Integrantes da Flotilha humanitária são detidos em águas internacionais | Foto: Global Flotilla Sumud

Capturados em águas internacionais, dois ativistas que lideravam a flotilha para Gaza, um brasileiro e outro espanhol, estão sendo submetidos pelas forças israelenses a interrogatório. Presos em águas internacionais no Mar Mediterrâneo, fora do território de Israel. Em nota conjunta, os governos do Brasil e Espanha condenaram as prisões e classificaram como sequestro a ação de Israel.

Os ativistas presos, Saif Abukeshek, de origem palestina e nacionalidade espanhola, e Thiago Ávila, cidadão brasileiro, foram interceptados pelos israelenses enquanto estavam junto a dezenas de seus companheiros ativistas na costa de Creta.

O ‘Global Sumud Flotilla’ tem a missão de furar o bloqueio israelense com ajuda humanitária para Gaza. Os ativistas têm como objetivo trazer essa ajuda na forma de medicamentos, agasalhos e comida para a população de Gaza.

A marinha israelense interceptou, até agora, 22 embarcações com 175 ativistas pró-Palestina. Os ativistas relataram que as forças israelenses destruíram motores, detiveram alguns que estavam a bordo e que foram tratados com violência pelos militares israelenses. Cerca de 34 ativistas ficaram feridos e tiveram que ser levados ao hospital depois que desembarcaram em Creta.

“Os participantes foram socados, chutados e arrastados pelo convés com as mãos amarradas atrás das costas. Sofreram nariz quebrado, costelas rachadas e espancamentos sangrentos. Tiros foram até mesmo disparados contra eles no caos”, comunicaram os organizadores da Flotilha.

36 navios escaparam do bloqueio israelense e estão a caminho de Gaza com ajuda humanitária, relataram de um dos barcos nesta quinta-feira.

Sem fornecer provas, o Ministério das Relações Exteriores israelense, acusou os dois ativistas, Abukeshek, de “envolvimento com grupos terroristas”, e Ávila, de “suspeita de atividade ilegal”.

Em resposta à nova agressão israelense, os governos do Brasil e da Espanha soltaram um comunicado conjunto condenando a ação, “o sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais pelo Governo de Israel”.

“Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades israelenses fora de sua jurisdição constitui uma violação do Direito Internacional, que pode ser invocado perante tribunais internacionais, e pode constituir um crime em nossas respectivas jurisdições nacionais”, disseram.

Ao todo, 11 países condenaram Israel pelo ataque à flotilha.

Alinhados com a condenação da Espanha e Brasil contra as ações israelenses, outros 9 países também estão pedindo a libertação dos ativistas presos.

São eles: Turquia, Jordânia, Paquistão, Malásia, Bangladesh, Colômbia, Maldivas, África do Sul e Líbia. Eles assinaram um comunicado em conjunto denunciando os ataques das forças de Israel contra embarcações com ajuda humanitária em águas internacionais, que “constituem violações flagrantes do direito internacional e do direito humanitário internacional”.

Fonte: Papiro