$ 150 milhões em indenização para o estado e adiantar R$ 636 milhões em investimento nas linhas no prazo de dois anos. 

Segundo o promotor, as novas falhas podem indicar que o TAC não está sendo cumprido pela concessionária e precisa ser investigado. 

“O TAC não acarreta qualquer imunidade à concessionária, sobretudo se ocorrerem acidentes e incidentes graves, como descarrilamentos e colisões de trens. (…) A investigação merece ser aprofundada e os novos fatos podem configurar em tese, irregularidades que configuram novo dano material e oral ao Estado”, afirmou.

Fonte: Página 8